Individualismo

Deve-se a Toqcqueville a criação da noção de individualismo. Apesar deste eminente político francês ter distinguido individualismo e egoísmo, essa mesma distinção não é intacta mas sim de grau, uma vez que o individualismo, a longo termo, conduz ao egoísmo bruto. Sem dúvida que se encontram os propulsores determinantes para o desenvolvimento do pensamento individualista previamente:

 

  • graças à Reforma e ao surgimento do Protestantismo, cujo expoente máximo do individualismo se prende com a tese de Lutero de que a Igreja não deve mediar a relação pessoal que um indivíduo deve ter com Deus;
  • a contribuição de Adam Smith no campo do liberalismo económico, onde este assumiu que um sistema simples de troca de bens e serviços sustentado por uma liberdade natural do agente e pela intervenção mínima do Estado, suportaria um melhor desenvolvimento a nível do bem-estar social;
  • a Revolução Francesa, ao enfatizar os direitos individuais e ideia da justiça natural por oposição a um Estado Absolutista

O individualismo compreende a importância antropológica do indivíduo, pelo que a sua liberdade, os seus direitos, as suas necessidades e crenças, são reiteradas como antecedendo a predominância das instituições que regulamentam o comportamento individual, tal como o Estado ou a Igreja. Existe um amplo conjunto de teorias de domínios sociais diferentes que contribuem para a disseminação da ideia do primado individual antes do primado da Sociedade, em particular, a doutrina exemplificada pelo liberalismo político e económico.

No discurso anglófono há uma tendência para interpretar o individualismo como um comportamento narcisista, que destruirá a integridade moral que unifica os membros de dada Sociedade. Mas há uma aceitação positiva do individualismo também, na medida em que este liberta o agente das restrições impostas pela Tradição, revelando os horizontes próximos para ações possíveis, sendo que há um paradoxo inerente a esta aquisição de consciência, pois a liberdade de maior escolha não anula no entanto, o dever de escolher.

Já no âmbito da Sociologia, Max Weber é o símbolo máximo do individualismo metodológico, que defende que os fenómenos sociológicos só podem ser explicados com recurso às características dos indivíduos, isto é, o individual precede o social, pois nem toda a ação orientada para o outro, pelo que não é social. Esta metodologia contrapõe-se ao holismo metodológico, tal como se encontra teorizado por Durkheim, que explica o individual pelo social através da conceito de consciência coletiva.

No entanto, estas duas posições extremas não resistiram aos avanços teóricos na sociologia, e a maior parte dos sociólogos opta combinar os dois fenómenos ao invés de partir da sua contradição (que para todos os efeitos é inexistente), quer dizer, tentam compreender os fatores socioculturais e socioestruturais por um lado, e as ações individuais por outro lado, e o modo como como são recíprocas.

 

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References:

Aron, Raymond (1994 [1965]), As Etapas do Pensamento Sociológico, Lisboa, Publicações Dom Quixote, LDA.

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