Abandono de idosos

O abandono de idosos refere-se à ausência de cuidados por parte das famílias para lhes prestar os devidos cuidados necessários

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Abandono de idosos

O abandono de idosos refere-se à ausência de cuidados por parte das famílias para lhes prestar os cuidados necessários. Estas circunstancias podem acontecer por diversos motivos que podem ou não ser legítimos.

O abandono de idosos está relacionado com diversas questões tais como falta de recursos por parte das famílias para os recolher ou mesmo falta de respeito para com os mesmos, colocando-os em instituições de acolhimento (Pestana, & Santo, 2008).

Já os estudos de Freitas e Noronha (2010) referem, precisamente, a ideia de abandono, no que concerne aos idosos que vivem em instituições, uma vez que, quase sempre, a institucionalização é associada ao fenómeno em questão.

Estes estudos corroboram as pesquisas realizadas acerca da falta de recursos das famílias para acolher os idosos, quando, em muitos casos se verifica que as mesmas não têm a estabilidade necessária para os acolher, principalmente devido a dificuldades monetárias e em situações cuja permanência do idoso junto dos familiares acaba por perturbar toda a dinâmica da família (Freitas, & Noronha, 2010).

“A solidão, o desprezo e o abandono são os primeiros pensamentos para justificar o porquê de uma pessoa idosa viver nessas instituições.”

(Freitas, & Noronha, 2010, p.2).

Muitas vezes estas situações acontecem porque a própria dinâmica familiar, sendo débil, não tem a capacidade para cuidar do idoso e fecha-lhe as portas, por se caracterizar, cada vez mais, pelo individualismo (Pestana, & Santo, 2008).

Assim, o fato de ser idoso aliado ao fato de não ter qualquer tipo de relacionamento familiar, traduz-se em ausência de cuidados, isto é, de alguém que se responsabilize pela prestação de necessidades humanas básicas como a alimentação e a higiene (Freitas, & Noronha, 2010).

No entanto, é importante referir que os estudos de Pestana e Santo (2008) também afirmam que as mulheres abandonadas pelos familiares em instituições, adotam posturas mais conformadas com a situação do que os homens, chegando mesmo a considerar o seu estilo de vida harmonioso e tranquilo, ao passo que os homens não acreditam que algum dia se habituarão. Em função deste tipo de raciocínio verificamos que as mulheres nesta situação consideram que a saúde está associada à independência e à capacidade de raciocinar, enquanto que os homens associam a saúde apenas à ausência de doença (Pestana, & Santo, 2008).

Frequentemente, de acordo com as pesquisas dos autores, os idosos abandonados em instituições sofrem devido à ausência de contato com as suas famílias, o que se reflete na motivação ou ausência dela para cuidar da sua saúde física, já que a mobilidade social está debilitada (Pestana, & Santo, 2008).

O fato de a instituição ter, normalmente, o rótulo de local de “depósito de idosos” enfatiza, ainda mais, esta ideia do corte com os laços familiares, o que aumenta a sensação de abandono para estas populações (Freitas, & Noronha, 2010).

O fenómeno do abandono, nestes casos, leva a que os idosos mais do que se preocuparem com a sua saúde, se preocupem, primordialmente, com a sensação de solidão inerente ao fato de não terem contato com as suas famílias (Pestana, & Santo, 2007).

Além da sensação de abandono por parte das famílias, muitos idosos colocados em instituições, nem sempre vivem com as melhores condições, seja no que diz respeito às infra-estruturas ou no que diz respeito aos cuidados prestados no que concerne aos recursos humanos (Pestana, & Santo, 2008).

Contudo, não podemos generalizar a questão das condições institucionais, uma vez que, nem em todos os casos os idosos que vivem nestes locais, foram realmente desamparados pelas suas famílias, mas, pelo contrário, eles mesmos preferem viver nas instituições por diversos motivos, tais como a viuvez, a ausência de filhos, a busca da independência, entre outros (Freitas, & Noronha, 2010).

Nos casos de verdadeiro abandono a situação destes idosos acaba por se traduzir em desmotivação geral, ausência de esperança em voltar para a família e de expetativas, além de se verem subjugados a conviver com outras pessoas, nem sempre idosos mas com algum tipo de limitação mental, psiquiátrica ou alcoólica, o que aumenta o seu desconforto (Pestana, & Santo, 2008).

Conclusão

Verifica-se que o abandono de idosos está, em grande parte dos casos, associado à institucionalização, uma vez que os mesmos são, realmente, largados nas instituições, pelas suas famílias. Estes idosos experimentam a sensação de solidão, isolamento e corte no que respeita às famílias que, umas vezes por ausência de recursos, outras por incapacidade para cuidar dos mesmos, não procuram assegurar o seu bem-estar.

No entanto não podemos deixar de mencionar que, embora as condições institucionais sejam, por vezes, bastante percárias, há casos em que os próprios idosos escolhem a institucionalização por uma questão de maior conforto para eles.

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References:

  • Freitas, A.V.S., & Noronha, C.V. Idosos em instituições de longa permanência: falando de cuidado. Interface (Botucatu) [online]. 2010, vol.14, n.33 [cited 2016-07-02], pp.359-369. Disponível em http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S1414-32832010000200010&script=sci_abstract&tlng=es;
  • Pestana, L.C., & Santo, F.H.E. As engrenagens da saúde na terceira idade: um estudo com idosos asilados. Health in old age: a study with institutionlized elderly. Los engrenajes de la salud en la tercera edad: un studio com ancianos asilados. Rev Esc Enferm 2008; 42(2): 268-75.
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