Questionário de análise clínica

O Questionário de Análise Clínica (CAQ) foi construído por Samuel Krug em 1980, baseado na teoria da personalidade que Cattel, em 1798 já tinha desenvolvido.

Questionário de Análise Clínica (CAQ)

O Questionário de Análise Clínica (CAQ) foi construído por Samuel Krug em 1980, baseado na teoria da personalidade que Cattel, em 1798 já tinha desenvolvido. Destina-se a medir traços normais e patológicos em adolescentes e adultos permitindo uma ampla e diversificada análise do indivíduo. A prova avalia doze variáveis clínicas de personalidade, contemplando duas partes, sendo que a primeira, CAQ-I, mede os traços normais. A segunda parte, CAQ-II, mede os traços patológicos a partir de 12 traços. A validação do CAQ (Parte I) apoiou-se em numerosas investigações factoriais realizadas previamente com amostras muito diversas, com mais de 4000 elementos das investigações feitas com o 16PF (teste de personalidade com dezasseis questões), e foi assim que se chegou às 128 questões existentes na primeira parte da prova. A adaptação portuguesa do CAQ contempla apenas a segunda parte, ou seja, os traços patológicos.

 CAQ – Parte II

Cattel e os seus colaboradores encontraram sete componentes diferentes, relacionadas entre si, da depressão primária. Algumas delas foram as doenças somáticas gastrointestinais, dores de cabeça e alterações do sono, bem como auto-culpabilidade, desvalorização pessoal e auto-crítica excessiva. Baseados nestas componentes, foram construídos os sete factores de depressão do CAQ II, que se denominaram por escalas de depressão. (Krug, 1997).

 As sete escalas de depressão do CAQ-II são:

  • Hipocondria (D1);
  • Depressão suicida (D2);
  • Agitação (D3);
  • Depressão ansiosa (D4);
  • Depressão baixa-energia (D5);
  • Culpabilidade-ressentimento (D6);
  • Apatia retirada (D7).

(Seisdedos, 1989, citado por Krug, 1997).

As restantes cinco dimensões do CAQ-II (que como já foi inicialmente referido, contempla 12 dimensões ao todo) eram independentes dos sete traços de depressão identificados e foram construídas a partir de análises factoriais dos elementos do MMPI (inventário de autoregisto de avaliação da personalidade).

A versão portuguesa da prova, que contempla apenas a segunda parte da versão original, foi construída com base na sintomatologia clínica, e ao longo de seis estudos de validação factorial, foi sendo melhorada, ate chegar aos 144 elementos escolhidos. (Seisdedos, 1989, citado por Krug, 1997).

      Cada questão da prova tem três possibilidades de resposta, denominadas por A, B e C, sendo que a resposta B dá ao sujeito a possibilidade de dar uma resposta intermédia, contudo, é pedido nas instruções de aplicação, que os sujeitos tentem evitar utilizar a resposta B.

 

Escalas do CAQ II

  • Culpabilidade-ressentimento (D6)
  • Apatia-retirada (D7)
  • Paranóia (Pa)
  • Desvio psicopático (Pp)
  • Esquizofrenia (Sc):
  • Psicastenia (As)
  • Desajuste psicológico (Ps)

 

Os factores de segunda ordem são úteis apenas para organizar a informação primária, no intuito de melhorar a sua interpretação. São eles:

  1. Ansiedade
  2. Extroversão
  3. Independência
  4. Socialização controlada ou Superego
  5. Depressão

 

Desenvolvimento – Procedimentos de aplicação e correcção

A aplicação do Questionário de Análise Clínica pode ser individual ou colectiva possuindo uma duração que varia entre 30 a 45 minutos.

            Neste instrumento há uma folha de respostas em que se deve escrever o nome no início. Cada pergunta constitui 3 respostas (A,B,C) descritas no caderno e na folha de respostas, onde o examinador pede que o/s respondente/s tentem evitar sempre que possível a resposta B, por ser uma resposta neutra.

            Para aplicação deste instrumento existem três exemplos impressos no manual para explicar a forma adequada de responder e conseguir a cooperação dos sujeitos, nomeadamente:

  1. Gosto de assistir a competições desportivas:
  2. Sim (muitas vezes)               B. Não tenho a certeza           C. Não

 

2.. As pessoas dizem que sou impaciente:

  1. Verdade                             B. Não tenho a certeza             C. Falso

 

  1. Prefiro amigos:
  2. Que sejam calmos             B. Mais ou menos                     C. Que tenham muita vida

 

As instruções podem ser lidas em voz alta pelo examinador quando administrado colectivamente, ou, numa aplicação individual, o sujeito pode ler as instruções em silêncio, estando presente o examinador para tirar qualquer tipo de dúvida.

As respostas devem ser espontâneas, evitando a revisão e a fiscalização pelo examinando. No caso de examinandos analfabetos, inválidos ou com qualquer outro impedimento, o examinador pode ler cada questão em voz alta e anotar a resposta dada pelo examinando, sem alterar a redação das questões ou aconselhar uma das respostas.

 Procedimentos de cotação

Cada resposta pode valer dois, um ou zero pontos. Primeiro é necessário obter uma pontuação correspondente a cada item respondido pelo sujeito. No final da prova é necessário o examinador verificar se as respostas seguiram as instruções dadas e caso encontre alguma deficiência deve pedir ao examinando para a corrigir, como por exemplo marcar duas das três alternativas de um elemento ou omitir por completo a resposta a uma das questões. Caso não seja possível, e se o examinador pretende obter uma estimativa do valor correspondente da escala, pode:

  1. Obter a pontuação correspondente aos itens respondidos;
  2. Multiplicar esse mesmo valor por 12, correspondendo ao total do numero de itens;
  3. Dividir o resultado pelo número de itens respondidos;
  4. Arredondar o quociente obtido para o número inteiro mais próximo.

 

É importante referir que a pontuação máxima de qualquer escala é de 24 pontos.

O processo de cotação pode ser feito através de um programa informático com uma pen drive própria para o efeito, que permite obter o resultado de cada escala em decatipos ou em percentis, elaborando o histograma correspondente. A partir de cada resultado, faz-se o cálculo da média de pontuação de cada escala (cada item da prova corresponde a uma escala) e faz-se corresponder esta a cada um dos itens da folha de perfil que correspondem à média de cada uma das escalas e que variam entre 1 e 10. As pontuações dos indivíduos são apresentadas em decatipos, arredondando para o número inteiro mais próximo. Deste modo, são elaboradas em intervalos (classes), sendo os decatipos 4 a 6 correspondem a níveis médios, 3-4 e 7-8 correspondem a desvios médios e por fim 1-2 e 9-10 correspondem a desvios extremos. Podemos colocar na folha de perfil a Pontuação Escalar e a Pontuação Directa.

            Na interpretação dos resultados, deve primeiro analisar-se o perfil geral do sujeito e só posteriormente analisar cada escala individualmente. É possível elaborar o perfil do indivíduo manual ou automaticamente, contudo, o modo automático permite maior rapidez na cotação.

 

Conclusão

O CAQ pode ser administrado individualmente/colectivamente a indivíduos com instrução básica (saber ler e escrever) e a analfabetos (o examinador pode ditar as perguntas e assinalar as respostas). É possível administrar tanto a indivíduos com patologia como a indivíduos sem patologia, sendo neste caso, por exemplo, para fazer selecção de pessoal, orientação vocacional, ou aconselhamento. No que se refere à patologia orienta no diagnóstico, prognostico e ajuda na orientação do plano de tratamento.

            No geral a prova ajuda na avaliação psicológica do indivíduo em vários contextos e em dois tipos de traços de personalidade na mesma prova. Os traços normais e os patológicos, o que nos permite ter uma visão mais clara do quadro do indivíduo.

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References:

  • Hathaway, S.R. & Mckinley, J.C. (1998). Cuestionário de Personalidad MMPI. Manual Investigación y Publicaciones psicológicas. Adaptación española. Madrid: sección de tests de TEA, S.A.
  • Krug, S.E. , (1997). Manual. Questionário de Análise Clínica. CAQ. Lisboa: CEGOC Investigações e Publicações Psicológicas.
  • Russel, M. T. & Karol, D.L. (1998). 16 PF – 5 Manual CEGOC. Lisboa: TEA ediciones.

 

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