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Abandono de crianças

O abandono de crianças acontece, principalmente sob a forma de internamento das mesmas em instituições de abrigo.

Children of an eastern suburb of London, who have been made homeless by the random bombs of the Nazi night raiders, waiting outside the wreckage of what was their home.  September 1940.   New Times Paris Bureau Collection.  (USIA)
Exact Date Shot Unknown
NARA FILE #:  306-NT-3163V
WAR & CONFLICT BOOK #:  1009

Abandono de crianças

O abandono de crianças acontece, principalmente, sob a forma de internamento das mesmas em instituições de abrigo. Este estilo de vida a que as crianças ficam sujeitas, acaba por trazer consequências que podem dificultar o seu desenvolvimento normal.

De acordo com Weber (2000), só muito recentemente é que os dados históricos conferem à criança o estatuto próprio com direitos e não um adulto imperfeito.

Orionte e Souza (2005) debruçaram-se sobre a questão do abandono de crianças, do ponto de vista das próprias crianças, quando são institucionalizadas, no sentido de compreender a percepção das mesmas acerca da sua situação.

Weber (2000) refere o caso do Brasil em que muitas crianças institucionalizadas são abandonadas em locais públicos, mesmo havendo no país, um Estatuto da Criança e do Adolescente.

Verifica-se que, em vários casos, a institucionalização de crianças acontece devido à falta de condições das suas famílias que não têm como as criar, no entanto, para muitos autores, elas estão abandonadas, com a diferença que os pais ainda têm o poder tutelar sobre elas, o que impede um eventual processo de adoção (Orionte, & Souza, 2005, Weber, 2001).

Por outro lado, mesmo quando as crianças são oficialmente abandonadas pelos pais, os processos de adoção são extremamente longos e morosos, o que torna o abandono duplo por uma questão de adoção impedida (Orionte, & Souza, 2005).

Em estudos levados a cabo por Weber e Kossobudzki (1998, cit in Orionte, & Souza, 2005) verificou-se que, na maioria dos casos das crianças institucionalizadas, uma vez deixadas aos cuidados das instituições, estas crianças nunca chegam a ser visitadas pelas suas famílias, ficando sob custódia das autoridades competentes.

Em grande parte das instituições, as crianças ficam ao abandono porque, devido à falta de preparo dos técnicos, profissionais e auxiliares, as necessidades afetivas destas crianças ficam em segundo plano, uma vez que estão aos cuidados de pessoas que, além de não terem a devida formação ao nível intelectual e emocional, são mal remunerados (Orionte, & Souza, 2005). Todas estas limitações traduzem-se em desmotivação, ausência de criatividade para procurar implementar estratégias que promovam a superação destas crianças no que diz respeito à internação e ao seu desenvolvimento físico e psicológico (Orionte, & Souza, 2005).

Contudo, verifica-se que estas falhas, por parte das instituições, vêm de tempos antigos em que as mesmas serviam mais para responder a interesses sociais do que para proteger as crianças, tirando-lhes o direito a conviver em sociedade (Weber, 2000).

Corroborando estas teorias vários autores analisam a internação das crianças e instituições como abandono que acarreta consequências em várias dimensões tais como a desigualdade social, a justiça e o sofrimento (Orionte, & Souza, 2005).

A história de vida destas crianças é diversa, como são exemplos o abuso sexual, pais alcoólicos e/ou toxicodependentes, abandono antes da entrada nas instituições, maus tratos, entre outros (Orionte, & Souza, 2005).

Uma das características mais comuns das crianças abandonadas e que elas parecem ser invisíveis aos olhos da sociedade nos diferentes contextos (família, escola, instituição) (Orionte, & Souza, 2005).

Além disso, Rizzini (2001, cit in Orionte, & Souza, 2005), Sousa e Peres (2002, cit in Oriontes, & Peres, 2005) e Weber (2000) consideram a família como a instituição mais importante para o desenvolvimento de uma criança, mesmo que não seja uma família funcional. Contudo, o que faz com que haja necessidade de viver numa instituição, é o fato de a família não ter ambiente que responda às necessidades básicas de afeto, cuidados, etc, de que uma criança precisa (Orionte, & Souza, 2005).

No que concerne a cuidados básicos do foro da alimentação, higiene, saúde e educação, a instituição atende estas crianças, contudo, falha ao nível do afeto que é onde elas se sentem abandonadas (Orionte, & Souza, 2005).

Os estudos de Orionte e Souza (2005) apontam, neste sentido, para o fato de o abandono se relacionar com questões afetivas, uma vez que a criança é tratada não como pessoa mas como coisa, que deve submeter-se ao poder do adulto.

“Cada criança pesquisada expressa, na dimensão da invisibilidade, o abandono vivido.” (Orionte, & Souza, 2005, p. 9).

O que acontece na maioria dos casos é que, para combater a invisibilidade, acabam por enveredar por comportamentos desviantes, para que a sua insatisfação mereça a atenção de que precisam (Orionte, & Souza, 2005).

Conclusão

Verifica-se que, na maioria dos casos, as crianças abandonadas acabam em instituições de internamento, onde lhes são dados todos os cuidados básicos como alimentação, saúde, higiene e educação, mas nenhum cuidado no plano afetivo. Estas crianças são, geralmente, oriundas de famílias com vidas precárias, no limiar da pobreza, que não reúnem condições para as criar. Por outro lado, os técnicos existentes nessas instituições também não recebem a devida formação para dar toda a assistência necessária a estas crianças, pelo que seria importante a promoção de programas que visem colmatar estas falhas.

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References:

  • Orionte, I., & Souza, S.M.G. (2005). O significado do abandono para crianças institucionalizadas. The meaning of abandonment for children in institutions. [em linha] PEPSIC Periódicos Eletrônicos em Psicologia, pepsic.vsalud.org/scielo. Psicologia em Revista, v.11 n.17, p.29-46. Acedido a 20 de junho de 2016 em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-11682005000100003;
  • Weber, L.N.D. (2000). OS FILHOS DE NINGUÉM. ABANDONO E INSTITUCIONALIZAÇÃO DE CRIANÇAS NO BRASIL. Revista CONJUNTURA SOCIAL (Rio de Janeiro), julho 2000, No.4, p.30-36.
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