Psicopatia autista infantil

A psicopatia autista infantil diz respeito às características da síndrome de Asperger e prima pela ausência de emoção.

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Psicopatia autista infantil

A psicopatia autista infantil diz respeito às características da síndrome de Asperger e prima pela ausência de emoção. Estas crianças, devido às suas características anómalas não têm a capacidade de sentir afeto pelas pessoas à sua volta.

De acordo com os estudos realizados por Hans Asperger os indivíduos portadores de psicopatia autista infantil, apresentam características específicas atípicas que se manifestam na expressão, no comportamento, no corpo e até mesmo na convivência social (Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2015; Souza, Fraga, Oliveira, Buchara, Straliotto, Rosário, & Rezende, 2004).

Alguns estudos referem ainda que este tipo de psicopatia se encontra junto de crianças com inteligência normal, sem qualquer tipo de atraso de desenvolvimento na linguagem, contudo, com graves dificuldades de integração social e comportamento considerado desviante (Souza et al, 2004). Apesar de todas estas características com ausência de anomalia ao nível das capacidades cognitivas, a linguagem destes indivíduos apresenta-se sob a ausência de espontaneidade, sendo sempre automática (Souza et al, 2004).

Portadores de psicopatia autista infantil merecem-nos especial atenção devido à necessidade de promover apoio pedagógico especializado para ultrapassar as suas dificuldades individuais e para terem a capacidade de conviver junto dos seus grupos sociais, experienciando, também, o afeto (Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2015; Souza et al, 2004).

O nome da psicopatia autista, na infância, deve-se, segundo a Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental (2015) ao fato de que estas crianças não sofrem qualquer interferência do meio ambiente no seu desenvolvimento, o que as faz manterem-se sempre dentro delas mesmas e não como parte de uma comunidade ou sociedade.

Na mesma linha teórica, Souza et al (2004) referem a frequência exagerada de comportamento repetido e estandardizado, além de atitudes de rigidez face à mudança.

Podemos ainda considerar este tipo de psicopatia como um autismo esquizofrénico devido à ausência de relação entre o indivíduo e o meio, já que ele age como um ser isolado em relação a tudo à sua volta (Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2015).

Alguns dos tipos de comportamento mais frequentes em quadros de psicopatia autista infantil são:

  • Teimosia de humor oscilante;
  • Desejo por duas coisas opostas;
  • Ações compulsivas;
  • Ações automáticas;
  • Automatismo de comando e comportamentos semelhantes;
  • Vivência num mundo imaginário de realização de desejos e ideias de perseguição.

(Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2015, p.10).

Os estudos realizados sobre crianças psicopatas autistas revelam que esta perturbação, em grau leve, é bastante frequente nesta fase do desenvolvimento humano (Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2015).

Estas crianças não só não primam pela capacidade de obediência e de adaptação a regras básicas que lhes são estipuladas, como apresentam ainda traços de negativismo, maldade e comportamento agressivo, pelo que lhes é característico o génio irritante e desagradável (Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2015). Normalmente, quando o educador tenta impor alguma ordem e obediência, estas crianças mostram malícia pelo brilho no olhar e aparentam gostar de provocar (Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2015).

“Sou tão malcriado, pois é delicioso quando se aborrecem.” (cit in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2015, p.20).

Devido a estes traços fora do comum, o educador deve optar por estratégias educativas pouco centradas na emoção, sem apelar à afetividade nem ao aborrecimento, ou seja, deve estipular as regras de forma distante e objetiva, o que implica a obrigatoriedade de o educador se esforçar ao máximo por manter o seu controlo de modo concentrado (Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2015).

O estilo de imposição de regras de modo automático, impessoal e estereotipado, parece ser o que mais facilmente provoca o efeito desejado nestas crianças (Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2015).

Em termos médicos o que nos permite compreender a Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental (2015) é que as crianças portadoras de psicopatia autista, apresentam perturbações devido a um traumatismo provocado no parto ou a uma encefalite.

É comum que crianças portadoras de psicopatia autista, tendam para desenvolver perturbação de personalidade esquizoide na fase adulta devido ao distúrbio de desenvolvimento sem especificação que lhes está associado (Souza, 2004).

Conclusão

A psicopatia autista infantil, cujo nome provém da síndrome de Asperger, diz respeito a crianças com comportamentos anómalos caracterizados pela ausência de emoção e afetividade.

Devido à ausência de capacidade para se relacionarem com os outros e à atração por comportamentos desajustados, é necessário que a sua educação seja realizada de acordo com demandas específicas, de forma objetiva e controlada, uma vez que estas crianças sentem prazer em não respeitar aas regras.

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References:

  • Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental (2015). Os “psicopatas autistas” na idade infantil (Parte 1). Hans Asperger, Coordenador da seção de educação especial da clínica. [em linha] SCIELO Brasil, scielo.br/scielo. Ver.latinoam.psicopatol.fundam.vol.18 no.2. Acedido a 29 de maio de 2016 em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415- 47142015000200314&script=sci_arttext&tlng=pt
  • Souza, J.C., Fraga, L.L., Oliveira, M.R., Buchara, M.S., Straliotto, N.C., Rosário, S.P., & Rezende, T.M. (2004). Atuação do psicólogo frente aos transtornos globais de desenvolvimento infantil. The psychologists practice with children facing global develompent disorders. [em linha] PEPSIC – Peródicos Eletrônicos em Psicologia. pepsic.bvsalud.org. Psicol.cienc.prof.v.24 n.2. Acedido a 29 de maio de 2016 em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932004000200004
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