Reprodução Sexuada

Definição e caracterização de Reprodução Sexuada.

A reprodução sexuada é uma estratégia reprodutiva caracterizada pela fusão de duas células sexuais haplóides ou gâmetas para formação de um novo indivíduo diplóide, o ovo ou zigoto. A este fenómeno de fusão dos gâmetas é dada a designação da fecundação. Após a formação do zigoto, é iniciado um processo de proliferação celular (mitose) que dá origem ao crescimento e desenvolvimento de um novo ser.

A reprodução sexuada é um mecanismo bastante custoso do ponto de vista energético, mas é a estratégia reprodutiva dominante no ciclo de vida dos organismos pluricelulares. A reprodução não é, em si mesma, uma etapa necessária à sobrevivência do próprio indivíduo. É, no entanto, indispensável para a perpetuação da espécie a que o indivíduo pertence. Aliás, a actividade reprodutiva é a primeira a cessar sempre que as populações entram em períodos de escassez de recursos ou de stress.

Variabilidade genética

Dados os inúmeros benefícios energéticos e funcionais da reprodução assexuada, terá de haver uma grande vantagem na reprodução sexuada para que esta estratégia tenha sido favorecida ao longo da evolução dos organismos.

A principal vantagem da reprodução sexuada é que os processos intrínsecos pelas quais se desenvolve constituem importantes fontes de variabilidade genética no seio das populações e das espécies. Os processos de recombinação génica que ocorrem durante a formação dos gâmetas e durante a fecundação permitem a diversificação do material genético. Primeiro, durante a meiose que ocorre em cada indivíduo, os cromossomas homólogos emparelham e trocam segmentos do seu ADN (Ácido desoxirribonucleico) entre si, aumentando, assim, a diversidade genética entre cada gâmeta formado. Depois, durante a fecundação, a fusão dos gâmetas masculino e feminino constitui um aumento adicional da variabilidade genética, dado que, cada um dos organismos parentais contribui com o seu património genético e com um alelo para cada gene para a constituição do novo ser.

Heterozigotia

A diversidade genética de uma população pode ser medida através dos níveis de heterozigotia que comporta no seu fundo genético. Quando um indivíduo possui dois alelos iguais para o mesmo gene, é considerado um homozigótico para esse gene. Pelo contrário, se os dois alelos para esse gene são diferentes, então trata-se de um indivíduo heterozigótico para esse gene. Através da reprodução sexuada é possível a ocorrência de heterozigotia (o mesmo acontece nos casos em que surge uma mutação num gene), ou seja, dois alelos diferentes para um gene. Esta possibilidade existe porque um alelo é fornecido pelo pai e outro pela mãe e, se forem alelos diferentes, o filho é heterozigótico para o gene em questão. É também possível que os alelos parentais sejam iguais e, nesse caso, o aumento da variabilidade para esse gene não se verifica.

Uma população com elevados níveis de heterozigotia é uma população mais viável do que outra em que os níveis de heterozigotia sejam baixos. A heterozigotia aumenta a probabilidade de resistência a alterações ambientais desvantajosas, de resistência a agentes patogénicos, e diminui a possibilidade de expressão de diversas doenças, quer sejam doenças com um padrão de transmissão hereditário ou não. A heterozigotia aumenta também o potencial de acção da selecção natural na capacidade de adaptação dos indivíduos ao meio ambiente em que se inserem.

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References:

  • Mark Jobling, Edward Hollox, Matthew Hurles, Toomas Kivisild, Chris Tyler-Smith. (2013) . Human Evolutionary Genetics. Garland Science.
  • Brusca, Richard C.  and Brusca, Gary J. (2002). Invertebrates. Sinauer Associates, 2ª Edição.
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