Glossopirose

A glossopirose também pode ser conhecida como “burning mouth“, Síndrome de Ardência Oral (SAO ou SAB – Bucal), estomatopirose, parestesia oral ou bucal, disestesia oral, ou sensação de ardor ou queimadura da boca. Apesar de não ser uma patologia muito difundida, a sua incidência e prevalência são bem elevadas, em especial nas idades mais avançadas, possivelmente derivado a vários factores conjugados. Provoca um grande desconforto e uma sensação de queimadura e/ou ardor constante na cavidade oral, sendo regra geral a língua o principal órgão afetado. Contudo, esta sensação não se limita à língua e pode expandir-se a outras localizações. Ela também piora com a ingestão de alimentos extra condimentados ou quentes. O que distingue esta doença de outras patologias, como por exemplo a língua geográfica é o facto de não existirem localizações que apresentem uma lesão, de modos que não há nenhum factor traumático que a provoque. É uma patologia mais que afeta mais mulheres do que homens numa proporção de 7 mulheres para 1 homem. O grupo de mulheres mais afetado tem, regra geral mais de 50 anos, apesar de já terem sido relatados casos de burning mouth em pacientes mais jovens, inclusive na casa dos 30 anos. Por isso, sugere-se que possa existir uma relação hormonal para o desenvolvimento deste problema. Algumas pesquisas parecem sugerir que afetará 14% das mulheres após a menopausa. Visto que o diagnóstico é difícil, muitos pacientes passam a conviver com este estado de ansiedade ou depressão constantes, pois passam a crer que os seus sintomas são sinais de problemas piores, como por exemplo manifestações do foro oncológico.

Áreas afetadas

Sugere-se que sejam afetadas as seguintes áreas e nas suas respetivas proporções:

– Língua – 80%

– Rebordo do palato (vulgo céu da boca) ou alvéolo – 45 %

– Lábios – 40%

– Áreas de sustentação protética –  38%

– Garganta – 10%

– Mucosas – 8%

– Soalho bucal – 5%

Existem vulgarmente três tipos descritos de Glossopirose:

Tipo I (Afeta 32% das pessoas com a patologia) – caracteriza-se por não ter sintomas ao acordar, mas ao longo do dia a ardência começa e aumenta em severidade. Os sintomas não desaparecem e continuam durante os dias seguintes.

Tipo II (Afeta 55% dos pacientes) – caracteriza-se pela sensação de ardor desde o acordar e persiste ao longo do dia. Os sintomas não desaparecem e são diários.

Tipo III (Afeta 13%) – caracteriza-se por um padrão regular de ataques de ardência e envolvimento de áreas incomuns. Os sintomas apresentam-se em dias aleatórios.

As causas possíveis são:

– Deficiência vitamínica do complexo B;

– Distúrbios hematológicos;

– Diabetes melittus tipo II;

– Boca seca;

– Saliva muito fluída;

– Hábitos parafuncionais (como ranger os dentes ou comprimir a língua);

– Cancerofobia;

– Depressão;

– Sindrome de Sjogren,

– Anemias,

– Hipotiroidismo,

– Tabagismo,

– Álcoolismo,

– Infecções locais,

– Radioterapia,

– Fatores climáticos;

– Alergia a materiais e alimentos (como por exemplo a corantes, conservantes, ácido sórbico).

As consequências deste problema são muito graves, visto que afetam a vida dos utentes que padecem deste problema. Desde logo a alimentação fica afetada, o que pode resultar em deficiências nutricionais gravíssimas, também a disposição e trato com outros é afetado. Em muitos casos, associado a dificuldades em mastigar existem dificuldades em deglutir. Este conjunto de situações, além das deficiências nutricionais podem levar a depressões e desestabilizações emocionais.

Este é um problema de diagnóstico difícil e para o qual existem poucos profissionais qualificados para o seu tratamento. O diagnóstico diferencial desta patologia pode ser língua geográfica e líquen plano, pelo que é exigida a observação das estruturas afetadas. Visto que este problema não tem uma causa física associada o seu tratamento é possível através de terapias psicoterapeuticas, ás vezes fazendo associação com a toma de medicação, em especial de antidepressivos e antipsicóticos. Na maioria das vezes o tratamento deve ser adaptado a cada indivíduo e deve ser realizado de forma individualizada e exclusiva para cada utente. Uma abordagem multidisciplinar é normalmente o que se exige para o tratamento da glossopirose. Em alguns casos, bastará a remoção do factor causal (como o final da radioterapia), ou o ajuste do nível de ferro.

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