Arbitragem

Arbitragem é um mecanismo que faz com que os preços dos instrumentos financeiros não tenham uma grande oscilação em relação ao seu valor intrínseco.

Conceito de arbitragem

A arbitragem é um mecanismo que faz com que os preços dos instrumentos financeiros não tenham uma grande oscilação em relação ao seu valor intrínseco ou fundamental.

As abordagens do mercado

De acordo com as finanças comportamentais que se baseiam no sentimento do mercado, ou seja, a consideração das circunstâncias em que as expetativas do mercado são irracionalmente otimistas ou pessimistas, o que abre a possibilidade para os investidores racionais tirarem proveito de oportunidades de arbitragem criadas pelos equívocos dos investidores irracionais. Uma arbitragem racional empurra os preços de volta para os níveis previstos pelas teorias não-comportamentais ou baseadas nos fundamentais – análise fundamental. Muitas vezes, portanto, os modelos de finanças comportamentais também envolvem determinados limites institucionais de arbitragem. Combinando os elementos de comportamento com limites de arbitragem pode levar à ausência de arbitragem com base comportamental, com determinantes diferentes dos que que derivam da teoria.

Operacionalização

As operações de arbitragem são compostas de duas pontas opostas no mesmo ativo com maturidades diferentes, ou em bolsas de valores diferentes, envolvendo  ativos diferentes mas com um determinado grau de correlação nos movimentos de seus preços. Todas essas operações visam tirar aproveitar distorções nas relações dos preços. Tratam-se, assim, de operações de compra e venda de valores mobiliários, realizada com o objetivo de ganhos com a diferença de preços existente, para um mesmo ativo entre dois mercados. Trata-se de uma operação sem grande risco ou de risco reduzido, em que o investidor que realiza a operação de arbitragem aproveita o lapso de tempo existente entre a compra e a venda para lucrar. Por exemplo, sendo um mesmo valor mobiliário cotado em dois mercados, o o investidor irá adquiri-lo no mercado em que esse ativo estiver cotado a preço mais baixo e vende-o no outro mercado, obtendo lucro.

Se uma das pontas tem maior liquidez e a outra mantida em aberto, a operação passa a ser especulativa.

A arbitragem adquiriu um peso extremamente importante nos mercados de ativos financeiros e seus derivados. É muito mais fácil realizar este tipo de operações com ativos financeiros do que com commodities já que o acesso ao mercado à vista é geralmente amplo, os preços nele praticados são transparentes e o custo da operação limita-se à taxa de juros praticada no mercado monetário para o período e às taxas de custódia cobradas pelas instituições financeiras.

Impacto da arbitragem

O impacto macroeconómico da arbitragem é gigantesco, já que essas operações transformaram-se num dos principais veículos de globalização internacional dos preços de ativos financeiros de mesma natureza e da transmissão dos efeitos de contágio de um mercado para os outros, o que acontece através do uso de derivados. Enquanto meio de acesso à liquidez, eles apagam a especificidade dos mercados interbancários. Como instrumentos de cobertura de riscos, eles apagam a separação entre os mercados nacionais e internacionais. Ao fazê-lo, criam condições para que eventuais disfunções nesses segmentos de mercado possam alastrar-se rapidamente para os outros, tanto pelas próprias operações de arbitragem quanto pelo efeito de contágio. O sucesso desse tipo de operação faz com que as distorções de preços que permitem sua realização sejam cada vez mais raras e de menor magnitude, principalmente no que concerne à estrutura temporal ou espacial de preços, diminuindo as possibilidades de lucro. Para poder continuar a realizar operações de arbitragem, as instituições são cada vez mais levadas a procurar correlações diversas e “torcer” para que a concorrência delas não se dê conta. Quando se verifica a existência de uma correlação que é amplamente conhecida, as oportunidades de arbitragem reorganizam-se, dirigindo-se, por exemplo, a outros índices e ativos financeiros.

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References:

Silva, Miguel (2013). Bolsa – Investir nos Mercados Financeiros. 1ª Ed. Lisboa: Bookout.

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