Governo Sombra

O Governo Sombra é um programa semanal de comentário político que utiliza a sátira e a ironia para comentar as principais notícias da semana.

Governo Sombra: Um programa de rádio e televisão

 

Governo Sombra na TSF e na TVI 24

O Governo Sombra é um programa semanal de comentário político, emitido em simultâneo na rádio e na televisão, na estação TSF e no canal TVI24. O painel de comentadores é constituído por Ricardo Araújo Pereira, João Miguel Tavares e Pedro Mexia, com moderação a cargo de Carlos Vaz Marques.

Os intervenientes do programa são os mesmos desde a primeira emissão na TSF, em 2008, quando o Governo Sombra era, ainda, um programa exclusivamente radiofónico. A estreia na televisão aconteceu no dia 23 de setembro de 2012, na TVI24, fruto de uma parceria multiplataforma entre os dois órgãos de comunicação social.

O programa distingue-se essencialmente pela linguagem satírica e pelo teor humorístico que confere à análise política da semana. O Governo Sombra tem momentos sérios e momentos lúdicos, temas controversos e temas onde a crítica é realizada em tom de brincadeira. São estas as características linguística e de postura que fazem do Governo Sombra um programa único em Portugal. Contribui para essa singularidade o facto de todos os seus intervenientes serem independentes a nível político.

A estrutura do Governo Sombra

 

O Governo Sombra possui três segmentos diferentes onde entram os temas em discussão: “Pastas Ministeriais”; “Estados de Espírito” e “Decreto-Lei”. Para além destes três separadores, o moderador apresenta um tema central e transversal a todo o programa. No alinhamento padrão, são as “Pastas Ministeriais” as primeiras a serem apresentadas. Nessa altura, João Miguel Tavares, Pedro Mexia e Ricardo Araújo Pereira, escolhem uma pasta ministerial ficcional para, com isso, apresentar um tema ou notícia que esteja na ordem do dia. O limite dos ministérios escolhidos é apenas a criatividade de cada um e são, normalmente, assinalados, à semelhança de todos os segmentos, com ironia e sátira.

Logo de seguida, o separador dos “Estados de Espírito” é a oportunidade para cada um dos intervenientes do programa, sempre com exceção do moderador, elaborar uma frase ou palavra que defina o seu estado de espírito sobre uma temática marcante da semana. Com esse ponto de partida, todos comentam a notícia ou situação escolhida pelos colegas de painel. O papel do moderador é introduzir perguntas relacionadas com os tópicos que auxiliem no desenvolvimento da discussão. É visível, nas perguntas de Carlos Vaz Marques, ou na introdução esporádica de elementos multimédia para apresentar os temas, que existe um guião previamente estruturado e que os temas introduzidos são antecipadamente eleitos com o conhecimento de todos os intervenientes participantes do Governo Sombra.

Posteriormente, chega o momento em que é introduzido o tema central, lançado pelo moderador e desenvolvido através de perguntas gerais aos três participantes. A temática é, por norma, central na atualidade política ou, pelo menos, possui ligações próximas à situação política e social do país.

Por fim, surge o segmento do “Decreto-Lei”. É o separador mais curto, onde, parodiando o ato legislativo de um Governo, se decreta e se discutem leis. É um espaço onde a ironia e a sátira também estão, quase sempre, presentes nos próprios nomes das leis atribuídos por João Miguel Tavares, Pedro Mexia e Ricardo Araújo Pereira. Tudo se resume a um pequeno apontamento, com uma temática, por norma, mais leve do que as restantes e que serve de mote para o encerramento de mais um episódio.

Os intervenientes

 

  • Ricardo Araújo Pereira: é um dos mais aclamados humoristas portugueses que conjuga uma forte popularidade humorística, a um perfil de opinion maker político e desportivo. Nasceu em Lisboa, em 1974, é licenciado em Comunicação Social, pela Universidade Católica e foi jornalista no Jornal de Letras. Em 1998, tornou-se guionista nas Produções Fictícias onde foi coautor de programas como Herman 98, Herman 99, Herman SIC e O Programa da Maria. Mas foi em 2003 que, juntamente com José Diogo Quintela, Miguel Góis e Tiago Dores, formou o grupo humorístico Gato Fedorento, um dos mais reconhecidos nomes da comédia nacional. O seu posicionamento político é conhecido na esfera pública, sendo as ideologias conotadas à Esquerda aqueles com que mais se identifica e que mais defende em debates públicos, facto que não é exceção o Governo Sombra.
  • Pedro Mexia: é um escritor, cronista e critico literário muito difícil de situar ideologicamente, apresentando, normalmente, posições conotadas com um certo conservadorismo, em que se destaca o seu ceticismo, relativamente às ideologias do progresso. Nasceu em Lisboa, em 1972, licenciou-se em Direito, pela Universidade Católica, mas nunca exerceu. Na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, realizou o mestrado em Estudos Americanos. Entre 1998 e 2007, fez crítica literária no Diário de Notícias. Também até 2007, assinou um espaço de crónicas no Público. Posteriormente continuou a fazê-lo, mas no jornal Expresso. É membro do programa Governo Sombra desde o seu início, no entanto, também foi, por pouco tempo, interveniente no Eixo do Mal, da SIC Notícias, muitas vezes apontado como o concorrente direto, em termos de audiências, temáticas e formato. Tem seis livros de poesia publicados: Duplo Império (1999); Em Memória (2000); Avalanche (2001); Eliot e Outras Observações (2003); Vida Oculta (2004) e Senhor Fantasma (2007).
  • João Miguel Tavares: nasceu em Portalegre, em 1973, é o único elemento do Governo Sombra que não é natural da área metropolitana de Lisboa. Após uma passagem pela licenciatura de Engenharia Química, no Instituto Superior Técnico, acabou por licenciar-se em Ciências da Comunicação na FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Iniciou a carreira profissional no Diário de Notícias, onde esteve até 2007. Nesse mesmo ano, fundou a revista Time Out Lisboa, mantendo-se em funções de diretor-adjunto até 2013. No entanto, é como cronista que João Miguel Tavares é mais conhecido no jornalismo. João Miguel Tavares faz parte do painel do Governo Sombra desde o início e, à semelhança dos seus colegas, também tem livros publicados, quatro, sendo três deles livros infantis e, outro, de crónicas familiares: Os Homens Precisam de Mimo (2011); A Crise Explicada às Crianças (2012); Uma Baleia no Quarto (2012) e O Pai Mais Horrível do Mundo (2013). João Miguel Tavares é, acima de tudo, tal como os restantes intervenientes, um democrata e defensor da liberdade de expressão.
  • Carlos Vaz Marques: é o moderador do Governo Sombra e, de todos os elementos do programa, é aquele que tem uma carreira mais extensa e consagrada no jornalismo. Tudo começou em 1987, na redação do Jornal de Letras, Artes e Ideias, tendo passado, também, pelo, já extinto, semanário O Jornal. Está na TSF desde 1990, e, nesse órgão de comunicação, já desempenhou várias funções e participou em múltiplos conteúdos programáticos. Para além do Governo Sombra, Carlos Vaz Marques conduz, desde 2001, também na TSF, o programa Pessoal e…Transmissível, onde já entrevistou largas centenas de personalidades, incluindo nomes como Xanana Gusmão, Dalai Lama e José Saramago. Em termos académicos, frequentou a licenciatura de Línguas e Literaturas Modernas, variante de Português/Francês, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É diretor da edição portuguesa da revista Granta, uma revista literária de referência mundial, coordena a coleção de Literatura e Viagens, das edições Tinta-da-China.
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References:

Pardal, Filipe (2015) A Sátira Política na Televisão: o caso do “Governo Sombra” Lisboa:      Escola Superior de Comunicação Social. Disponível em: https://repositorio.ipl.pt/handle/10400.21/5615

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