Prospetiva

O texto tem como objetivo esmiuçar o conceito de Prospetiva aplicado na esfera do Ordenamento do Território, nomeadamente, na elaboração/execução de planos.

O conceito de Prospetiva está relacionado com o estudo do futuro, ou seja, tem o objetivo de melhor o compreender e de tentar influenciá-lo, e/ou de tentar adaptar-se antecipadamente para não ter que lidar com acontecimentos não previstos e, eventualmente, não desejados.

A prospetiva é um método de exploração do futuro que visa antecipar, em horizontes de curto, médio e/ou longo prazo evoluções desejáveis e menos desejáveis, procurando contribuir para a sua construção. O futuro não é apenas um prolongamento do passado, pois está aberto às ações de múltiplos atores que agem hoje em função dos seus projetos futuros, tornando-o múltiplo e indeterminado. O futuro deve ser considerado aberto, dependente da nossa ambição e vontade. Exposto isto, a prospetiva é uma reflexão para iluminar a ação presente à luz dos futuros possíveis que, por seu turno, dependem de contínuas mudanças portadoras de múltiplas incertezas; porém, o método não podendo eliminar a incerteza, procura minimizá-la.

Na esfera do ordenamento do território, a prospetiva procura sondar os futuros possíveis de um território (região, cidade, área rural) a fim de apoiar as escolhas públicas. Tendo por base o desenho de cenários, pode guiar a escolha, indicando os caminhos e os meios para se aproximar o mais possível do cenário desejado.

A prospetiva é uma ferramenta que permite confrontar escolhas e estratégias. A elaboração de imagens de futuro visa propiciar o diálogo e a concertação, para produzir um consenso e/ou um acordo sobre uma imagem partilhada de um território a ordenar. Importa esclarecer que o conceito de prospetiva é diferente do conceito de previsão (que procura predizer o futuro), mas sim assente na premissa que a representação do futuro condiciona a atuação no presente. O conceito apresenta também duas abordagens diferentes, nomeadamente, o modelo clássico e o modelo interacionista.

O modelo clássico é mais formal, tem como inovador a chamada de atenção para os contextos externos aos sistemas de ação e a formalização rigorosa das etapas do processo de planeamento.

A principal diferença deste modelo face ao planeamento tradicional está na interatividade entre processo e conteúdo e por isso, envolve um conjunto de etapas na sua metodologia: a organização do processo de planeamento; o diagnóstico do sistema de ação; a seleção dos pontos críticos por onde passa a mudança; a análise interna e externa; a definição de objetivos e estratégias; a elaboração do plano de ação; a execução e a monitorização do mesmo.

O modelo interacionista surge como crítica ao formalismo adotado pelo modelo clássico, nomeadamente, por ignorar o jogo estratégico dos atores de um determinado território. O mesmo assume as etapas metodológicas do modelo clássico, mas reconhece a especificidade do papel das administrações e/ou coletividades públicas e reforça a importância dos atores no processo de planeamento, caracterizados por terem diferentes representações sobre o futuro coletivo e diferentes recursos disponíveis.

O modelo interacionista tem uma conceção aberta da ação pública baseada na gestão estratégica dos atores ou seja, os atores registam e elaboram continuamente os dados em determinado contexto de ação onde estão presentes racionalidades heterogéneas e múltiplas. O conceito de influência torna-se central neste modelo, pois pretende acionar mecanismos de desenvolvimento participativo entre os parceiros da ação pública e necessita de criar situações favoráveis à partilha de opiniões e favorecimento de consensos.

Do ponto de vista metodológico, o processo de planeamento inicia-se pelo levantamento dos atores implicados, onde estes partilham a sua conceção do diagnóstico, dos problemas e a construção do futuro. Ao setor público compete ir clarificando os valores, as atividades suscetíveis de mobilizar os atores das políticas visadas e estabelecer indicadores de sucesso face às alternativas que estão colocadas, sendo que, um aspeto essencial neste modelo de prospetiva são os critérios que orientam a escolha de alternativas.

Em suma, o método da prospetiva é bastante utilizado nos processo do ordenamento do território, designadamente, nos planos e/ou programas adotados pelos sistemas de gestão territorial.

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References:

Referências Bibliográficas:

  • Gabina, J. (1998). Prospectiva y Ordenación del Territorio, Barcelona, Marcombo.
  • Godet, M. (1993). Manual de Prospectiva Estratégica, Lisboa, Publicações D. Quixote.
  • Guëll, J. M. (1997). Planificación Estratégica de Ciudades, Barcelona, Gustavo Gili.
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