Sartre, Jean-Paul

Jean-Paul Sartre foi um filósofo, dramaturgo, crítico literário, activista político e romancista francês nascido em 1905 e é (juntamente com Martin Heidegger, de quem foi discípulo) geralmente considerado como um dos expoentes máximos do existencialismo e um dos intelectuais mais influentes do século XX. Nasce numa família privilegiada francesa e tem uma infância protegida, por si descrita no livro «As Palavras», editado em 1964. Completou a agregação de Filosofia na prestigiada École Normale Supérieure em 1º lugar, à frente da sua companheira Simone de Beauvoir, embora apenas na segunda tentativa. Foi professor de liceu em Paris, Le Havre, local do seu primeiro romance «A Náusea», e em Berlim no Instituto Francês, onde sucede a Raymond Aron e conhece os expoentes da fenomenologia alemã, como Husserl e Heidegger.

Primeiras obras

Durante a IIª Guerra Mundial, trabalha como meteorologista na Alsácia e integra a resistência francesa. Nesse período publica «A Náusea», um livro altamente biográfico, que decorre numa cidade fícticia semelhante a Le Havre, e relata a vida de Antoine Roquetin. É uns dos modelos do romance filosófico, prática comum também a Simone de Beauvoir. «A Náusea» contem já muitos dos temas que constituiriam alvo de reflexão na sua grande obra, «O Ser e o Nada», uma referência explícita à obra de Heidegger – «O Ser e o Tempo». No livro, publicado em 1943, Sartre explicita o que é o existencialismo na sua concepção. Nele, Sartre explicita que o “Ser” não é um conceito metafísico, mas sim algo que acompanha toda a existência e fenómenos – daí o subtítulo do livro “Uma ontologia fenomenológica”. Posteriormente surge com o líder intelectual da esquerda francesa, ao lado da sua companheira Simone de Beauvoir, entre outros factores, devido à edição regular da revista «Les Temps Modernes» – uma referência ao filme de Charlie Chaplin e com um comité editorial composto por Simone de Beauvoir, Michel Leiris, Raymond Aron, Maurice Merleau-Ponty, Jean Paulhan e Albert Ollivier.

A popularidade e «O Existencialismo é um humanismo»

Com a sua populadridade recém-adquirida, surge também a polémica sobre a sua filosofia existencialista. à conferência. Em resposta às críticas que tanto católicos como marxistas lhe faziam (os primeiros por a considerarem “enfatizadora tudo o que é desprezável na humanidade e expor tudo o que é sórdido e suspeito”, os segundos por a considerarem uma filosofia “contemplativa” e “burguesa”, um “luxo” desnecessário à luta), Sartre pronuncia uma conferência marcante, com o título de «O Existencialismo é um humanismo», argumentado contra os críticos, que o existencialismo deveria ser considerado parte da tradição humanista e como a única filosofia que “torna a vida humana possível”. A famosa frase sartriana “a existência precede a essência” foi, neste contexto, proferida. Muitas vezes mal compreendida, o que ela significa é que, no caso humano (e só no caso humano), a existência precede a essência, pois o homem primeiro existe, e só depois se define, enquanto todas as outras coisas – como um corta-papéis, o exemplo dado por Sartre – são o que são, sem se definir, e por isso sem ter uma “essência” que suceda à existência. Rejeita assim a ideia de uma “natureza humana” e também de princípios metafísicos pré-ordenados ou de “Deus” Ainda assim, «O Existencialismo é um humanismo», proferida em 1945, considerada à época e ainda hoje como um manifesto da filosofia existencialista, foi o único trabalho que Sartre se arrependeu de publicar.Seria publicada, posteriormente, em livro, incluindo uma crítica ao livro «O Estrangeiro» de Albert Camus, autor que admirava, mas de quem, sobretudo por razões políticas e visões filosóficas diferentes, se viria a separar.

Uma filosofia engajada

Outra faceta de Sartre é a de escritor engagé, explorada numa série de ensaios intitulada «O que é a Literatura?» . Para Sartre, escrever era uma forma de agir no mundo, com efeitos cujo o autor deve ser responsável. O autor deve agir face a uma sociedade “baseada na violência” ou escolher não agir sendo um “colaborador”. Sartre rejeita assim a “arte” ou a beleza estética como último valor, preferindo uma literatura de acção.Nos anos posteriores, sobretudo na década de 60, Sartre encarnou a sua filosofia de acção saiu também para a “rua”, participando em inúmeras manifestações, assinando artigos a favor da insurreição na Argélia, contra o sistema presidiário francês, participando conjuntamente com Michel Foucault e Gilles Deleuze ou como presidente do Tribunal Bertrand Russel contra os crimes de guerra norte-americanos no Vietname.Enquanto dramaturgo e romancista, expressa as suas ideias base: Deus não existe e o Homem é apenas a soma das suas escolhas (falíveis mas tomadas em liberdade). Em 1964 recusa o Prémio Nobel da Literatura, porque se recusava a ser julgado e a ser “institucionalizado” aos valores burgueses que rejeitava. Como um dos títulos de um jornal parisiense referiu: “A França perdeu a sua consciência”.

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