Relação afetiva

Uma relação afetiva acarreta responsabilidade sobre o outro e maturidade emocional proveniente de vínculos familiares.

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Relação afetiva

Uma relação afetiva acarreta responsabilidade sobre o outro e maturidade emocional proveniente de vínculos familiares. Assim, percebe-se que o percurso de vida do indivíduo permite prever se o mesmo está apto, do ponto de vista maturativo, para assumir uma relação.

Segundo Silva (2013) o tema da relação afetiva ou amorosa tem a sua pertinência devido à dependência de alguns indivíduos quando vinculados em relacionamentos, fazendo do outro a sua total razão de viver.

A propósito das características dos vínculos no que concerne às relações afetivas Oliveira, Pinto e Souza (2003) observaram, nas suas pesquisas, que, na fase adolescente, é comum o indivíduo associar o casamento e a relação afetiva ao alcance da felicidade, como sendo uma necessidade. “acho que a felicidade completa está quando você tem uma pessoa que goste ao seu lado”.

A afetividade é um processo carregado desde sempre, começando com o vínculo afetivo desenvolvido com a mãe nos primeiros tempos de vida, sendo que qualquer situação geradora de mal-estar entre mãe e filho, se traduzirá em relacionamentos futuros da vida do indivíduo (Silva, 2013).

Oliveira, Pinto e Souza (2003) referem que é na adolescência que podemos ver em que medida o indivíduo está a construir as suas relações afetivas de forma funcional, com base no seu trajeto de vida.

O desenvolvimento emocional no âmbito das relações afetivas é, deste modo, o que muitos indivíduos levam para as sessões de psicologia quando não têm capacidade para assumir a solidão e depositam no outro a solução dos seus problemas, mesmo havendo fortes evidencias de que a relação é disfuncional e geradora de sofrimento (Silva, 2013).

Silva (2013) diz ainda que a dependência afetiva do foro das relações é equiparada à dependência química, mas do ponto de vista emocional, exprimindo-se como uma patologia que, em vez de álcool, droga ou tabaco, leva o indivíduo a procurar o outro de forma doentia para resolver os seus conflitos internos.

Habitualmente, esta patologia tem origem na discrepância entre o amor idealizado e o amor real do indivíduo, que é fruto dos valores e ideais que são incutidos ao longo da infância e que, na vida adulta, é transferida para os parceiros e as parceiras afetivos/as, o que causa, nestas circunstâncias, frustração e conflito (Silva, 2013).

Este processo de transferência, de acordo com os estudos de Oliveira, Pinto e Souza (2003) ganha expressão gradualmente na fase da adolescência quando o indivíduo começa a analisar as relações afetivas, junto com outros parâmetros da vida, no sentido de perceber a importância das mesmas para o seu futuro.

Devido a esta discrepância entre o ideal e o real, é necessário que o indivíduo, ao longo do seu processo de desenvolvimento, aprenda a adaptar-se à sociedade, no sentido de construir relações afetivas saudáveis, uma vez que cada um tem uma postura diferente dos demais (Silva, 2013).

Oliveira, Pinto e Souza (2003) referem a adolescência como fase de desenvolvimento em que a postura para com a relação afetiva é pautada pelas expetativas futuras do indivíduo no que concerne à estabilidade, tais como a constituição de uma nova família, as amizades e a transição da escola para a universidade.

Todo este processo se prende com questões de adaptação a cada fase de desenvolvimento, o que significa que, quando há bloqueios, o indivíduo entra em sofrimento porque a relação afetiva não corresponde às suas expetativas devido à dependência emocional, o que impede até de ser ele mesmo e gera ansiedade (Silva, 2013).

Assim, Silva (2013) explica que indivíduos dependentes do ponto de vista afetivo, acabam por utilizar as mesmas estratégias emocionais com os pares afetivos que já usavam com a mãe.

Tendo por base estes pressupostos, podemos concluir que a relação afetiva disfuncional acarreta influências sociais, já que uma relação que não é baseada na dependência, nem sempre é bem aceite pela sociedade pelo que podemos ver em programas televisivos tais como novelas em que reina o eterno “felizes para sempre”, construído com o sofrimento intenso das personagens que superam barreiras e diversos conflitos para ficarem juntos (Silva, 2013).

Estas filosofias indicam que amar incondicionalmente é um princípio proveniente da bíblia que nos ensina a amar o próximo como a nós mesmos, o que remete para a necessidade de nos amarmos para podermos amar o outro (Silva, 2013).

Torna-se necessário para a saúde aprender a amar sem medo e sem amarras, de forma livre e tendo sempre um sentido na vida que permita manter relações afetivas racionais (Silva, 2013).

Conclusão

A construção de uma relação afetiva acarreta competências emocionais do ponto de vista da adaptação a outra pessoa. Esta competências são influenciadas pelo percurso de vida do indivíduo, principalmente no que diz respeito ao vínculo afetivo com a mãe, que, em função dos contornos saudáveis ou não saudáveis que o caracterizam, dita a capacidade se construir uma relação afetiva saudável ou não. É possível observar que uma relação afetiva livre de cobranças e com adaptação de ambas as partes, é o melhor indicador de sucesso para os parceiros enquanto casal.

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References:

  • Oliveira, M.C.S.L., Pinto, R.G., & Souza, A.S. (2003). Perspectivas de futuro entre adolescentes: universidade, trabalho e relacionamentos na transição para a vida adulta. Perspectives of future among adolescentes: college, work and relationships in the transition to adulthood. [em linha] PEPSIC, Periódicos Eletrônicos em Psicologia. pepsic.bvsalud.org/scielo. Temas em Picologia da SBP, Vol.11, no1, 16-27. Acedido a 14 de junho de 2016 em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1413-389X2003000100003&script=sci_arttext;
  • Silva, C.S.A. (2013). Os Aspectos Destrutivos da Dependência nas Relações Amorosas. [em linha] PSICOLOGADO, psicologado.com. Acedido a 13 d junho de 2016 em https://psicologado.com/atuacao/psicologia-clinica/os-aspectos-destrutivos-da-dependencia-nas-relacoes-amorosas.
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