Backlash

Comumente associado aos movimentos ligados às minorias, o fenómeno do backlash está presente em diversas situações do cotidiano.

A expressão backlash é, nos dicionários, uma reação ou retrocesso, geralmente de ordem violenta ou pelo menos agressivo. Atualmente tem se falado muito em backlash associado ao feminismo e outros movimentos sociais em defesa de minorias.

No contexto sociopolítico e nas ciências sociais, o termo nada mais é que uma revolta intensa a um movimento libertário. Ou seja, um retrocesso frente aquela afluência específica. Existem diversas formas de backlash, algumas delas mais sutis e outras delas mais visíveis.

De acordo com Faludi (2006), o backlash é muito presente no feminismo de forma a negar a ideia central do movimento. Um exemplo mais claro, ainda na perspetiva da autora, é afirmar que o feminismo não é mais necessário ou que está morto.

No pós-feminismo, durante o final dos anos 1980 e início dos anos 1990, muitos teóricos chegaram a ressaltar que o direito das mulheres havia sido alcançado. Por isso, o feminismo caiu em desuso. Um dos males deste efeito, que Faludi (2006) denomina backlash, é que a sociedade em alguns países sofre um retrocesso do feminismo hoje em dia.

Os Estados Unidos da América (EUA), por exemplo, nas últimas eleições mostraram sinais evidentes provenientes do backlash. O grupo de mulheres em favor de Donald Trump, após o então candidato a presidência dos EUA ter admitido assediar algumas mulheres, demonstra este retrocesso.

Faludi (2006) ressalta ainda que a própria academia pode produzir backlash sem dar-se conta. É como quando pesquisas revelam publicamente que as mulheres que optam por ser mãe e seguir carreira ao mesmo tempo são menos bem-sucedidas. Isso, segundo a teórica, pode desestimular outras mulheres de ter suas próprias experiências.

backlash

Backlash nos Media

Assim como os Media, quando questionam a “idade biológica” das mulheres, suas capacidades maternais ou outros aspetos. Nem sempre o fenómeno é proposital, coloca Faludi (2006). Às vezes é algo inerente à cultura ou à sociedade.

Banyard (2010) atribui ao backlash a falsa sensação de igualdade. Para a autora, no momento em que se estabelece que os direitos são iguais para homens e mulheres, produz-se um novo estigma. No mundo ocidental, algumas conquistas fizeram-se graças ao feminismo, porém nos números ainda pode-se perceber que a igualdade está longe de ser atingida.

Basicamente o que Banyard (2010) aponta, ao ressaltar a ilusão da igualdade, é que mesmo com o aumento de políticas públicas, as mulheres continuam ganhando menos e trabalhando mais. Em seu livro, ela destaca alguns casos específicos de backlash, destacando ainda conceitos como o glass ceiling.

A falta de mulheres em cargos de chefia, mesmo sendo elas maioria no mundo, é outro fator que preocupa tanto Banyard (2010), quanto Faludi (2006). Ambas as teóricas defendem que o feminismo continua a ter um papel essencial na vida de todos. Para elas, é preciso que a luta seja constante para que haja alguma igualdade de género.

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O fenómeno e a sensação de falsa igualdade de género

No momento em que a luta se dá por vencida, ocorre o backlash (Faludi, 2006). Se analisarmos os cargos políticos, por exemplo, veremos que em muitos países foi preciso a criação de cotas para que as mulheres chegassem à carreira política. Ainda assim, são poucas as mulheres líderes de Estados ou chefes de nações.

Mas não são só as feministas que estudam o backlash e seus efeitos. Quem é académico das áreas de sociologia, filosofia e política poderá se defrontar com o termo novamente em outros contextos. Já se estuda o backlash no movimento pós-escravatura, em comunidades excluídas e em países que já foram colonizados.

Comumente associado aos movimentos ligados às minorias, o fenómeno está presente em diversas situações do cotidiano. Muitas vezes nem o notamos, mas é importante saber da sua existência. Evitar o backlash é vital para uma sociedade mais democrática.

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References:

Banyard, K (2010). The equality illusion: the truth about women and men today, Faber and faber.

Faludi, S. (2006). Backlash: the undeclared war against American women. New York: The River Press.

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