Sintomas psicóticos

Conceito de Sintomas psicóticos

Entende-se por sintomas psicóticos um conjunto de perturbações do conteúdo do pensamento (delírios) e de perturbações ao nível da perceção (alucinações), que se caracterizam pela perda de contacto com a realidade.

Delírios

Os delírios ou ideias delirantes constituem alterações do conteúdo do pensamento que se caracterizam pela sua rigidez e desadequação face à realidade. Os delírios podem ser primários, isto é, ocorrer na ausência de uma elaboração ou condição prévia, sendo estes característicos da esquizofrenia; ou secundários, surgindo justamente na sequência de elaborações ou estados de humor congruentes, como na depressão severa.

Estes sintomas podem estar presentes em diversas perturbações psicológicas, podendo ser de ordem bizarra ou não bizarra.

Manifestam-se na esquizofrenia sob a forma de ideias delirantes bizarras, isto é, ideias desprovidas de lógica (e.g. controlo ou imposição de pensamento), a par de alucinações. Nesta perturbação também se verificam delírios não bizarros (e.g. esquizofrenia paranóide, na presença de delírios de perseguição).

Os delírios estão também presentes noutras perturbações sob a forma de ideias delirantes não bizarras, isto é, ideias cuja temática é suscetível de ser real (delírio de autorreferência – “os outros estão a falar de mim”, ciúme ou perseguição). No eixo das perturbações clínicas são exemplo algumas perturbações de humor (como depressões severas e episódios de mania) e a perturbação delirante, na qual é característica a presença de um dos temas de delírio não bizarro.

No eixo das perturbações da personalidade, estes sintomas podem ocorrer na perturbação esquizotípica (embora não a caracterizam à priori) a par de comportamentos e ideias bizarras, não delirantes, decorrentes de pensamento mágico/fantasias; na perturbação paranoide, na qual podem ocorrer delírios de perseguição, decorrentes da inflexibilidade de pensamentos e sentimentos de hostilidade associadas aos outros; e na perturbação borderline, sob a forma de delírios de ciúme, na sequência da instabilidade do humor.

Ao contrário do que se verifica na perturbação delirante, nas perturbações de humor e da personalidade os sintomas psicóticos podem ocorrer, contudo não caracterizam à priori estas perturbações. Neste sentido, ocorrem de um modo geral em estados mais severos, nos quais o contacto com a realidade esteja comprometido em razão da perturbação. Neste sentido, nestas perturbações são consideradas diferenciações face à presença ou ausência de sintomas psicóticos (e.g. nas perturbações depressivas, verifica-se a referência à possibilidade de existência de sintomas psicóticos), sendo também necessária uma intervenção diferente consoante os sinais e sintomas manifestados (e.g. perturbação depressiva com sintomas psicóticos terá uma intervenção distinta daquela que não apresenta sintomas psicóticos).

Alucinações

As alucinações ditas verdadeiras são consideradas experiências percetivas falsas, isto é, em que há a perceção de um estímulo na sua ausência (e.g. ouvir uma voz a chamar), não se verificando uma atitude crítica do indivíduo face a esta experiência. Neste sentido, o próprio acredita que existe o estímulo no espaço externo, tomando-a como real.

Por sua vez, as alucinações endopsíquicas são experienciadas no espaço interno do indivíduo, por oposição às ditas verdadeiras. Estas são igualmente experienciadas como reais.

As alucinoses são também consideradas fenómenos no espetro da alucinação, perante as quais se verifica crítica do próprio face à experiência. Tal como as alucinações verdadeiras são experienciadas no espaço externo, isto é, não sendo experienciadas no espaço interno do indivíduo.

De um modo geral, as alucinações podem ocorrer ao nível da audição (e.g. ouvir vozes), visão (e.g. ver objetos ou pessoas), paladar (e.g. experienciar sabores não existentes), olfato (e.g. experienciar cheiros que não existem) e cinéticas/corporais (e.g. sentir sensações corporais falsas).

Verifica-se que podem ocorrer em diversas perturbações como a esquizofrenia sob a forma de alucinações verdadeiras ou endopsíquicas; nas perturbações orgânicas, como sejam os quadros demenciais (e.g. Alzheimer), sob a forma de alucinoses; nas síndromes confuso-oníricas, tais como o delirium tremens, sob a forma de alucinações visuais e corporais; e nos quadros de consumo de substâncias (e.g. alucinogéneos, como LSD), variando entre alucinações e alucinoses. Acresce ainda que na maior parte destas perturbações a ocorrência de alucinações é acompanhada de delírios, podendo ocorrer de forma constante (e.g. esquizofrenia) ou não (e.g. quadros demenciais).

Palavras-chave: Sintomas psicóticos; perturbação delirante; esquizofrenia; perturbação esquizotípica; mania

Referência bibliográfica

Dias Cordeiro, J.C. (2009). Manual de Psiquiatria Clínica. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

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