Antropologia Económica

A Antropologia Económica estuda as estratégias que os humanos mantêm e expressam por intermédio do uso de bens materiais e serviços.

A Antropologia Económica estuda as estratégias que os humanos mantêm e expressam por intermédio do uso de bens materiais e serviços. Neste campo a pesquisa gira em torno da tecnologia, produção, troca e consumo, assim como nos arranjos sociais e ideológicos que os humanos desenvolvem visando a vida material. O escopo desta disciplina penetra nas sociedades contemporâneas e passadas, sendo que o programa de estudo actual problematiza as diferentes combinações de estruturas económicas, nomeadamente em contextos onde claramente existem desequilíbrios de poder e asserções respectivas à superioridade ideológica.

 

1ª Abordagem

 

Podemos descrever a Antropologia Económica nas suas vertentes etnográfica e teórica, não relegando que o verdadeiro desafio é unificar as duas. Este campo serve igualmente como uma “laboratório” para o teste do pensamento económico contemporâneo: se a macroeconomia pouco influenciou o panorama mundial moderno, o mesmo não se pode constatar face às micro-abordagens à economia neo-clássica, tal como evidenciado por inúmeros estudos antropológicos sobre a tomada de decisão no mercado, agricultura, e entre grupos domésticos. Contudo, a aplicação da teoria neo-clássica coloca em questão o pressuposto referente à presença universal da racionalidade humana, do cálculo, e optmização: por exemplo, os teóricos da microeconomia lidam com grandes dificuldades ao tentarem explanar os hábitos culturais partilhados, excepto como ilustrações de embaraços irracionais.

 

2ª Abordagem

 

Com o Marxismo, uma nova grelha de análise impulsionou a Antropologia Económica, pelo que nas décadas de 60 e 70, os marxistas avançaram com interrogações fundamentais sobre a origem e o uso dos excedentes nas sociedades. Concentrando-se no controlo e uso da mão-de-obra, identificaram diversos modos de produção situados em contextos não-europeus. Nas décadas de 80 e 90, a teoria marxista era tão influente que o seu peso se encontra presente em estudos dos sistemas-mundo e as respectivas conexões aos contextos locais; nas interpretações das ideologias como forma de resistência à economia dominante; e na análise da combinação dos modos de produção em constelações mais amplas.

 

3ª Abordagem

 

Um erro corrente e que se repete frequentemente é julgar que a economia baseada no sistema de mercado é universal, o que Karl Polanyi negou ao comprovar que a vida material em tantas sociedades se baseia nas relações sociais, como a reciprocidade e redistribuição. Mas o movimento criado por Polanyi recebeu deveras menos atenção que o Marxismo ou o pensamento neo-clássico, pelo que a perspectiva do primeiro não conheceu um extenso aprofundamento.

 

4ª Abordagem

Os partidários de uma quarta abordagem, embebida na economia cultural, urgem que a vida material é em si uma construção humana. Alguns antropólogos económicos que se situam algures nesta categoria, postularam o consumo e a troca como modos expressivos que os humanos usam e manipulam para sua vantagem. Outros examinaram os modelos produtivos construídos pelos humanos e a sua relação com o meio-ambiente: tais modelos apresentam, não raras vezes, paralelos com as imagens projectadas do corpo humano ou do grupo sobre a terra, plantações ou forças naturais.

Conclusão

Os paladinos destas quatro abordagens encontram pouco em que concordar, não obstante as múltiplas perspectivas e relatos etnográficos instituírem um dualismo transversal que proporciona coerência a este vasto campo. O que é certo é que em todos os sistemas materiais, os humanos enfrentam a escolha prática de produzirem para si, ou produzem para o outro: no primeiro caso, as actividades materiais assumem um padrão reprodutivo que suporta a independência do grupo; no segundo caso, a troca é o horizonte da produção, assegurando a aquisição de bens necessários ou desejados.

 

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References:

Dilley, R. (1992) Contesting Markets, Edinburgh.

Polanyi, K. (1968) Primitive, Archaic and Modern Economies, Garden City, NY.

 

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