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Bullying

Bullying, em que consiste? Quais as consequências e que estratégias de prevenção podemos utilizar?

Com esta revisão da literatura, pretendemos compreender as origens do flagelo do Bullying, para que percebamos quais são as estratégias a utilizar no que concerne à sua prevenção. Queremos saber quais são as características dos agressores e das vítimas, bem como os diferentes tipos de Bullying que existem e a quem podemos recorrer para criar estratégias de prevenção da violência e de promoção da saúde. Pretendemos ainda saber em que medida estão as escolas preparadas para lidar com este tipo de fenómeno anti social.

Palavras-chave: educação; escola; bullying

 Bullying

Conceito de Bullying

“…um aluno está a ser provocado/vitimizado quando ele ou ela está exposto, repetidamente e ao longo do tempo, a acções negativas da parte de uma ou mais pessoas.” (Olweus, 1991, 1993, 1994, citado por Carvalhosa, Lima, & Matos, 2002).

Vários autores consideram que o Bullying provém de uma discrepância de poder entre o agressor e a vítima, manifestando-se fisicamente, através de mordidelas, puxões, beliscões, etc, e psicologicamente, em forma de insultos, provocações, ameaças, etc, ou ainda, exclusão social (Barbosa, & Santos, 2010; Fekkes, Pijpers, & Verloove-Vanhorick, 2005; Freire, & Aires, 2002; Monteiro, 2011).

 Que variáveis têm influência no Bullying?

Primeiramente, Barbosa e Santos (2010) distinguem o agressor e as vítimas, isto é, o primeiro é alguém com problemas emocionais, agressivo e dominador junto dos pares, na escola sem respeito pelas regras, com comportamentos inadequados. O segundo, é alguém, habitualmente, sensível, inteligente e com boas relações familiares (Barbosa, & Santos, 2010).

Para Monteiro (2011) a vítima sofre consequências que podem ir desde as reprovações à fobia escolar, à baixa auto-estima e, em casos extremos, a homicídios/suicídios.

Fekkes, Pijpers e Verloove-Vanhorick (2005) descobriram, nas suas pesquisas, que as vítimas de Bullying apresentam graves problemas de saúde, que precisam de assistência ao nível da saúde porque a maioria delas não desabafa com os professores e quando os professores descobrem e tentam resolver a situação, muitas vezes ela aumenta. A par disso, é preciso intervir junto dos provocadores e de toda a comunidade escolar (pais, professores, educadores e alunos, tanto vítimas como agressores) (Fekkes, Pijpers, & Verloove-Vanhorick, 2005).

De acordo com Carvalhosa, Lima e Matos (2002) o Bullying parece estar relacionado com consumo de tabaco, álcool e droga; relação com os pais e com os pares; sintomas físicos e psicológicos; atitude face à escola; Nível Sócio-Económico (NSE). Freire e Aires (2002) consideram também a família, educação, escola, sociedade e as características pessoais do indivíduo, focando a escola como parte fundamental da prevenção do Bullying devido a ser o espaço onde os indivíduos adquirem mais conhecimentos e aprendizagens.

O que distingue o Bullying dos outros tipos de agressão, é o facto de ser um acto repetitivo (Freire, & Aires, 2002; Monteiro, 2011).

Nos estudos de Carvalhosa, Lima e Matos (2002), verificou-se que os provocadores são habitualmente mais velhos e com mais anos de escolaridade do que as vítimas. Além disso consomem mais droga, tabaco e álcool, exibem mais comportamentos de violência fora da escola, praticam mais exercício físico, tem melhor imagem corporal e apresentam atitudes mais negativas face à escola do que as vítimas (Carvalhosa, Lima, & Matos, 2002).

Quanto ao género, é mais comum ser praticado por rapazes e por indivíduos mais velhos do que por raparigas (Carvalhosa, Lima, & Matos, 2002). Monteiro (2011) foca ainda a influência da internet, a violência familiar, e o envolvimento em grupos disfuncionais, lembrando que o flagelo acontece não só na escola, como fora dela, o que significa que é preciso intervir abrangendo um público alvo maior e mais diversificado.

Na mesma linha teórica Freire e Aires (2002) consideram importante envolver medidas psicopedagógicas mais de prevenção do que de punição, tendo em conta as variáveis sociais, psicológica e NSE para enfrentar o problema.

A American Psychological Association (APA) (2004) integra a prevenção do Bullying em todos os tipos de prevenção da violência, de acordo com as directrizes das escolas, estados e associações psicológicas, divulgando a informação Anti Bullying que permita sensibilizar toda a comunidade escolar.

Monteiro (2011), por sua vez, defende a necessidade de a escola preparar os alunos para o amanhã, ensinando a importância de saber viver em cidadania, ou seja, a respeitar as diferenças individuais e pessoais que tantas vezes estão na base das agressões.

O papel dos profissionais, no que concerne à prevenção do Bullying

É indispensável a intervenção do Psicólogo Escolar para evitar o fenómeno interagindo no quotidiano dos alunos, no sentido da prevenção da violência e promoção dos comportamentos saudáveis, promover reflexões entre os estudantes que visem consciencializar para os actos de violência (Freire, & Aires, 2002).

Pegando nos estudos de Monteiro (2011) é fundamental que o psicólogo escolar consiga encontrar meios de diagnóstico que permitam intervir adequadamente em relação a este flagelo.

Alguns autores propõem que o psicólogo seja mediador entre todos os intervenientes da comunidade escolar no sentido de desenvolver estratégias preventivas em relação a comportamentos anti-sociais e agressivos (Fekkes, Pijpers, & Verloove-Vanhorick, 2005; Freire, & Aires, 2002; Monteiro, 2011).

O psicólogo terá como funções a avaliação, análise, reflexão e estimulação da reflexão dos alunos sobre as interacções e conflitos existentes no contexto escolar, no sentido de compreender a origem dos conflitos e criar estratégias de prevenção para os mesmos (Freire, & Aires, 2002). Para que isto seja possível, é importante que os alunos se envolvam na prevenção Anti-Bullying e que compreendam que é um fenómeno inaceitável, criando neles a capacidade de fazer com que pare e denunciar situações de bullying (Fekkes, Pijpers, & Verloove-Vanhorick, 2005).

Além dos alunos, é necessário que os pais colaborem com organizações apropriadas como por exemplo, os Centros Regionais de Saúde, que possuem estruturas especializadas no Bullying dirigidos a toda a comunidade escolar (Fekkes, Pijpers, & Verloove-Vanhorick, 2005).

Monteiro (2011) diz que o psicólogo deve implementar projectos de aconselhamento, sensibilização, orientação e formação de alunos e restante comunidade escolar, com uma equipa multidisciplinar que faça atendimento psicopedagógico ao nível de temas como a droga, a violência e a educação sexual.

Segundo Fekkes, Pijpers e Verloove-Vanhorick (2005) a importância da implementação de projectos de sensibilização Anti-Bullying, deve-se ao facto de os professores não lidarem, realmente, da forma mais adequada com o flagelo, o que significa a necessidade imperativa de as escolas trabalharem na sua prevenção no âmbito da promoção de saúde escolar.

Em conclusão, podemos compreender que o Bullying se trata de um tipo de comportamento agressivo que pode ser físico ou psicológico caracterizado por ser repetitivo, começando sempre da parte do agressor para com a vítima. Habitualmente os agressores são pessoas com problemas emocionais, familiares e historial de consumo de drogas e álcool, bem como, mais velhos e com mais experiência do que as vítimas. Estas, por sua vez, parecem ser bem relacionadas no contexto familiar, mas, devido ao flagelo de que são vítimas, sofrem consequências como fobia escolar, baixo aproveitamento e até mesmo suicídio/homicídio, em casos mais graves. No que concerne à escola, concluímos a necessidade urgente de criação de estratégias de prevenção da violência e promoção da saúde, bem como de intervenção especializada por parte dos psicólogos junto de toda a comunidade escolar, sendo necessária a colaboração de uma equipa multidisciplinar (pais, professores, funcionários, psicólogos e alunos).

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References:

  • American Psychology Association (2004). APA Resolution Bullying Among Children and Youth. (5ª ed.). American Psychoogy Association (APA);
  • Barbosa, E.F.P., & Santos, F.A.C.P. (2010). Bullying – Modelo Intervenção. [Em linha]. PSICOLOGIA.PT, O PORTAL DOS PSICÓLOGOS. Disponível em http://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0182.pdf
  • Cavalhosa, S.F., Lima.L., & Matos, M.G (2002). Bullying – A provocação/vitimação entre pares no contexto escolar português. Revista Análise Psicológica, 571-585. Acedida 5 de Novembro, 2015 em http://publicacoes.ispa.pt/publicacoes/index.php/ap/article/view/21/pdf
  • Fekkes, M., Pijpers, F.I.M, & Verloove-Vanhorick, S.P. (2005). Bullying: who does what, when and where? Involvement of children, teachers and parents in bullying behavior. Journal of HEALTH EDUCATION RESEARCH. Theory & Practice. Disponível em http://her.oxfordjournals.org/content/20/1/81.full.pdf+html
  • Freire, A.N., & Aires, J.S. (2012). A contribuição da psicologia escolar na prevenção e no enfrentamento do Bullying. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, SP, 55-60. Acedida 5 de Novembro de 2015 em http://www.scielo.br/pdf/pee/v16n1/06.pdf
  • Monteiro, C.A.R. (2011). A Actuação do Psicólogo Escolar face à Problemática do Bullying em Contexto Escolar: Estudo nas escolas públicas. Monografia, Universidade Jean Piaget Palmarejo Grande Cidade da Praia, Santiago Cabo Verde

 

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