Fenómeno queer

O fenómeno queer diz respeito ao reconhecimento de grupos minoritários entendidos como “esquisitos” ou “estranhos”.

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Fenómeno queer

O fenómeno queer diz respeito ao reconhecimento de grupos minoritários entendidos como “esquisitos” ou “estranhos”. Este fenómeno abarca uma multiplicidade de realidades acerca da sexualidade e da identidade de género.

Para entendermos melhor o fenómeno queer, o ideal é retrocedermos para as teorias feministas e os estudos relacionados com as populações gay e lésbica (Santos, 2006).

Pelos estudos de Oliveira e Nogueira (2009) podemos observar que ambas as teorias se encontram lado a lado já que, frequentemente, ao estudarmos o feminismo, estudamos também o fenómeno queer. Considera-se ainda que o fenómeno queer pode ser englobado nos estudos relacionados com psicologia crítica, juntando as conexões entre este fenómeno e o feminismo (Borges, 2014).

Tanto o feminismo como o fenómeno queer levaram a debates acerca das diferenças individuais e das teorias construídas em volta das mesmas devido à luta pelo reconhecimento da existência dessas diferenças dos vários pontos de vista como a linguagem, a cultura e as relações de poder (Borges, 2014).

A complementação dos estudos destas duas realidades, deve-se ao facto de, aquilo que as une permite-nos chegar ao estudo daquilo a que chamamos queer (Santos, 2006).

Ambos os estudos se baseiam na sua semelhança em contrariarem a tendência para a normatividade característica das categorias de sexualidade e de género (Santos, 2006).

Assim, os estudos de Borges (2014) evidenciam a reorganização da definição de género através do próprio conceito de queer que rejeita a ideia de unificar o género mas sim introduzir a ideia de identidade sexual construída ao longo da história e que não assume um caráter simplista, baseado em normas e fixo mas sim, adapta-se à realidade de cada pessoa enquanto ser sexual e sexuado.

Desta forma o fenómeno queer acaba por vir desses estudos devido às suas próprias especificidades históricas e às suas ideologias, a partir dos anos 90 (Santos, 2006).

O fenómeno queer tem ainda inerente o facto de não haver nenhum assunto específico que deva ser realçado em relação aos outros uma vez que, caso se opte por fazer isso, haverá informação pertinente que ficará perdida (Santos, 2006).

“a sexualidade humana não é compreensível em termos puramente biológicos [no sentido em que] nunca encontramos um corpo que não seja mediado pelos significados que as culturas lhe atribuem” (Rubin, 1998: 106, cit in Santos, 2006, p.3).

A análise da questão gay e lésbica permite-nos compreender o sexo e a sexualidade dentro de uma diversidade de possibilidades de conhecimento científico, bem como ajudar a promover os direitos destes grupos (Santos, 2006).

Por esses motivos de acordo com Oliveira e Nogueira (2009) o termo queer pretende dar visibilidade aos termos gay e lésbica, no sentido de dar a ambos os conceitos a realidade que lhes é devida a partir da desestabilização das normas estabelecidas que evidenciam a resistência as realidades gay e lésbica, uma vez que se restringem ao conceito dicotómico que é a realidade heterossexual.

Uma das formas de o fazer é atribuindo o conceito de “chapéu” muito presente nos estudos Gay Lésbica Bissexual e Transgénero (LGBT) como forma de caracterizar estes indivíduos (Santos, 2006).

Por outro lado devemos mencionar que os estudos acerca de grupos gay e lésbicas, não são necessariamente estudos queer (Santos, 2006).

A palavra queer pretende, desta forma, designar a luta pela desestabilização de um regime autoritário de poder sobre a sexualidade e o género, como forma de mudar as regras heteronormativas vigentes, a partir da distinção entre normal, isto é, que estatisticamente está definido de determinada forma, e normativo, ou seja, o que é moralmente determinado (Santos, 2006).

Nesse campo e devido à luta pelo reconhecimento queer, as opiniões dividem-se e chegam mesmo a ser contraditórias devido a transição da desfamiliarização acerca do reconhecimento único de identidades fixas (Borges, 2014).

Oliveira e Nogueira (2009) corroboram esta teoria quando confirma que o fenómeno queer pretende contestar a heteronormatividade. Em primeiro lugar o autor define a palavra “queer” a partir do inglês, que significa “estranho” ou “esquisito”, embora seja um termo prejurativo quando associado a homossexuais ou indivíduos trans (Oliveira, & Nogueira, 2009).

Conclusão

Observamos que o fenómeno queer está frequentemente, ligado ao estudo do feminismo devido aos contornos semelhantes. Quando queremos falar desse fenómeno, o mesmo significa “estranho” ou “esquisito” numa tentativa de dar visibilidade a grupos minoritários que sofrem a pressão das regras normativas que detêm maior poder, pela promoção da igualdade da diversidade. Assim, é necessário compreender a sua complexidade e só a partir desta se pode promover o direito ao reconhecimento por parte destes grupos.

 

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References:

  • Borges, Lenise Santana. FEMINISMOS, TEORIA QUEER E PSICOLOGIA CRÍTICA: (RE)CONTANDO HISTORIAS… Psicologia & Sociedade [online] 26(2) [citado 201607-28], 280-289. Disponível em http://www.ufrgs.br/seerpsicsoc/ojs2/index.php/seerpsicsoc/article/view/3749/2394;
  • Oliveira, João Manuel de e Nogueira, Conceição. Introdução: Um lugar feminista queer e o prazer da confusão e fronteiras. Ex aequo [online]: 2009, n.20 [citado 2016-07-28], pp. 9-12. Disponível em http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0874-55602009000200002;
  • Santos, AC. Estudos queer: Identidades, contextos e acção colectiva. Revista Crítica de Ciências Sociais. [online] 76, Dezembro 2006: 3-15. [citado 2016-07-28]. Disponível em ces.uc.pt/rccs/includes/download.php?id=938.
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