Gostaria de ser nosso colaborador?

É especialista em alguma das áreas de conhecimento presentes na nossa enciclopédia? Tem gosto pela escrita? Gostaria de ser editor numa enciclopédia em português, integralmente escrita por especialistas? Gostaria de partilhar conhecimento?

Se a sua resposta é sim, então envie-nos o seu CV para geral@knoow.net para que possamos analisar e enviar mais detalhes sobre a forma de colaboração.

 

Áreas para as quais procuramos especialistas:

  •  História do Brasil
  •  História de Angola
  •  História de Moçambique
  •  Medicina
  •  Medicina Veterinária
  •  Filosofia
  •  Sociologia
  •  Contabilidade
  •  Direito
  •  Mecânica
  •  Química
  •  Física
  •  Matemática

 

 

Aglutinogénio

Apresentação do conceito de Aglutinogénio: Descoberta, estrutura e exemplos.

Conceito de Aglutinogénio

O termo Aglutinogénio diz respeito a antigénios, presentes na membrana de alguns eritrócitos, que uma vez introduzidos num organismo estranho reagem com anticorpos específicos, as aglutininas, que os neutralizam através de uma reação de aglutinação.

Perspetiva histórica

Os aglutinogénios foram descobertos pelo médico e biólogo austríaco Karl Landsteiner, em 1900. Na busca de uma explicação para a aglutinação que acontecia frequentemente após as transfusões sanguíneas, Landsteiner formulou a hipótese de os seres humanos pertencerem a grupos sanguíneos diferentes. De forma a poder comprovar essa teoria, experimentou misturar amostras de sangue pertencentes a ele próprio e aos seus colaboradores. Observou então o padrão de aglutinação e definiu 3 grupos, os atuais grupos A, B e O. Mais tarde, descobriu um quarto grupo, o grupo AB.

Landsteiner determinou então que os eritrócitos teriam na sua superfície uma substância, à qual deu o nome aglutinogénio, capaz de promover a aglutinação. Identificou, na altura, dois tipos de aglutinogénios diferentes: o aglutinogénio A, no grupo A, e o aglutinogénio B no grupo B. Os indivíduos do grupo O, não apresentavam nem o aglutinogénio A nem o B e os indivíduos do grupo AB apresentavam ambos os aglutinogénios. Também constatou a existência de dois tipos de anticorpos no plasma, que se ligavam especificamente a um ou outro aglutinogénio. Chamou-lhes então aglutininas anti-A (ou aglutinina α) e anti-B (ou aglutinina β) e verificou que a ausência de um aglutinogénio implicava a presença da aglutinina correspondente no plasma.

Desta descoberta nasceu o primeiro e mais importante sistema de grupos sanguíneos humanos, o sistema ABO.

Desde então, foram descobertos centenas de antigénios diferentes na membrana dos eritrócitos e foram identificados, até à data, 36 sistemas de grupos sanguíneos diferentes, sendo os mais importantes o sistema ABO com quatro antigénios e o sistema Rh com 54 antigénios identificados.

Bioquímica

Os aglutinogénios podem ser quer glicoproteínas (açúcar + proteína) quer glicolípidos (açúcar + lípido).

 – Aglutinogénios A e B

Os aglutinogénios A e B são glicoesfingolípidos constituídos por um oligossacarídeo ligado a um esfingolípido membranar (lípido complexo presente nas membranas celulares). Ambos possuem a mesma estrutura base, ou precursor, chamada substância H (ou antigénio H) com a mesma sequência de carboidratos (D-galatose, N-acetilglucosamina e L-fucose), e pelo menos 11 aminoácidos, sendo os resíduos mais numerosos os de serina, treonina e prolina.

A especificidade do aglutinogénio deve-se à natureza do último carboidrato que completa a cadeia oligossacarídica, sendo no caso do aglutinogénio A a N-acetilgalactosamina e no caso do aglutinogénio B a D-galactose.

A adição (glicosilação) desse último carboidrato efetua-se através de glicosiltransferases, proteínas codificadas por um gene, situado no cromossoma 9, que possui 3 alelos distintos: IA, IB e IO. Os alelos IA e IB codificam proteínas ligeiramente diferentes, α-1,3-N-acetilgalactosaminiltransferase (ou transferase A) e α-3-galactosyl-transferase (ou transferase B) respetivamente. A transferase A adiciona N-acetilgalactosamina à substância H convertendo-a em antigénio A e a transferase B adiciona D-galactose convertendo-a em antigénio B. Por sua vez, o alelo IO apresenta uma deleção na sua sequência que faz com que a proteína não possua atividade transferase.

Aglutinogénio

Identificação dos grupos sanguíneos de acordo com os aglutinogénios presentes na membrana dos eritrócitos

– Precursor dos aglutinogénios A e B

O antigénio H está presente em 99,9% dos eritrócitos da população mundial e é um precursor essencial do sistema ABO.

A enzima fucosiltransferase, que adiciona L-fucose ao precursor convertendo-o em antigénio H, é codificada pelo alelo dominante H localizado no cromossoma 19. Um indivíduo recessivo para esse alelo (h/h) não produz a enzima funcional, não havendo conversão. Esses indivíduos aparentam ser do grupo O apesar de geneticamente serem A, B ou AB. São “falsos O” (Fenótipo de Bombaim) pois não possuem nem os aglutinogénios A e B nem o antigénio H, e como tal produzem anticorpos anti-A, anti-B e anti-H.

– Aglutinogénio D

O aglutinogénio D (Fator Rh) é uma proteína transmembranar e é o terceiro aglutinogénio mais importante presente na membrana dos eritrócitos. De uma forma simplificada, os indivíduos que apresentam o aglutinogénio D são Rh+, caso contrário são Rh- (Note-se que existem vários outros aglutinogénios no sistema Rh). Ao contrário do que acontece com os aglutinogénios do sistema ABO, a ausência do aglutinogénio D não implica a presença de anticorpos anti-D no plasma. Os indivíduos Rh- só produzem esses anticorpos após um primeiro contato com sangue Rh+.

1137 Visualizações 1 Total

References:

  • Dean, L. (2005). Blood groups and red cell antigens. 1st ed. [Bethesda, Md.]: NCBI, pp.11-16, 31-55.
  • Hall, J. and Guyton, A. (2016). Guyton and Hall textbook of medical physiology. 1st ed. Philadelphia (PA): Elsevier, pp.477-482.
  • ISBT. (2017). Table of blood group systems v5.0 170205. International Society of Blood Transfusion [Accessed 6 Mar. 2017].
  • ISBT. (2017). Table of blood group antigens v.6_170205. International Society of Blood Transfusion [Accessed 6 Mar. 2017].
  • Khurana, I. (2006). Textbook of medical physiology. 1st ed. New Delhi: Elsevier, pp.535-538.
  • Rath, G., Mitra, R. and Mishra, N. (2014). Blood groups systems. Indian Journal of Anaesthesia, 58(5), p.524.
1137 Visualizações

A Knoow é uma enciclopédia colaborativa e em permamente adaptação e melhoria. Se detetou alguma falha em algum dos nossos verbetes, pedimos que nos informe para o mail geral@knoow.net para que possamos verificar. Ajude-nos a melhorar.

 

 

Knoow - a divulgar conhecimento pelo mundo