Toxoplasma Gondii

Conceito de Toxoplasma Gondii

Toxoplasma gondii é um protozoário1 intracelular obrigatório2 do filo Apicomplexa, da Classe Conoidasidia, sub-classe Coccidiasina e família Sarcocystidae, responsável pela toxoplasmose1.

É uma coccídia entérica com distribuição mundial, cujo hospedeiro definitivo mais comum é o gato, ou outros membros da família Felidae1,2,3. Todos os vertebrados homeotérmicos podem ser hospedeiros intermediários, incluindo o gato e o Homem1,2,4. Esta infeção tem maior prevalência em gatos vadios1 e em menores altitudes onde o clima é quente e húmido5.

O toxoplasma é heteroxeno atípico, pois a fase extra-intestinal (sistémica), no hospedeiro intermediário, não é obrigatória e o hospedeiro definitivo pode funcionar como hospedeiro intermediário. Podem existir ainda hospedeiros de transporte, como moscas, baratas e minhocas, que espalham os oocistos2,4,6. O ciclo biológico completa-se com a reprodução sexuada no hospedeiro definitivo e a posterior libertação de oocistos2,4.

Os hospedeiros definitivos infetam-se principalmente pela ingestão de quistos contendo bradizoitos existentes na carne crua ou nos tecidos de presas como, por exemplo, ratos1,2. Ainda que seja raro, também pode ocorrer infeção a partir da ingestão de oocistos esporulados, de taquizoítos no leite não pasteurizado, assim como infeção transplacentária2. Os hospedeiros intermediários podem infetar-se do mesmo modo, por ingestão de carne crua com quistos, de oocistos esporulados existentes na comida, água e solo contaminados, de leite não pasteurizado contendo taquizoítos e por via transplacentária2. Esta última forma de infeção é especialmente comum em humanos, existindo passagem de taquizoitos pela placenta e infeção do feto, que pode levar ao aborto1,2,4. Nos humanos, existe ainda a possibilidade de infeção através de transfusões sanguíneas ou transplante de órgãos, ainda que tal seja raro2,4,5.

Há libertação de oocistos nas fezes do hospedeiro definitivo durante 1 a 2 semanas1,3,5,6; estes oocistos esporulam no ambiente depois de 1 a 5 dias, formando-se 2 esporocistos, cada um com 4 esporozoítos3. O hospedeiro intermediário ingere os oocistos esporulados e os esporozoítos são libertados no intestino, onde penetram em células extra-intestinais1,3,6 como, por exemplo, fibroblastos, hepatócitos, células reticulares e do miocárdio1. Nestas células ocorre uma fase de invasão, na qual os chamados taquizoítos se multiplicam rapidamente por endodiogenia, um tipo de reprodução assexuada em que se formam apenas duas células filhas no interior de uma célula mãe1,3. Acumulam-se 8 a 16 taquizoítos até à rotura da célula, continuando a invasão com infeção de outras células1. Eventualmente há libertação de anticorpos pelo sistema imunitário do hospedeiro que limitam a multiplicação dos taquizoítos, formando-se quistos de até 100 μm em diversos tecidos (principalmente no tecido muscular, fígado, pulmões e cérebro), nos quais os bradiziotos se multiplicam lentamente por endodiogenia1,3. Este quisto é a forma latente e caso ocorra imunossupressão, os quistos podem romper, libertando os bradizoitos que voltam a ser taquizoitos, multiplicando-se rapidamente1. Se a infeção ocorrer por ingestão de quistos ou de taquizoitos o ciclo decorre da mesma forma1. O hospedeiro definitivo ingere carne crua contendo quistos, cuja parede é digerida no estômago com a libertação de bradizoítos que iniciam vários ciclos de esquizogonia (forma de reprodução assexuada na qual existe primeiro divisão do núcleo e depois do citoplasma, com a formação de diversas células filhas) e endodiogenia nas células do epitélio intestinal, até iniciarem o ciclo sexual (gametogonia), com a formação de microgametas (gametas masculinos) e macrogametas (gametas femininos) que se fundem formando oocistos1,3. Este ciclo no hospedeiro definitivo dura de 3 a 10 dias, culminando com a libertação de oocistos nas fezes1. Nos hospedeiros definitivos também há multiplicação nos tecidos extra-intestinais e formação de quistos3.

Referências Bibliográficas:

  1. Urquhart G, Armour J, Duncan J, Dunn A, Jennings F. Veterinary Parasitology. 2nd ed. Oxford, UK: Blackwell Publishing Professional; 1996.
  2. Sherding RG. Toxoplasmosis and Other Systemic Protozoal Infections. In: Birchard S, Sherding R, ed. by. Saunders manual of small animal practice. 3rd ed. St. Louis, Mo.: Saunders Elsevier; 2006. p. 219.
  3. Bowman D. Protista. In: Bowman D, ed. by. Georgis’ Parasitology for Veterinarians. 10th ed. Philadelphia: Saunders; 2013. p. 103-105.
  4. Prescott L, Harley J, Klein D. Human Diseases Caused by Fungi and Protozoa. In: Prescott L, Harley J, Klein D, ed. by. Microbiology. 5th ed. Dubuque, Iowa: McGraw-Hill; 2001. p. 957,958.
  5. Cdc.gov. CDC – Toxoplasmosis – Epidemiology & Risk Factors [Internet]. 2015 [cited 9 March 2015]. Available from: http://www.cdc.gov/parasites/toxoplasmosis/epi.html
  6. Mehlhorn H. Encyclopedic reference of parasitology. Berlin [u.a.]: Springer; 2001.
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