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Domesticação do lobo

Apresentação do conceito de Domesticação do lobo.

Conceito de Domesticação do lobo

A Domesticação do lobo (Canis lupus) corresponde ao processo evolutivo que levou ao aparecimento do cão (Canis lupus familiaris).

A comunidade científica concorda com o facto de o cão descender de um lobo primitivo e hoje extinto. No entanto não há consenso quanto ao momento, ao local e à forma como este evento aconteceu.

Quando?

Pensa-se que a domesticação do lobo terá acontecido há mais de 32 000 anos atrás, algures numa faixa temporal situada entre 50 000 e 32 000 anos AP (Antes do Presente). Esta foi a primeira espécie a ser domesticada pelo ser humano numa altura em que vivia como caçador-coletor em grupos nómadas. Este processo foi sem dúvida muito moroso e muito mais complexo do que se pensava inicialmente.

Onde?

Tanto os padrões de diversidade genética como as evidências arqueológicas sugerem que o lobo tenha sido domesticado no sudeste asiático há volta de 33 000 anos atrás e que os lobos domesticados, cães primitivos ou proto-cães, migraram para o Médio-Oriente há 15 000 anos atrás. A seguir, terá havido migrações quer para a Europa quer de regresso para a Ásia. Contudo, estes padrões de migração não correspondem aos padrões de migração das populações humanas contemporâneas.

Por outro lado, estudos recentes sugerem que a domesticação do lobo pode não ter sido um evento único.

Segundo um grupo de investigadores da Universidade de Oxford, liderado por Greger Larson, a domesticação terá acontecido algures no oeste eurasiático e em simultâneo num ponto mais a leste no Próximo-Oriente. Ainda segundo Larson, os cães primitivos do leste terão migrado com os seus companheiros humanos para a Europa, por volta da idade do bronze, onde ter-se-ão cruzado com os cães primitivos do oeste. Os proto-cães asiáticos terão sido substituídos em parte pelos cães europeus do paleolítico. Esta hipótese de uma domesticação em dois tempos é no entanto recusada por alguns cientistas.

Evidências da presença do Homem e do cão primitivo no mesmo local foram encontradas tanto em Israel como na Alemanha ou no Oeste da Rússia. Dois dos achados mais interessantes foram descobertos respetivamente na Bélgica e no sul da França. Quanto ao primeiro, trata-se de um crânio descoberto nas grutas de Goyet em 1870. Verificou-se que aquilo que se pensava ser um crânio de lobo era, na verdade, um crânio de cão com 31 000 anos de idade. O segundo foi encontrado na caverna de Chauvet, uma das cavernas com pinturas rupestres mais antigas do mundo. Nesse local foram encontrados vários vestígios da presença do Homem pré-histórico, sendo mais raro, pegadas de uma criança e de um cão que, ao que parece, estaria a segui-la de perto.

Como?

Também há divergências quanto à forma como a domesticação do lobo aconteceu. Sabe-se, no entanto, que o cenário mais credível compreende 3 fases:

– A pré-domesticação durante a qual alguns lobos foram-se aproximando cada vez mais dos acampamentos humanos.

Alguns investigadores acreditam que crias de lobo órfãs terão sido “adotadas” pelos Homens e que os lobos mais submissos foram deliberadamente selecionados. Outros pensam que alguns lobos se aproximaram aos poucos do Homem em busca de comida e que esta característica foi transmitida às crias.

– A domesticação, fase durante a qual há uma máxima interação entre o Homem e o lobo e ocorrem modificações comportamentais, morfológicas e fisiológicas. Nascem crias cada vez mais propensas à domesticação.

– A diversificação em numerosas raças de cães por seleção artificial pelo Homem.

Consequências da domesticação do lobo

A domesticação fez com que surgissem modificações comportamentais, morfológicas, anatómicas e fisiológicas no lobo domesticado em relação ao seu antepassado selvagem.

– Comportamentais: Para que o lobo fosse domesticado foram necessárias, tal como em todas as domesticações de animais, mudanças psicológicas de forma a reduzir as características de medo e agressão para permitir uma real integração dos lobos nos grupos humanos.

– Morfológicas / anatómicas: O isolamento e a reprodução em cativeiro dos lobos promoveram uma perda de variabilidade genética (Efeito gargalo de garrafa ou Bottleneck). Apenas algumas características foram mantidas.

Observa-se uma conservação de características juvenis nos adultos (pedomorfismo) tais como uma redução do tamanho geral ou o encurtamento do focinho. Também há uma alteração na dentição (redução do tamanho dos dentes) e uma redução na musculatura dos maxilares que indicam uma diminuição da necessidade de caçar o próprio alimento.

– Fisiológicas: Ocorre uma redução do período de crescimento. A puberdade chega mais cedo (2 anos em média nos lobos para 6 meses em média nos cães).

Observa-se um aumento do número de cópias do gene AMY2B nos cães modernos (2 cópias na maioria dos lobos e de 4 a 30 cópias nos cães), um gene que codifica a enzima amílase pancreática responsável pela digestão do amido. Esta alteração indica uma adaptação à dieta omnívora e rica em amido do ser humano.

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References:

Frantz, L. et al. (2016). Genomic and archaeological evidence suggest a dual origin of domestic dogs. Science, 352(6290), pp.1228-1231.

Freedman, A. and Wayne, R. (2017). Deciphering the Origin of Dogs: From Fossils to Genomes. Annual Review of Animal Biosciences, 5(1), pp.281-307.

Galibert, F., Quignon, P., Hitte, C. and André, C. (2011). Toward understanding dog evolutionary and domestication history. Comptes Rendus Biologies, 334(3), pp.190-196.

Lesk, A. (2017). Introduction to genomics. 3rd ed. Oxford: Oxford University Press, pp.310-311.

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