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Trompa

Trompa: instrumento de sopro de metal; constituição, especificidades, efeitos sonoros e desenvolvimento do instrumento até à actualidade.

O instrumento

A trompa é um instrumento de sopro de metal (um aerofone, portanto) constituído por um tubo estreito e muito longo, enrolado várias vezes sobre si mesmo, com um bocal cónico ou em forma de funil numa das extremidades, e uma campânula na outra. A trompa moderna surgiu no século XIX, quando passou a ser equipada com pistões, distinguindo-se de um modelo conhecido hoje como trompa natural.

A trompa é um instrumento de difícil execução, especialmente quando comparado com outros instrumentos da orquestra, da qual é parte integrante. A dimensão do tubo é aquilo que permite a obtenção de muitos harmónicos  (até ao décimo-sexto) e, sendo que cada nota pode ser obtida através de um maior número de posições diferentes que nos outros metais, o executante pode dispensar os harmónicos 7 e 11 (indesejáveis porque a sua afinação não corresponde à nota que se pretende), e obter as notas correspondentes com base noutro critério formativo. No entanto, torna-se difícil controlar as notas produzidos no registo mais agudo porque uma simples imprecisão na articulação dos lábios origina uma nota errada ou destimbrada. Além disto, os pistões, na trompa, são accionadas com a mão esquerda – ao contrário de todos os outros instrumentos metais – dado ser necessário introduzir a mão na campânula para segurar o instrumento.

trompa

A trompa está afinada em Fá, transpondo-se à 5.ª perfeita inferior; no entanto, em muitas partituras do século XIX,  as partes da trompa encontram-se escritas em clave de fá, uma oitava abaixo do que é hoje habitual. Foi depois inventado um modelo que facilitava a emissão de notas na região aguda: o modelo em Si b, com um tubo mais curto. Já em 1935, surgiu no mercado um modelo que funciona alternadamente em fá ou em si b. Chamada de trompa de afinação dupla, está dotada de um 4.º pistão, que corta a ligação de uma certa extensão do tubo, fazendo com que o instrumento passe a tocar uma quarta acima.

Os efeitos sonoros da trompa

A sonoridade aveludada da trompa resulta muito bem em combinações instrumentais diversas.  Por esta razão, embora seja indiscutivelmente um instrumento de metal, é também encarada como um instrumento da família das madeiras em orquestra, porque se liga perfeitamente ao som destes. Na música de câmara é, por exemplo, um membro permanente do quinteto de sopro, juntamente com a flauta, o oboé, o clarinete e o fagote. Funciona igualmente bem em várias outras combinações.

Adicionalmente, a trompa tem a vantagem de permitir a obtenção de efeitos sonoros diversos:

  • O instrumentista pode servir-se da surdina, em forma de pêra (que pode ser de metal, madeira ou cartão), normalmente indicada na partitura pela expressão con sordino; a sua remoção é indicada através de senza sordino.
  • Tapando o tubo com a mão, obtêm-se os chamados sons bouchés (fechados), que possuem uma sonoridade muito diversa. Na partitura, + significa bouché, enquanto 0 significa aberto. Este efeito é também usado para passar uma nota de sforzatto a piano (a introdução da mão no pavilhão serve ainda outra finalidade: corrigir a afinação, uma vez que por este meio se consegue baixar até meio-tom).
  • Outro efeito da trompa é o som cuivré, obtido com uma tensão maior do que a normal. O resultado é a vibração do próprio metal, o que origina um som muito característico, de grande feito dramático. O seu uso é indicado na partitura pelo sinal ^ sobre as notas, acompanhado da palavra cuivré no início da passagem.
  • Quando tocada com o pavilhão voltado para cima, a trompa emite um som muito forte.

Desenvolvimento do instrumento

A trompa tem uma origem primitiva, remontando à altura em que o Homem aprendeu a usar os chifres dos animais como instrumento. Depois, entre 1100 a.C e 500 a.C, no norte da Europa, surgiram feitas de bronze, com um tubo cónico alongado em forma de S e com uma segunda secção torcida em relação ao plano da primeira, terminando num disco plano ornamentado; o bocal assemelhava-se ao do trombone moderno. Este instrumento era chamado de lur.

lur

Lur 

Do tempo dos romanos conhecem-se dois modelos, com funções diversas. Enquanto o cornu era usado para fins militares e cerimoniais, a buccina era usado pelos pastores e para indicar a hora do dia à população.

Durante a Idade Média, continuaram a usar-se para fins musicais os primitivos cornos de animais, primeiro sem bocal, depois com bocal como parte integrante do instrumento e, mais tarde, com bocal descartável. No século X, surgiram também cornos com orifícios laterais, que permitiam a execução de melodias simples. Com ou sem, existiram par a par.

No Renascimento, a trompa aumentou de tamanho e começou a ser construída progressivamente em metal, abandonam-se os materiais de origem animal. Contudo, as suas intervenções musicais eram ainda limitadas devido à impossibilidade de tocar melodias em graus conjuntos.

Na segunda metade do século XVII, a chamada trompa de caça transformou-se num verdadeiro instrumento musical: a trompa natural. Neste processo, verificaram-se as seguintes alterações: o tubo tornou-se mais comprido e estreito; o perfil do tubo, de puramente cónico, passa a ser em parte cilíndrico e em parte cónico; o pavilhão expandiu-se; o bocal passou da forma de taça à forma funil. Como consequência, nasceu um novo timbre e a possibilidade de emissão até ao décimo-sexto harmónico.

A partir de 1740, o trompista Anton Joseph Hampel, de Dresden, desenvolveu a técnica de introdução da mão direita no pavilhão (como uma espécie de surdina mas também para corrigir a afinação), experimentando também o uso de surdinas. Esta inovação, juntamente com adopção do novo tipo de bocal, veio permitir o uso regular da trompa na orquestra.

O último estádio de evolução da trompa no instrumento hoje conhecido aconteceu em 1815, com a a invenção dos pistões, que na trompa têm a forma de válvulas rotativas. Pouco depois, em 1835, surgiram no mercado as já mencionadas trompas de afinação duplas (si b e fá), actualmente as mais usadas nas orquestras.

Não obstante, as trompas naturais são ainda recorrentes, tanto para uma interpretação mais fiel da música “antiga” como pelo seu timbre, diferente do da trompa actual.

trompa natural

Trompa Natural

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References:

Henrique, L. (1998). Instrumentos Musicais. Fundação Calouste Gulbenkian.

Kennedy, M. (1994). Dicionário Oxford de Música. Publicações Dom Quixote.

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