Análise estrutural (prospetiva)

Em prospetiva estratégica, análise estrutural consiste em uma técnica de análise de sistemas, que ao permitir detetar relações “escondidas” e decompor o sistema em subsistemas, pode ajudar a reconhecer o que de outra forma não era percetível.

Conceito de análise estrutural

Em prospetiva estratégica, análise estrutural consiste em uma técnica de análise de sistemas, que ao permitir detetar relações “escondidas” e decompor o sistema em subsistemas, pode ajudar a reconhecer o que de outra forma não era percetível.

Objetivos da análise estrutural

Os objetivos da análise estrutural são os seguintes:

  • destacar os efeitos escondidos e decompor o sistema em grupos de variáveis e em subsistemas;
  • detetar as variáveis-chave do sistema;
  • ajudar uma equipa, normalmente heterogénea em termos de interesses e competências, se não mesmo ideologicamente, a ter uma visão sistémica e comum do problema em estudo;
  • servir de controlo para certo tipo de análises espontâneas propostas por determinados grupos com tendência para privilegiar fatores emblemáticos.

Análise estrutural vs método dos cenários

A análise estrutural, mesmo que utilizada isoladamente e não como uma das etapas do método dos cenários, é muito importante para ter uma visão global e sistémica de determinada realidade; sendo um dos instrumentos mais utilizados em prospetiva constitui um elemento “precioso” na estruturação das ideias e na descomplexificação da realidade em estudo.

Etapas da análise estrutural

A análise estrutural é composta pelas seguintes etapas:

  • levantamento/identificação de todas as variáveis e atores fundamentais no sistema, internos (endógenos) ou externos (exógenos).
  • análise retrospetiva (da sua evolução passada) e atual do sistema, de forma a identificar os agentes da mudança, ou seja, os fatores portadores de futuro.
  • revisão da listagem preliminar de variáveis e atores e inicia-se a elaboração de uma matriz da análise estrutural, cruzando as variáveis para identificar a influência de cada uma sobre as restantes (quanto à sua “motricidade” e dependência) e identificando as variáveis-chave (explicativas, de ligação, de resultado ou autónomas).

A fase de identificação das componentes do sistema em causa, não só das variáveis atuais como das potenciais (que já estão a emergir mas cujos efeitos ainda não são possíveis de medir), permite não só uma descrição exaustiva do sistema, associada à problemática em causa, como tratar variáveis não só quantitativas como qualitativas, internas e externas ao sistema.

Nos estudos de planeamento esta etapa mostrou-se muito importante. Sendo esta etapa um excelente instrumento na estruturação e organização das ideias, há que dar especial atenção à constituição da equipa: implica uma equipa multidisciplinar e a participação ativa de todos os seus elementos. Aquando do preenchimento da matriz, todos os elementos são questionados, de forma a justificarem a relação(ões) detetada(as) entre as várias componentes do sistema.

Na análise estrutural, o que interessa não é tanto a análise em si mas todo o processo que a põe em marcha, a apropriação por parte do grupo de trabalho, todo um processo de aprendizagem.

Relação entre a análise estrutural, análise estratégica de atores e método dos cenários

É possível interligar a análise estrutural, a análise estratégica de atores e o método dos cenários, sendo ambas as três metodologias, parte integrante de uma mesma realidade – a análise prospetiva.

É possível enriquecer os resultados da análise estrutural se implicarmos e apelarmos à participação dos atores no recenseamento das variáveis do sistema. Não será razoável que os atores sociais procedam ao preenchimento da matriz de análise estrutural, pois tornar-se-ia pouco eficaz, no entanto, constituir um painel de atores e apelar à sua colaboração na identificação das variáveis que lhes parecem ser as mais importantes, poderá ser uma forma da equipa confrontar e avaliar o seu recenseamento.

Posteriormente aborda-se não só a “análise estrutural”, como a metodologia de análise da estratégia dos atores, duas das etapas do Método dos Cenários, como instrumentos que podem contribuir para uma maior participação por parte dos atores sociais e(ou) como apoio à tomada de decisão.

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