Ecologia

A Ecologia é uma ciência que estuda os seres vivos e a sua interacção com o meio ambiente em que se inserem. A palavra ‘Ecologia’ tem origem grega e significa ‘estudo da casa’ (‘casa’ é aqui entendido, em sentido lato, como o sistema Terra e as interacções da Biosfera com os restantes subsistemas).

Os estudos ecológicos podem tomar como objecto de análise diferentes níveis de detalhe da realidade. Pode ser que o objecto de estudo seja um dado biótopo e, nesse caso, é efectuada uma análise à macroescala. Poderia ser o estudo de uma dado ecossistema como um todo, como um deserto ou uma floresta. Assim, dependendo do intuito da investigação, o objecto de estudo pode ser observado à macroescala, até níveis intermédios de análise (estudo de comunidades e populações), indo até ao nível de observação à microescala, se for o pretendido. Neste último caso, incluem-se os estudos ao nível dos genes, como por exemplo, a análise do fundo genético de uma população.

Desta forma, verificamos que a Ecologia contém em si diversas disciplinas que se complementam na análise da interacção entre os organismos e mundo que os rodeia. Algumas destas disciplinas são a Sinecologia (estudo das comunidades), a Ecologia das Populações, a Ecologia Molecular (diversidade ao nível dos ácidos nucleicos, proteínas, etc.), a Ecologia Comportamental, Ecologia da Paisagem ou a Biologia da Conservação, entre outras.

 

Análise da Biodiversidade

O estudo da Biodiversidade é normalmente a preocupação última de um Ecólogo. Qualquer que seja o estudo efectuado, qualquer que seja o nível de observação utilizado, é-nos sempre fornecida informação acerca do estatuto do objecto de estudo do ponto de vista da conservação da sua integridade biológica e dos recursos que ele utiliza.

As diversas etapas ou abordagens através das quais pode ser estudado um dado ecossistema – a amostragem e inventariação de espécies ou grupos taxonómicos presentes numa dada comunidade (Sinecologia) ou a identificação de dados demográficos da população em estudo (Ecologia de Populações), por exemplo – permitem perceber se estamos perante um ecossistema mais ou menos diverso. Assim, através das diversas disciplinas, podemos inferir se o sistema em estudo tem um grau maior ou menor de riqueza específica (número de espécies), se contém mais ou menos processos ecológicos diferentes a decorrerem em simultâneo (produção fotossintética, decomposição de matéria orgânica, etc), entre outros indicadores.

O grau de complexidade das cadeias tróficas (relações alimentares) presentes num sistema, também nos indica o seu nível de diversidade pela representatividade dos seus diversos interlocutores. Pode ser a diversidade de organismos produtores (organismos autotróficos), de organismos consumidores primários (herbívoros) ou secundários (carnívoros), de organismos decompositores, a quantidade/diversidade de ciclos biogeoquímicos (transferência e reciclagem de nutrientes entre seres vivos e estruturas inorgânicas) presentes, etc. De forma indirecta, a presença de cadeias tróficas mais complexas é indicativo de que estamos perante um sistema onde ocorrem mais processos ecológicos, ou seja, mais etapas de transferência e reciclagem de matéria e energia – logo, ecossistemas mais diversos e mais saudáveis.

Assim, o nível da sucessão ecológica (Ecologia da Paisagem) presente num sistema também nos informa sobre a sua sanidade. Por exemplo, se um sistema florestal nunca progredir além da fase de instalação das comunidades herbáceas e arbustivas poderá ser indicativo de que existem factores de perturbação frequentes, como fogos, que impedem o desenvolvimento do ecossistema até este suportar uma comunidade de árvores e plantas de maior porte. Dificilmente este sistema incipiente terá uma cadeia trófica complexa. Assim, será provavelmente um sistema constituido por uma comunidade de produtores e consumidores primários pouco diversa.

Para além das escalas da realidade observáveis já mencionadas, a análise da diversidade biológica complementa-se com os estudos moleculares (Ecologia Molecular). Não é equivalente ter uma população com muitos indivíduos em fase reprodutora com um fundo genético homogéneo e ter uma população com o mesmo número de indivíduos em idade reprodutora com maior diversidade genética (maior número de alelos/variações de um gene). A população mais diversa tem melhores hipóteses de sobreviver a uma ameaça externa como uma epidemia, uma doença provocada por algum microorganismo, uma alteração ambiental súbita, etc. Desta forma, é possível complementar um estudo de Ecologia de Populações recorrendo a métodos de análise de Genética Populacional, através da amostragem do ADN (Ácido Desoxirribonucleico) de diversos indivíduos da população em estudo seguida de uma análise do número e frequência de alelos presentes na população. Por princípio, estará em melhores condições a população com maior diversidade de alelos presentes. Assim, podemos verificar que um estudo ecológico informativo é, acima de tudo, multidisciplinar.

 

 

Referências bibliográficas

Laranjeira, M. (2012). Estrutura Espacial e Processos Ecológicos: O estudo da Fragmentação dos Habitats. Revista de Geografia e Ordenamento do Territorio, n.o 1 (Junho). Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Territorio. Pag. 59 a 83

Ricklefs, Robert. (2003). A Economia da Natureza. Guanabara Koogan, 5ª Edição.

Lévêque, C. (2001). Ecologia: do ecossistema à biosfera. Instituto Piaget, Colecção Perspectivas Ecológicas, nº 36.

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