Marx, Karl

Biografia de Karl Marx; Dialéctica e o papel da Filosofia; Marx jornalista e o encontro com Engels; O Manifesto Comunista e a 1ª Internacional…

Karl Marx foi um filósofo, economista, sociólogo e revolucionário, cujo trabalho engloba todas as áreas das ciências sociais. É considerado um dos pais fundadores da sociologia, juntamente com Max Weber e Durkheim, que perseguiram o seu esforço sociológico, em grande parte, em oposição ao marxismo. Juntamente com Friederich Engels é o criador do “socialismo científico”, uma teoria que preconiza a luta de classes como o motor de toda a história. Cada fase do desenvolvimento da produção corresponde a uma estrutura de classes específica. O capitalismo, devido às suas contradições inerentes, deveria dar origem à ditadura do proletariado, que abriria caminho para uma sociedade comunista, onde nenhuma propriedade é detida por privados e onde não existem mais classes sociais. As suas ideias influenciaram tanto regimes políticos durante o século XX, como na URSS, na China ou em Cuba, como vários teóricos, especialmente os da chamada Escola de Frankfurt.

Nasceu na cidade de Trier na ex-Prússia de uma família judaica, que se iria converter ao Protestantismo, por pressão social. A sua herança judaica e a discriminação que sofreu podem ter influenciado Marx e contribuído para a sua rejeição da religião, que denominaria como “o ópio do povo” no livro «Crítica da Filosofia de Direito de Hegel» e que se tornou uma ideia fundamental nos regimes comunistas. Formou-se na Universidade de Bonn em História e Filosofia e completou posteriormente uma tese doutoral onde analisou de maneira hegeliana as diferenças entre as filosofia de Epicuro e Demócrito. Anteriormente na Universidade de Berlim foi introduzido à filosofia de Hegel que viria a influenciar todos os seus trabalhos posteriores.

Dialéctica e o papel da Filosofia

A dialéctica hegeliana – a ideia que tudo está em contínuo processo de mudança devido às contradições inerentes que as coisas possuem – despojada do seu pendor idealista, foi fundamental na sua análise do capitalismo. Outro filósofo de importância para Marx foi Ludwig Feuerbach, que havia criticado Hegel pela sua concepção idealista do mundo que propunha que a matéria e a existência eram inferiores à mente e ao espírito. Feuerbach usa uma concepção materialista – que coloca as condições materiais como mais importantes que as ideias – para criticar a religião. Marx vai um passo adiante, no entanto. Na sua famosa tese 11 sobre Feuerbach, Marx afirma que “Os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; agora é preciso transformá-lo”. Para Marx tornava-se claro o papel da filosofia: a crítica imanente da sociedade capitalista deve antecipar e preparar a revolução.

Marx jornalista e o encontro com Engels

Em 1842, depois da Universidade ajuda a criar em Colónia, com Bruno Bauer, um dos membros dos Jovens Hegelianos, aos quais Marx também pertencera, o «Rheinische Zeitung», um jornal opositor ao governo da Prússia. O jornal acaba por ser suspenso pelo seu papel político e as suas publicações consideradas ousadas e Marx parte para Paris de forma a publicar um jornal radical no estrangeiro, o «Deutsch-Französische Jarbücher». Em Paris, encontra-se com aquele que seria o seu companheiro intelectual e financiador para o resto da vida, Friederich Engels, com quem escreve «A Ideologia Alemã», onde se pode observar o debutar do marxismo e da concepção do materialismo histórico, o método de análise da sociedade que Marx utilizaria para escrever «O Capital», a sua grande obra.

O Manifesto Comunista e a 1ª Internacional

Volta a Colónia onde publica o «Neue Rheinische Zeitung» de 1848 a 1849, mas antes tinha-se juntado à secreta Liga dos Comunistas e participa com Engels no segundo congresso da organização em Londres, em 1847. Os líderes da Liga pedir-lhe-iam igualmente para escrever o programa da Liga naquela que viria a ser a sua obra mais conhecida e difundida: «O Manifesto Comunista». Neste, Marx e Engels desenvolvem as ideias materialistas prévias, anunciam as tarefas dos comunistas, assim como a vitória futura do proletariado. Rejeitaram igualmente a forma prévia de socialismo “utópico” e todas as experiências isoladas de comunismo. A História é a “história da luta de classes” e só uma revolução poderia libertar o proletariado. Por isso, Marx e Engels terminam com a famosa frase de encorajamento:”Os proletários nada tem a perder a não ser as próprias cadeias.E têm um mundo a ganhar.Proletários de todos os países,uni-vos!”. A sua acção política continuaria com a 1ª International, criada em Londres em 1864, que contava com 800 mil operários em 1969 e da qual Marx era a figura inspiradora. É para esta organização que Marx produz uma análise materialista na «Guerra Civil em França» da queda da Comuna de Paris, que ele considerava um exemplo da ditadura do proletariado.

Fim de vida e escrita do Capital

Pela sua postura política, Marx é expulso da Alemanha e da França e termina os seus dias em Londres, onde sobrevive com imensas dificuldades com a sua família e a ajuda financeira constante de Engels. Aí completa o primeiro capítulo da sua obra fundamental, «O Capital», que só viria a ser publicado após a sua morte , com o segundo e terceiro capítulo a ser completados por Engels. «O Capital» foi considerado a “Bíblia da classe trabalhadora” e continua a ter um impacto nas análises teóricas e políticas do capitalismo, assim como os restantes trabalhos de Marx.

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