Maturidade na adolescência

A maturidade na adolescência visa a capacidade para tomar decisões responsáveis e bem sucedidas.

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Maturidade na adolescência

A maturidade na adolescência visa a capacidade para tomar decisões responsáveis e bem sucedidas. Para tal é preciso que os adolescentes sejam capazes de lidar de forma adequada com diferentes questões que acarretam um olhar sério sobre elas.

 

“A Organização Mundial de Saúde define adolescência como a fase do desenvolvimento compreendida entre os 10 e os 19 anos…” (Cerqueira-Santos, Paludo, Schirò, & Koller, 2010; Traverso-Yépez, & Pinheiro, 2002, p.5).

Do ponto de vista de Bordão-Alves e Melo-Silva (2008) a adolescência é pautada por uma fase de contradições e confusões de papéis, em que o indivíduo já não mantem a dependência infantil que tinha em relação aos pais, mas ainda precisa de lutar para construir a sua independência adulta. Esta fase é característica por acarretar medos, angústias e, por vezes, sentimento de fracasso. Todos estes fatores influenciam fortemente a sua capacidade maturativa, na vivencia entre a dependência e a independência parental (Bordão-Alves, & Melo-Silva, 2008).

Em termos de desenvolvimento biológico e psicológico, a capacidade maturativa depende do contexto em que o adolescente se insere, de acordo com as suas possibilidades ou dificuldades (Traverso-Yépez, & Pinheiro, 2002). Assim, de acordo com a saúde, as preocupações ao nível do crescimento e do desenvolvimento e a prevenção realizada ainda a gravidez e a infância, promover-se-á a maturidade do adolescente (Traverso-Yépez, & Pinheiro, 2002).

Obstáculos ao desenvolvimento da maturidade saudável na adolescência

(Traverso-Yépez, & Pinheiro, 2002, p.10).

De acordo com Cataneo, Carvalho e Galindo (2005) verifica-se ainda que podemos prever o grau de maturidade de um adolescente e acordo com os seus traços de desenvolvimento emocional. Assim, por exemplo, em adolescentes obesos, é comum encontrarmos algumas perturbações do foro da ansiedade, insegurança, baixa autoestima e até mesmo, de agressividade (Cataneo, Carvalho, & Galindo, 2005).

Devido a estes problemas que são a realidade de muitos adolescentes, promovem-se programas, nos serviços de saúde, dirigidos aos indivíduos desta faixa etária, no sentido de contribuir para o desenvolvimento de uma maturidade saudável e respeitar a saúde dos mesmos (Traverso-Yépez, & Pinheiro, 2002).

A pertinência destes programas é de suma importância, também em casos de gravidez na adolescência, momento esse em que, por ver a sua imagem como mãe de forma imatura e irrealista, a adolescente vê o estado gravídico do ponto de vista gratificante e afetivo, imaginando que criar uma criança é uma tarefa fácil e divertida (Cerqueira-Santos, Paludo, Schirò, & Koller, 2010).

Nestes casos, as adolescentes assumem, por vezes, uma postura independente em relação aos pais, embora acabem por depender deles para sobreviver e cuidar da criança (Cerqueira-Santos, Paludo, Schirò, & Koller, 2010).

Por outro lado, há casos em que a adolescente tem a maturidade suficiente para assumir, realmente, uma postura independente e autónoma em relação aos pais, do ponto de vista financeiro e ainda ao nível do seu amadurecimento cognitivo, no sentido de criar uma criança (Cerqueira-Santos, Paludo, Schirò, & Koller, 2010).

Outra forma de podermos observar o grau de maturidade de um adolescente é, ainda, de acordo com a decisão que ele faz ao nível da sua orientação vocacional, que acarreta a capacidade para discernir sobre valores éticos, intelectuais e afetivos em que vai adquirir novos planos, os quais, precisa de ser persistente para alcançar (Bordão-Alves, & Melo-Silva, 2008).

Influência do contexto na maturidade do adolescente

Uma das formas de conseguirmos compreender num adolescente o seu grau de desenvolvimento e maturidade é quando se organizam espaços coletivos de atividades em conjunto com pais e educadores (Traverso-Yépez, & Pinheiro, 2002). Estes convívios permitem compreender em que medida é que questões como autonomia, dignidade, responsabilidade e autocuidado estão a ser transmitidos de forma correta dos educadores para os educandos (Traverso-Yépez, & Pinheiro, 2002).

Segundo assumem Cergueira-Santos, Paldudo, Schirò e Koller (2010) as pessoas que estão inseridas no ambiente dos adolescentes, permitem-nos compreender de que forma é que os valores, ideologias, crenças, religiões, etc, influenciam no desenvolvimento maturativo dos mesmos.

Este tipo de iniciativa prevê ainda proporcionar aos adolescentes a possibilidade de observar diferentes realidades, o que ajuda a que entrem no seu processo de auto descoberta, autoconceito e reconhecimento das suas habilidades, competências e limitações (Traverso-Yépez, & Pinheiro, 2002).

Conclusão

Pelo que podemos compreender, são muitas, a perder de vista, as formas como se pode analisar a maturidade de um adolescente em vários níveis (cognitivo, emocional, autonomia, entre outros). Algumas experiências da vida levam a que alguns adolescentes adquiram maturidade mais precocemente do que outros, principalmente quando levam à necessidade de se adaptarem a novas posturas, como é o caso de uma gravidez ou de uma obesidade. É por causa destes fatores, entre outros, que programas sobre promoção de saúde e de escolhas racionais e responsáveis, são fundamentais para o desenvolvimento de uma maturidade saudável nesta faixa etária.

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References:

  • Bordão-Alves, D.P., & Melo-Silva, L.L. (2008). Maturidade ou imaturidade na escolha da carreira: uma abordagem psicodinâmica. Maturity ir immaturity in choosing a career: A psychodynamic approach. [em linha]. PEPSIC –periódicos Eletrônicos em Psicologia. pepsic.bvsalud.org/scielo. Avaliação Psicológica. V.7 n.1. Acedido a 30 de maio de 2016 em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-04712008000100005
  • Cataneo, C., Carvalho, A.M.P., & Galindo, E.M.C (2005). Obesidade e Aspectos Psicológicos: Maturidade Emocional, Auto-onceito, Locus de Controle e Ansiedade. [em linha]. SCIELO, scielo.br. Psicologia: Reflexão e Crítica, 18(1). Pp.39-46. Acedido a 30 de maio de 2016 em www.scielo.br/pdf/prc/v18n1/24815.pdf
  • Cerqueira-Santos, E., Paludo, S.S., Schirò, E.D.B.d., & Koller, S.H. (2010). GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA: ANÁLISE CONTEXTUAL DE RISCO E PROTEÇÃO. EARLY PREGNANCY: A CONTEXTUAL ANALYSIS ABOUT RISK AND PROTECTION. GRAVIDEZ E LA ADOLESCENCIA: ANÁLISIS CONTEXUAL DEL RIESGO E PROTECCIÓN. Psicologia em Estudo, v.15, n.1, p.73-85.
  • Traverso, Yépez, M.A., & Pinheiro, V.S. (2002). ADOLESCÊNCIA, SAÚDE E CONTEXTO SOCIAL: ESCLARECENDO PRÁTICAS. [em linha] SCIELO Brasil. scielo.br/scielo. Psicologia & Sociedade; 14(2): 133-147.
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