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Dispersão

Conceito de dispersão, as principais características, assim como as diferenças entre a dispersão da fauna e da flora…

Conceito de dispersão

sementes

 

Dispersão, em biologia, corresponde a um conjunto de processos que permitem a fixação dos indivíduos de determinada espécie num determinado espaço, independente dos seus progenitores.

Este processo corresponde à deslocação dos descendentes para novos territórios, com o objectivo de encontrar as condições essenciais à sua sobrevivência. A dispersão apresenta diversos custos e benefícios para os seus intervenientes, sendo que os custos podem por vezes ser superiores aos benefícios levando ao desaparecimento da espécie.

Conceito:

Este conceito corresponde à capacidade que os seres vivos têm de se deslocar de um espaço para o outro, consistindo na distribuição dos seres vivos no ambiente, segundo um determinado padrão.

Esta deslocação pode ocorrer de forma continua ao longo da vida dos seres vivos ou estes podem permanecer no mesmo local durante grande parte do seu ciclo de vida. Os animais têm tendência a deslocar-se permanentemente ao longo de toda a sua vida, com o intuito de buscar melhores condições, enquanto as plantas permaneceram no mesmo local onde germinaram até ao fim da sua vida.

A fixação pode ocorrer por diversos motivos, sendo que normalmente se deve à colonização de novas áreas, seja porque as condições do ambiente foram alteradas, seja porque (no caso das plantas) as suas sementes foram levadas por agentes de dispersão.

A dispersão a longas distâncias é um fenómeno raro que pode ocorrer devido a alterações muito drásticas do meio. Normalmente estas ocorrem normalmente a poucas distancias devendo-se à necessidade de procurar boas condições de vida. Apesar de raras estas migrações são muitas vezes importantes para a compreensão do funcionamento do ecossistema.

A deslocação por longas distâncias pode dever-se a diversos factores, como por exemplo, a actuação do ser humano como fonte de dispersão desses seres vivos. Essa dispersão também se deve ao tipo de clima que se encontra nos diversos locais, assim como, por exemplo, as mudanças de estação.

Dispersão nos animais:

A dispersão nos animais vai depender da espécie, por exemplo, algumas espécies de tartarugas quando nascem são obrigadas a dispersar do seu local de nidificação, pois correrem o risco de morte, devido aos predadores que se encontram no local. Enquanto algumas espécies podem deslocar-se durante toda a sua vida, outras só o podem fazer durante uma fase do seu desenvolvimento.

As espécies que não se podem mover, como por exemplo os Cnidária, utilizam métodos de dispersão semelhantes aos utilizados pelas plantas terrestres, no entanto, os processos utilizados pelas espécies animais que se movem são muito diferentes.

Esta também pode variar com a época do ano, ou o sexo dos indivíduos, sendo que nos mamíferos é mais comum o macho dispersar do que as fêmeas. Nos animais, a dispersão está associada maioritariamente aos animais migratórios, que estabelecem um padrão de distribuição particular, por vezes regular, partindo de um país para outro quando mudam as estações e fazendo o percurso inverso quando estas voltam a mudar.

Dispersão nas plantas:

A dispersão nas plantas ocorre devido ao transporte das suas sementes. Esta corresponde à propagação das plantas, visto favorecer a deslocação da planta no espaço, sem que o seu progenitor (planta mãe) saia do sítio.

As plantas dispersam pois as suas sementes são muitas vezes levadas pelo vento, ou por animais que as consomem. Esta deslocação, tal como nos animais, favorece a colonização de novos territórios.

As plantas com elevada capacidade dispersiva podem ser consideradas plantas invasoras, pois colonizam facilmente novos espaços impedindo o crescimento de outras plantas.

Apesar da sua conotação negativa (devido às espécies invasoras), a dispersão é uma forma natural de propagação das espécies vegetais, que permite a perpetuação da informação genética dessa população.

Agentes dispersores:

Os agentes dispersores estão mais relacionados com a dispersão das plantas, sendo que estes podem ser factores abióticos ou seres vivos. Estes normalmente estão relacionados com os seres vivos que consomem sementes, como por exemplos os pássaros ou esquilos.

Estes agentes encontram as sementes e levam-nas para outras zonas, para posteriormente as consumirem. Muitas vezes esses indivíduos enterram nas no solo, esquecendo-se delas. Estas irão germinar dando origem a novos indivíduos.

Outros dispersores são os polinizadores que permitem a movimentação do pólen e a formação das sementes. Estes indivíduos andam de flor em flor e transportam o pólen (da flor masculina) que irá fecundar a flor feminina.

O vento e a água também são agentes dispersores bastante eficazes pois permitem o transporte tanto do pólen como das sementes para locais mais longínquos. A acção dos agentes dispersores ocorre normalmente durante uma das fases de reprodução dos seres vivos, sendo que a dispersão é normalmente definida como a deslocação dos seres vivos a partir do seu local de nascimento.

 

Barreiras à dispersão:

A realização de uma dispersão não é fácil, para isso os seres vivos necessitam de superar as barreiras que se apresentam à sua distribuição geográfica. As cadeias montanhosas, os rios, as condições climáticas extremas ou mesmo a construção de uma estrada podem funcionar como barreiras à distribuição das espécies.

Outras barreiras a esta distribuição podem ser, por exemplo, as condições climáticas ou as características de predação e de competição de cada espécie.  Por exemplo, seres vivos predadores (leões, raposas ou mesmo lobos …) necessitam de uma maior área de dispersão do que as suas presas (geralmente herbívoros). A falta de recursos também pode contribuir para uma maior dispersão das espécies.

A criação de corredores ecológicos (greenways) pode contribuir para a diminuição das barreiras facilitando a dispersão dos seres vivos no ambiente.  No entanto, nem todos os corredores servem para todas as espécies, sendo importante que o corredor se adeque às características da espécie que o pretende utilizar. Outros métodos de dispersão artificiais também podem ser utilizados, como é o caso das stepping stones.

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References:

Jordano, P., M. Galetti, M.A: Pizo, and W .R. SIlva. 2006. Ligando Frugivoria e Dispersão de sementes à biologia da conservação. Pages 41 1-436, In:Duarte, C.F., Bergallo, H.G., Dos Santos, M.A., and V a, A.E. (eds.). Biologia da conservação: essências. Editorial Rima, São Paulo, Brasil. http://ebd10.ebd.csic.es/pdfs/Conservacao_06.pdf

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Gibbs, Melanie; Saastamoinen, Marjo; Coulon, Aurélie; Stevens, Virginie M.(2009). Organisms on the move: ecology and evolution of dispersal. Biol. Lett. 6, 146–148 The Royal Society. Consultado em: Junho 30, em http://rsbl.royalsocietypublishing.org/content/6/2/146

 

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