Arts and Crafts

Arts and Crafts, também conhecido em Portugal como Artes e Ofícios, foi um movimento artístico surgido em Inglaterra, na segunda metade do século XIX, que defendia o artesanato criativo como alternativa à mecanização e à produção em massa consequência da Revolução Industrial, e o fim da distinção entre artesão e artista.

Na segunda metade do século XIX, o processo de fabrico industrial, mecanizado, despersonalizado e estandardizado, invadiu todos os sectores da produção, nomeadamente os dos objectos utilitários que, por sua vez podiam ter intenções decorativos e artísticos, nomeadamente, conhecidas como, artes aplicadas.

Fabricados massivamente e em série, estes objectos primavam pelo exagerado ornamental, pela vulgaridade da forma e pela falta de originalidade e de gosto, factos que não passaram despercebidos a alguns teóricos ingleses da época, como John Ruskin e William Morris.

Reunindo teóricos e artistas, o movimento Arts and Crafts, busca revalorizar o trabalho manual e recupera a dimensão estética dos objectos produzidos industrialmente para uso quotidiano. A expressão “artes e ofícios” – incorporado em inglês ao vocabulário crítico – deriva da Sociedade para Exposições de Artes e Ofícios, fundada em 1888.

As ideias do crítico de arte John Ruskin e do medievalista Augustus W. Northmore Pugin são fundamentais para a consolidação da base teórica do movimento. Foram eles os mentores e dinamizadores do movimento Arts and Crafts, que propagou contra a influência da industrialização da Arte, procurando a sua revalorização pela separação total entre a arte e a indústria e pela ligação intrínseca entre a criação Artística de uma obra e a sua execução técnica.

Após a Revolução Industrial houve uma desvalorização do trabalho do artesão e o objectivo do Arts and Crafts era de restabelecer este valor, a harmonia entre o trabalho do arquitecto, designer e artesão, e de realizar objectos de arte de uso quotidiano para todos.

Rapidamente surgiram grupos de arquitectos e artistas, apologistas de um papel social a ser desempenhado pela arte na educação da sensibilidade e do gosto. Ao mesmo tempo, procuravam encontrar meios adequados à produção manual de objectos originais.

Na arquitectura o edifício deveria ser construído com materiais locais, desenhados para se moldar à paisagem e reflectir uma construção tradicional e vernacular. A unidade da construção deveria ser alcançada por meio da união de desenhos e linguagens da estrutura até o mobiliário de maneira simples e honesta, ou seja, sem revestimentos que escondessem a beleza e coloração inerente ao material natural.

Outras das normas que defendia Arts and Crafts, na arquitectura, era a ideia de que cada país deve possuir a sua própria arquitectura que reflita a sua própria e particular história, geografia e clima. A “Red House” de William Morris em Londres, projectada por Philip Webb e terminada em 1860, é um dos exemplos arquitectónicos mais significativos do movimento Arts and Crafts.

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“Red House” de William Morris em Londres, exemplo perfeito da arquitectura Arts and Crafts

Nas artes aplicadas, o movimento Arts and Crafts, privilegiou critérios de simplicidade e pureza formais, associados a motivos decorativos inspirados nas plantas, nos pássaros e noutros animais, organizados em densos e complexos padrões de desenho plano e linear. Foram notáveis as concretizações conseguidas nos têxteis, no papel de parede e no mobiliário, entre outras.

A partir de 1890, o Movimento de Artes e Ofícios liga-se ao estilo internacional do Art Nouveau espalhando-se por toda a Europa: Alemanha, Países Baixos, Áustria e Escandinávia. Ainda que um sucessor do movimento inglês, o Art Nouveau possui filosofia um pouco distinta. Menos que uma atitude de recusa à indústria, a produção Art Nouveau coloca-se no seu interior, valendo-se dos novos materiais do mundo moderno (ferro, vidro e cimento), assim como da racionalidade das ciências e da engenharia.

O movimento Arts and Crafts também foi uma importante influência para o surgimento posterior da Bauhaus, que assim como os ingleses do século XIX, também acreditavam que o ensino e a produção do design deveria ser estruturado em pequenas comunidades de artesãos-artistas, sob a orientação de um ou mais mestres.

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References:

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. Companhia das Letras. São Paulo, 1992

CUMMING, Elizabeth e KAPLAN, Wendy. The Arts and Crafts Movement. Thames and Hudson Ltd. London, 1991

DAVERY, Peter. Arts and crafts architecture. Phaidon, 1995

KAPLAN, Wendy. The Art that Is Life: The Arts & Crafts Movement in America 1875-1920. Little, Brown and Company. New York, 1987

TRIGGS, Oscar Lovell. Arts & Crafts Movement. Parkstone International, 2009

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