Controlo hormonal do parto

No início do parto ocorre a secreção da hormona libertadora da hormona adrenocorticotrófica (ACTHrh) pela porção fetal da placenta. A ACTHrh atua na hipófise do feto levando à libertação de hormona adrenocorticotrófica (ACTH), que atua no córtex da suprarrenal do feto levando à libertação de cortisol (que promove a secreção do surfactante pulmonar) e de androgénios (mais propriamente a dehidroepiandrosterona). Estes são convertidos em estrogénios pela placenta, que irão ser responsáveis pelo aumento das junções comunicantes nas células do miométrio (permitindo a sua contração coordenada), pelo aumento das prostaglandinas (que provocam a dilatação e o amolecimento do colo do útero) e pelo aumento dos recetores de oxitocina no miométrio, que começa a contrair.

Acredita-se que o aumento da produção da ACTH seja o “sinal” para se iniciar o trabalho de parto. Até esse ponto, a progesterona inibe a contração do miométrio, através da inibição da síntese de prostaglandinas e dos recetores de oxitocina e, também, do impedimento do desenvolvimento dos canais de cálcio no tecido uterino (o cálcio é necessário para que ocorram as contrações do miométrio). O aumento dos níveis da ACTH leva à síntese de estrogénios em elevada quantidade, que irão ter uma ação contrária à progesterona, promovendo as contrações uterinas.

Depois de iniciadas as contrações, a continuação do trabalho de parto ocorre devido a um sistema de feedback positivo, ou seja, elevados níveis de cortisol levam ao aumento da produção da ACTH pela placenta, que leva ao aumento dos níveis de estrogénios, promovendo as contrações uterinas. As contrações originam um aumento da produção de oxitocina (reflexo nervoso iniciado por estimulação dos recetores do útero), que leva à secreção de prostaglandinas, induzindo mais contrações do músculo uterino.

 

Referências Bibliográficas:

Jones, R. E., & Lopez, K. H. (2014). Labor and Birth. Human Reproductive Biology (4th ed., pp. 205-224). Londres, Reino Unido: Academic Press.

Kim, S. H., Bennett, P. R., & Terzidou, V. (2015). Diverse Roles of Oxytocin. Inflammation and Cell Signaling, 2(1), 10-14800.

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