Sementes Sintéticas

Conceito de Sementes Sintéticas

As sementes permitem a propagação, o armazenamento e a dispersão dos organismos vegetais. As primeiras sementes sintéticas foram produzidas em 1982, pelos pioneiros Kitto e Janick, que utilizaram embriões somáticos de cenouras. Passados dois anos, Redenbaugh recorreu a embriões somáticos de alfalfa. As sementes sintéticas são sementes artificiais que resultam do revestimento de diversas estruturas vegetais que possam dar origem a uma plântula in vitro ou ex vitro. Podem ser embriões somáticos, gomos caulinares (apicais ou axilares), agregados celulares (como tecido caloso embriogénico não diferenciado) e outros tecidos.

Este tipo de sementes combina os benefícios da propagação clonal com os da propagação de sementes e armazenamento. Permitem a utilização de embriões somáticos ou outro tipo de micropropágulo como análogos de sementes, tanto em campos como em estufas, e a sua plantação mecânica a nível comercial.

As sementes sintéticas podem ser de vários tipos: desidratadas (revestidas ou não revestidas) e hidratadas (revestidas ou não revestidas). Já os revestimentos podem ser de óxido de polietileno, alginato de sódio ou um biorrevestimento. O tipo de material utilizado nas cápsula deve obedecer às seguintes características: ser durável (proteção contínua do embrião desde o transporte até ao cultivo), não deve afetar a conversão e deve conter nutrientes e elementos químicos que promovam a conversão.

Síntese de sementes sintéticas

  1. Produção de embriões somáticos, que depois são colocados numa matriz de capsulação (que é um crioprotetor).
  2. Com uma pipeta, aspira-se o embrião e alguma matriz de capsulação.
  3. Posteriormente, o embrião é colocado numa solução de complexação, dando origem à cápsula, que depois endurece.
  4. Finalmente, as sementes são colhidas por decantação da solução de complexação e lavadas em água.

De modo a que as sementes permaneçam dormentes até à sua plantação, pode ser aplicada uma fina camada de resina solúvel em água, externamente à cápsula. A cápsula permite o manuseamento dos explantes sem que ocorram danos e também que a germinação e a conversão não aconteçam antes do período desejável.

Vantagens do uso de sementes sintéticas

  • Rápida propagação de espécies com valor económico;
  • Uniformidade genética das plantas;
  • Distribuição direta de sementes, ultrapassando-se a fase de transplante, o que leva a uma redução de custos;
  • Possibilidade de recorrer-se a biorreatores para rentabilização a larga escala;
  • Propagação de espécies que não produzem sementes;
  • Produção de sementes hibridas de espécies que se reproduzem por autopolinização;
  • Armazenamento mais duradouro;
  • Preservação de espécies raras ou com uma informação genética singular.

Limitações das sementes sintéticas

  • A respiração do embrião é insuficiente, diminuindo a taxa de conversão. Este problema pode ser ultrapassado pelo fornecimento de um ambiente rico em oxigénio ao embrião. No entanto, ainda é necessário um estudo mais aprofundado da forma como essa suplementação pode ser realizada;
  • Produção insuficiente de micropropágulos viáveis;
  • Desenvolvimento anómalo e não sincronizados dos embriões somáticos;
  • Maturação imprópria dos embriões;
  • Ausência de dormência e tolerância ao stress;
  • Baixas taxas de conversão.

Referências Bibliográficas

Ravi, D., & Anand, P. (2012). Production and Applications of Artificial seeds: A Review. International Research Journal of Biological Sciences, 1(5), 74-78.

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