Gatekeeping

Gatekeeping é uma noção jornalística que disserta sobre o que é ou não alvo de notícia e que processos levam ao filtro das informações

O que é o Gatekeeping?

A noção de gatekeeper (porteiro ou guardião de entrada de notícias) surge num artigo de David Manning White, em 1950, que propõe essa metáfora para explicar a seleção de notícias, ou seja as informações que ele deixa passar e publica e aqueles que ele exclui e, quanto muito, guarda para si para possível uso futuro, mediante o desenrolar de outras ações. Porém, para White a noção de gatekeeping (ainda não definida, meramente elaborada na sua total conceção) baseava-se muito na subjetividade do jornalista.

Posteriormente, em 1956, Walter Gieber desenvolveu essa mesma noção, considerando que o espaço disponível, mais exatamente o número de notícias, são essencialmente a principal condicionante para o que chega a ser noticiado e o que não o é, mantendo na mesma a subjetividade jornalística como principal fonte de filtragem.

Só em 1957, a moção de gatekeeping foi definida, com Westley e MacLean que demonstraram que o gatekeeping é essencialmente um fenómeno organizacional, regulado por um critério de noticiabilidade, baseado naquilo que os jornalistas acreditam ser do interesse do público.

Essa ideia foi mais tarde desenvolvida por Galtung e Ruge, em 1965, que definiram critérios de noticibilidade ou de valor-notícia que, como se poderá ver mais à frente, têm uma vertente muito virada para o leitor e, por inerência, à venda.

Critérios de valor notícia

  • Momento e frequência do acontecimento – Considera-se neste ponto que quanto mais recente a informação, ou acontecimento, maior interesse terá. Por outro lado, se for um acontecimento muito frequente, este deixará de ser interessante.
  • Clareza – Embora alguns acontecimentos duvidosos possam levar a diversas análises, que poderão ser alvo de uma análise jornalística, a clareza sobre um acontecimento, o facto de não existirem dúvidas, tem mais hipóteses de ser notícia.
  • Proximidade – Embora os acontecimentos mundiais sejam atrativos para os mais curiosos, a realidade é que quanto mais próximo, em termos geográficos, culturais, linguísticos e afetivos, mais facilmente mais atrair leitores.
  • Proeminência social das pessoas envolvidas – Quanto mais importante for a pessoa em causa, o acontecimento ou informação será mais relevante e, por isso, mais facilmente noticioso. Isso pode ser verificado hoje em dia no caso das revistas cor-de-rosa que retratam essencialmente pormenores da vida íntima dos famosos.
  • Proeminência da nações envolvidas – Embora toda a gente goste da história do David contra Golias, a realidade é que quanto mais poderosa ou importante for uma nação mundialmente, mais rapidamente será alvo de notícia um acontecimento desse país. Isso acaba por ser transporto na maioria dos países para o caso de região para região.
  • Desenvolvimento de assuntos anteriores – Certos acontecimentos já noticiados podem ser desenvolvidos com fontes, informações novas, que serão de interesse público, uma vez que poderão trazer uma nova perspetiva a um assunto considerado, de antemão, interessante e relevante.
  • Inesperado – Tudo aquilo que acontece e não se está à espera é mais relevante. A escassez e a surpresa são atrativas.
  • Personificação – Um determinado assunto tem mais probabilidade de ser noticiado se contiver relatos pessoais. As pessoas conectam-se mais com situações vividas e descritas na primeira pessoa. Caso disso, são as reportagens em primeira mão de um certo acontecimento com relatos dos envolvidos.
  • Negatividade – Não sendo surpreendente, embora possivelmente anti-ético, as “más notícias” são “boas notícias”, porque as pessoas gostam do horror e desastre alheio.

Assim sendo, se um acontecimento ou informação tiver vários destes fatores ou um deles de forma muito forte, mais depressa se tornará notícia, sendo que se priveligia o insólito, o extraordinário, as transgressões, guerras, tragédias e mortes, bem como a atualidade e a referência a pessoas consideradas de elite (políticos, empresários de renome, jogadores de futebol, futebol americano, ténis, basquetebol, etc., artista – atores ou músicos e modelos)

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References:

SOUSA, J. P. (2006), Elementos de Teoria e Pesquisa de Comunicação e Media. Porto: Universidade Fernando Pessoa

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