A, Ab, Ad

Sistematização e explicação de várias locuções latinas introduzidas por “a”, “ab” ou “ad” existentes na filosofia.

As preposições de origem latina a, ab e ad figuram em bastantes locuções latinas que a filosofia utiliza regularmente. Muitas delas também são de uso corrente, como é o caso de a priori ou a posteriori.

Segue-se, por ordem alfabética, uma lista que apresenta e define algumas dessas locuções:

A contrario – A pari: estas locuções começaram a ser utilizadas no âmbito da linguagem jurídica para indicar que um argumento usado relativamente a uma determinada espécie, também se aplica a outra do mesmo género. O argumento a contrario parte de uma oposição encontrada numa hipótese para uma oposição nas consequências de uma hipótese. O raciocínio a pari é aquele que relaciona duas hipóteses entre si, para, depois, se concluir que ambas têm a mesma consequência, por analogia.

A dicto secundum quid ad dictum simpliciter (“da asserção qualificada para a não qualificada”): esta expressão, também conhecida somente por ad dictum simpliciter, ou pela falácia do acidente, é uma falácia informal que se refere a um raciocínio que, a partir de uma regra geral que admite exceções, se conclui uma condição particular.

A fortiori: em sentido geral e retórico, aplica-se quando um raciocínio apresenta certos enunciados que, à partida, reforçam a verdade da proposição que se tenta demonstrar. Em sentido estritamente lógico, aplica-se a um raciocínio que utiliza adjetivos comparativos como, por exemplo, “maior do que”, de modo que se passa de uma proposição à outra em virtude do carácter transitivo desses adjetivos.

A parte rei: expressão utilizada nomeadamente pela filosofia escolástica para manifestar que algo é segundo a sua própria natureza, opondo-se a algo que resulta da operação do entendimento.

A potioriA digniori – A perfectiori: estas locuções são sinónimos, sendo utilizadas quando se faz uma definição tendo em conta o melhor, o mais digno e o mais perfeito daquilo que se define.

A priori – A posteriori: as duas locuções servem para distinguir modos de conhecimento. A primeira indica que se conhece algo sem que seja necessário recorrer à experiência, ou seja, uma pessoa sabe a priori que 15+15 = 30 através de um cálculo e não através da experiência. Os elementos a priori condicionam, assim, a possibilidade de preposições universais e necessárias. Por sua vez, uma preposição a posteriori remete para o conhecimento que advém da experiência.

Diz-se, ainda, que um argumento é a priori quando assim são todas as suas premissas e que um argumento é a posteriori quando pelo menos uma das premissas só pode ser conhecida a posteriori.

A se: significa “por si” ou “de si”, distinguindo-se da locução ab alio, que significa “procedente de outro.”

Ab absurdo – Ab absurdis: ambas as locuções indicam que a proposição enunciada parte de algo absurdo.

Ad hoc: uma ideia ad hoc é aquela que só se aplica a um caso em particular, para um fim específico.

Ad hominem: o argumento ad hominem é aquele que contraria alguém ao denunciar a incongruência que manifesta entre as suas palavras e os seus atos, ou a incoerência entre as suas diferentes opiniões. Significa, por isso, um ataque pessoal. Opõe-se ao argumento ad rem, na medida em que este último remete para o âmago da questão.

Ad humanitatem: diz-se do argumento que é válido para todos os homens, sem qualquer exceção.

Ad ignoratiam: um argumento ad ignoratiam, também conhecido como a falácia da ignorância, é aquele que remete para a ideia de que se algo não foi provado como sendo falso, é, então, verdadeiro.

Ad judicium: esta locução traduz a ideia de um argumento que se justifica a si próprio. Opõe-se ao argumento ad hominem.

Ad personam: um argumento ad personam é aquele que renuncia a qualquer argumentação lógica para ir contra uma determinada pessoa, diminuindo-lhe o seu prestígio.

Ad valorem: um argumento ad valorem, também designado de argumento magister dixit, ou falácia da autoridade, baseia-se numa certa intimidação ao evocar uma personalidade autoritária, mas cuja competência não é relevante para o assunto.

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References:

Ferrater Mora, José. Dicionário de Filosofia. Lisboa: Círculo de Leitores, 1989

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