Alcoolismo na infância

Falamos de alcoolismo na infância quando nos referimos ao consumo da substância, de forma descontrolada, por crianças e adolescentes.

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Alcoolismo na infância

Falamos de alcoolismo na infância quando nos referimos ao consumo da substância, de forma descontrolada, por crianças e adolescentes. Verifica-se que afeta diferentes áreas da vida do indivíduo e que tem, habitualmente, um histórico bastante prolongado e  complexo.

De acordo com as pesquisas de alguns autores como Silva, Padilha e Araújo (2014) habitualmente, o alcoolismo na infância começa por vivências experimentadas bem de perto, junto das figuras de referência, também elas alcoólicas.

Tal como outros tipos de drogas lícitas ou ilícitas, o álcool está perfeitamente inserido no quotidiano de crianças e adolescentes chegando mesmo a verifica-se uma grande percentagem de indivíduos com menos de trinta anos, já com problemas associados ao consumo (Silva, Padilha, & Araújo, 2014).

Em algumas culturas, a ingestão de álcool na infância, não só está enraizada e normalizada como é perfeitamente aceite, mesmo que, em alguns casos, de forma controlada e vigiada pelos familiares mais próximos (Fonseca, 2010). A maior preocupação é o facto de estar cada vez mais inserido em indivíduos menores de idade (Silva, Padilha, & Araújo, 2014).

Principalmente nesta faixa etária da população, é onde se verificam maiores índices de problemas de memória, diminuição das capacidades cognitivas, dificuldades de concentração, problemas de fígado, problemas cardiovasculares, entre outros, todos eles associados a elevados consumos de álcool (Fonseca, 2010).

Não podemos deixar de referir que uma das grandes problemáticas é a multidisciplinaridade de meios afetados pelo dilema causado pelo álcool, tais como o meio social envolvente, os danos físicos e morais e a forma como todos os componentes são afetados tanto nas famílias como na comunidade enquanto todo (Silva, Padilha, & Araújo, 2014). No que diz respeito à multidisciplinaridade de áreas afetadas, outras pesquisas focam a relação entre o álcool e o insucesso escolar, isto é, se algumas teorias defendem que o insucesso escolar seria uma consequência do consumo abusivo de álcool, outras defendem que a relação é exatamente inversa, ou seja, o insucesso escolar leva, grande parte das vezes ao álcool (Fonseca, 2010). Existem ainda estudos paralelos que defendem a relação similar entre ambas as variáveis (Fonseca, 2010). Não obstante, todas elas concluem o mesmo denominador comum que defende a relação exata entre o fraco desempenho escolar e o consumo de álcool (Fonseca, 2010).

De acordo com os estudos de Fonseca (2010) o problema do álcool na infância, é, principalmente, devido à fase de desenvolvimento, uma vez que os indivíduos ainda se encontram em fase de desenvolvimento tanto físico, como neuropsicológico e social.

É ainda na infância, que a introdução começa pelo facto de ser o pai ou a mãe, o principal portador da problemática, ou seja, a criança cresce num meio onde o abuso de álcool já está enraizado, o que acaba por se tornar numa aceitação intrínseca e normalizada da doença (Silva, Padilha, & Araújo, 2014).

“… o comportamento do pai reflete a aceitação do consumo abusivo das bebidas alcoólicas como uma prática normal.” (Silva, Padilha, & Araújo, 2014, p. 60).

Estas práticas fazem, não só com que se torne num comportamento de risco e de dependência nos filhos, como também leva à permissividade e rotina do consumo por parte da criança e do adolescente como algo natural (Silva, Padilha, & Araújo, 2014).

A situação alastra-se e agrava-se a partir do momento em que o jovem começa a sentir a necessidade de consumir bebidas alcoólicas como a forma mais fácil de lidar com a sua vida (Silva, Padilha, & Araújo, 2014). Para além disso, um dos pontos fulcrais da doença é o comprometimento do processo de identidade pelo qual a criança ainda está a passar, ou seja, ainda está em fase de construção e que fica seriamente afetado (Fonseca, 2010).

Conclusão

O alcoolismo na infância parece ser um flagelo muito mais complexo do que seria de esperar pelo facto de se tratar de uma droga lícita, enraizada e culturalmente aceite. Em famílias onde predomina o abuso de substâncias alcoolizadas, reina a naturalidade com que a criança já cresce considerando normal este abuso, pelo que se torna bastante fácil adesão ao consumo. Por esse motivo podemos dizer que acaba por se tornar um círculo vicioso que se torna num problema de saúde pública, já que afeta uma multidisciplinaridade de áreas da vida tais como a familiar, a social e a escolar.

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References:

  • Fonseca, A.C. (2010). Consumo de álcool e seus efeitos no desempenho escolar. Revista portuguesa de pedagogia. Ano 44-1, 2010, 259-279. Recuperado em 30 de outubro de 2010 de http://impactum-journals.uc.pt/rppedagogia/article/view/1279/727
  • Silva, S.E.D., Padilha, M.I., & Araujo, J.S. (2014). A INTERAÇÃO DO ADOLESCENTE COM O FAMILIAR ALCOOLISTA E SUA INFLU^NCIA PARA ADICÇÃO DO ALCOOLISMO. INTERACTION OF THE TEEN WITH THE ALCOHOLIC RELATIVE AD ITS INFLUENCE FOR ALCOHOLIC ADDICTION. INTERACCIÓN DEL ADOLESCENTE CON EL FAMILIAR ALCOHOLICO Y SU INFLUENCIA PARA LA ADICCIÓN AL ALCOHOLISMO. Revista de Enfermagem UFPE on line., Recife, 8(1):59-69, jan., 2014
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