Campo de Poder

É abordado neste artigo a noção de campo segundo o postulado de Pierre Bourdieu.

Compreender a génese social de um campo é apreender a visão do mundo que o sustenta, isto é, o jogo de linguagem, como diria Wittgenstein, que nele se joga, a dialética entre a dimensão material e simbólica que se gera, e explicitar que em tudo isto, nada há de aleatório por parte dos agentes sociais. (Bourdieu: 68)

Este conceito utilizado por Pierre Bourdieu por necessidade heurística, foi originalmente transferido do aparato conceptual de Max Weber, na análise da esfera religiosa. Permite, por exemplo, na teoria geral da economia dos campos, descrever os mecanismos e os conceitos mais gerais, como o capital, o investimento e o ganho, em suma, os motivos do agente social, excedendo assim o puro economismo, que reconhece somente o interesse material e a maximização do lucro, como já foi apontado por Karl Marx na obra O Capital.

Ou mesmo no campo das Artes, a noção de campo enriquece metodologicamente as possibilidades analíticas do investigador referentemente a uma obra de arte, uma vez que rejeita a Arte pela Arte, pois na elaboração da obra há todo um espaço de relações objetivas no qual se acha objetivamente definida a relação entre cada agente e a sua própria obra: por outras palavras, o artista está sujeito a contingências históricas e a relações com outros artistas, o que moldará todo o processo da concepção da obra.

Em suma, um campo é um campo de poder, isto é, uma vasta rede de relações entre e dentro do campo em questão, seja o literário, o da moda ou o político. A título de exemplo, um campo de poder, à luz do sistema indiano de castas, evidencia a assimetria de cima para baixo, isto é, do superior ao inferior, dos brâmanes aos intocáveis, entre diferentes campos. Agora imagine-se a União Soviética de Estaline: o órgão principal é o Comité Central, e o líder supremo Estaline; a assimetria consolida-se dentro desse campo restrito, apesar das suas implicações em toda a vida social.

Assim, o mundo social não deve ser reduzido a “essências” que ordenam a consciência coletiva, pois há todo um palco de interesses sociais omitido nesse processo de hipostasia que só reduz as possibilidades dos actores (ibid.: 72)

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References:

Bourdieu, Pierre (2011), O Poder Simbólico, Lisboa, Edições 70

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