Jean Piaget

Como pai da psicologia do desenvolvimento, Jean Piaget é um dos nomes mais referenciados quando estudamos o comportamento infantil

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Biografia de Jean Piaget (1896-1980)

Psicólogo, epistemólogo e filósofo de origem suíça nascido em 1896 na cidade de Neuchâtel, Jean Piaget marcou a história da psicologia com as suas investigações sobre as funções cognitivas humanas, nomeadamente a percepção, a inteligência e a lógica, tendo atribuído um papel fundamental à actividade do indivíduo na construção do conhecimento, sendo por isso considerado como o ‘pai’ da psicologia do desenvolvimento. Grande parte dos seus trabalhos foram direccionados para a análise do raciocínio das crianças, tendo chegado à conclusão que elas nascem sem mecanismos lógicos internos e que os vão construindo através da experiência, processo este executado ao longo de diversos estágios de desenvolvimento. Os resultados das suas investigações tiveram também forte influência em outras áreas científicas tais com a pedagogia, a biologia e também a filosofia.

Foi a trabalhar junto de Alfred Binet, um famoso psicólogo infantil, no seu laboratório, em França, que o autor começou a observar que crianças na mesma faixa etária, tinham respostas semelhantes, nos testes, o que lhe permitiu perceber que o pensamento lógico se desenvolve de forma semelhante ao longo do tempo (Portal Educação, 2014).

Ferreira (2009) refere que, de acordo com Jean Piaget, o desenvolvimento cognitivo humano vai desde o nascimento até à idade adulta, atravessando diferentes fases em que o indivíduo vai adquirindo capacidade intelectual para conhecer a realidade.

A autora verificou que a obra de Jean Piaget foi um marco muito grande na história da psicologia do desenvolvimento e da pedagogia, uma vez que o autor interagiu durante uma grande parte da sua carreira junto de crianças, para compreender bem o processo de desenvolvimento do raciocínio das mesmas (Ferreira, 2009).

Esta interação com crianças decorreu durante a observação da mesmas em várias entrevistas, o que lhe permitiu verificar que a relação estabelecida com o meio, influencia diretamente o desenvolvimento das mesmas (Portal Educação, 2014).

Todo este interesse do autor no que concerne ao desenvolvimento cognitivo da criança, deve-se ao fato de que o mesmo nos permite compreender, de forma mais ampla, o comportamento humano, no geral (Ferreira, 2009).

Na mesma linha teórica, ele mostrou que o conhecimento humano é adquirido ao longo do nosso desenvolvimento infantil, por quatro estágios de desenvolvimento que se vão substituindo uns aos outros e que mostram, de forma clara, a diferença entre o raciocínio lógico de uma criança e de um adulto (Portal Educação, 2014).

De acordo com Piaget, estes estágios denominam-se como sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal, que consistem em:

  • Sensório-motor (0 a 24 mees): a inteligência manifesta-se através da percepção do movimento do próprio corpo, o que faz com que a criança só tenha noção da existência daquilo que está no seu ângulo de visão (Ferreira, 2009). Por volta dos 8 a 12 meses, a criança já tem capacidade de representação mental e entre os 18 e os 24 meses começa a desenvolver a linguagem;
  • Pré-operatório (2 a 7 anos): a criança começa a ser capaz de imaginar o objeto que não pode visualizar, enquanto desenvolve a linguagem, estágio este onde começam os jogos simbólicos do faz de conta e que lhe permitem trocar a imagem de um objeto por outro que goste mais, como por exemplo, usar uma escova fazendo de conta que é um microfone (Ferreira, 2009). A criança começa a dar “vida” aos objetos, através de frases como “ a minha boneca está a comer” e a linguagem acontece em forma de monólogo coletivo, isto é, todas as crianças falam ao mesmo tempo, sem fio condutor entre as suas relações (Ferreira, 2009). A capacidade de linguagem é ainda feita de forma egocêntrica, sem preocupação com o interlocutor, embora já haja capacidade de formular respostas ao companheiro (Ferreira, 2009).
  • Operações concretas (7 aos 11/12 anos): o mundo já é realizado de forma lógica e a criança já é capaz de manter uma conversa social, uma vez que aparece o interesse em comunicar com os outros, no período escolar, embora ainda não haja a capacidade para discutir diferentes opiniões, no sentido de chegar a um consenso (Ferreira, 2009).
  • Operações formais (11/12 anos em diante): pensamento hipotético-dedutivo em que chega o topo do desenvolvimento da inteligência em que já é possível estruturar o pensamento segundo um diálogo de partilha de opiniões, no sentido de encontrar uma conclusão (Ferreira, 2009).

(Ferreira, 2009, p.5).

“Para Piaget a inteligência não aparece repentinamente como um mecanismo inteiramente montado e completamente diferente, pelo contrário, ela aparece como uma continuidade de processos interiores, alguns dos quais inatos (processos instintivos, não aprendidos).”

(Ferreira, 2009, p. 6).

De acordo com a teoria dos estágios de desenvolvimento de Piaget, é possível compreender que a criança não raciocina da mesma forma que o adulto, pelo que é necessário, quando abordamos uma criança, sabermos adaptar o discurso à sua faixa etária, uma vez que a sua mente está em processo de desenvolvimento e aquisição contínua de conhecimento (Portal Educação, 2014).

Assim a sua teoria mostra que a inteligência desenvolve-se ao longo da vida do indivíduo através de exercícios e estímulos dados pelo meio, aos quais, o organismo se vai adaptando continuamente (Ferreira, 2009).

A teoria de Jean Piaget mostrou-se uma pedra basilar para o estudo, a observação e a compreensão do desenvolvimento infantil à luz da psicologia e da pedagogia, uma vez que o autor nos mostra como a aquisição de competências e de conhecimento da criança, ao longo de quatro estágios, influencia as suas capacidades cognitivas na vida adulta. É então importante prestarmos atenção às diferentes fases pelas quais as crianças passam, no sentido de perceber melhor a sua relação com o mundo que as rodeia e identificar eventuais sinais no seu comportamento que nos permitam antever o seu modus operandi e a melhor forma de interagir com elas.

Resumo Biográfico

Após a sua primeira paixão pela zoologia, descobre o gosto pela Filosofia através de Bergson e das leituras de Compte, Spencer, Le Dentec e Kant. Não abandonando a zoologia, faz o doutoramento nesta área para de seguida, em Zurique, estudar Psicologia e Psiquiatria com G. E. Lips, Wreschener e Bleuler. Posteriormente, no Laboratório Alfred-Binet em Paris, realiza as suas primeiras investigações na área da genética. Paralelamente frequentou aulas de Lalande e de Brunschvicg, de quem se viria a tornar amigo. A partir das suas investigações e destas aulas faz a sua escolha definitiva, passando a dedicar-se por inteiro à Psicologia Genética.

Após regressar novamente à Suíça, seu país natal, trabalhou no Instituto Jean-Jaques Rousseau afim de estudar sistematicamente a estrutura da inteligência. Em 1923 publica a sua primeira grande obra: “La langage et la pensée chez l’enfant”. Dois anos mais tarde deixa Genebra para ocupar a cátedra de Filosofia em Neuchâtel onde permanece durante quatro anos. Volta então a Genebra onde pouco depois assume o cargo de co-director do Instituto Jean-Jaques Rousseau.

A partir do início da década de 50 e após uma vasta colecção de obras publicadas, Piaget divide o seu tempo entre a Faculdade de Ciências de Genebra e a Sorbonne para em 1995 se tornar director do Centro de Epistemologia Genética de Genebra. Até ao final da sua vida, a obra de Piaget e as suas investigações mantém-se diversificadas e extremamente ricas: conceptualiza os problemas de epistemologia e intensifica as suas pesquisas da psicologia dos comportamentos perceptivos, representativos e mnemónicos.

Principais obras publicadas

  • La langage et la pensée chez l’enfant (1923)
  • La représentation du mond chez l’enfant (1926)
  • La causalité physique chez l’enfant (1927)
  • Le jugement moral chez l’enfant (1932)
  • La naissance de l’intelligence chez l’enfant (1936)
  • La construction du réel chez l’enfant (1937)
  • La genèse du nombre chez l’enfant (1941)
  • Le developpement des quantités physics chez l’enfant (1941)
  • La formation du symbole chez l’enfant (1946)
  • Le developpement de la notion du temps chez l’enfant (1946)
  • Les notions de mouvement et de vitesse chez l’enfant (1946)
  • La psychologie de l’intelligence (1947)
  • La répresentation de l’espace chez l’enfant, com B. Inhelder (1948)
  • Traité de logique. Essai de logistique opératoire (1949)
  • Introduction à l’épistémologie génétique (1950)
  • Essai sur les tranformations des opérations logiques (1952)
  • De la logique de l’enfant à la logique de l’adolescent, com B. Inhelder (1955)
  • La genèse des structures logiques élémentaires, com B. Inhelder (1959)
  • Six études de psychologie (1964)
  • Études sociologiques (1965)
  • Sagesse et illusions de la philosophie (1965)
  • Biologie et connaissance (1967)
  • Logique e connaissance scientiphique (1967)
  • Mémoire et intelligence (1968)
  • Le structuralisme (1968)
  • L’épistémologie génétique (1970)
  • Psychologie et épistémologie (1970)
  • Tendences principales de la recherche dans les sciences sociales et humaines (1970)
  • Problèmes de psychologie génétique (1972)
  • Épistémologie des sciences de l’homme (1972)
  • La prise de conscience (1974)
  • Le comportement, moteur de l’évolution (1976)
  • Théories du langage, théories de l’apprentissage (1976)
  • Psychogenèse et Histoire des Sciences, com Rolando Garcia (1983)
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References:

  • Ferreira, L.C.Q. (2009). PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO: Desenvolvimento Psíquico em Jean Piaget. Lins: SP;
  • Portal da Educação (2014). Jean Piaget: Biografia. [em linha]. Portal da Educação. portaleducacao.com.br. Acedido a 10 de maio de 2016 em http://www.portaleducacao.com.br/psicologia/artigos/53974/jean-piaget-biografia.
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