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Giuseppe Verdi

Biografia do compositor italiano Giuseppe Verdi (1813-1901), um dos principais compositores de ópera do século XIX. Entre as suas obras destacam-se o «Rigoletto», «Il Trovatore», «La Traviata», «Aida», «Dom Carlos», «Otello» e «Falstaff».

Nascimento 9 ou 10 de Outubro de 1813, Le Roncole, Itália
Morte 27 de Janeiro de 1901, Milão, Itália
Ocupação Compositor
Principais obras «Nabucco»; «Macbeth»; «Rigoletto»; «Il Trovatore»; «La Traviata»; «Aida»; «Dom Carlos»; «Requiem»; «Otello»,  «Falstaff»

Primeiros anos

Giuseppe Verdi nasceu a 9 ou 10 de outubro, em 1813, na aldeia de Le Reconle, próxima de Busseto, na Itália. Evidenciou, desde cedo, interesse e talento para a música, ao ponto de, com nove anos de idade, ter substituído o organista da cidade, que fora seu professor.

Pouco depois, compôs as suas primeira peças para a igreja da cidade e para a orquestra filarmónica local, agora perdidas. Desta forma, despertou a atenção de Antonio Barezzi, um negociante local, apreciador de música, que acabou por tomar Verdi como seu protegido. Assim, ofereceu-se para lhe pagar os estudos no Conservatório de Milão. No entanto, Verdi não foi admitido como aluno devido às suas insuficiências como pianista e ao facto de ter ultrapassado a idade de admissão (já tinha vinte anos).

Não obstante, decidido a prosseguir estudos musicais, permaneceu em Milão, onde recebeu aulas privadas de Vincenzo Lavigna, um velho compositor associado ao La Scala. A cidade de Milão era o centro da vida operática italiana. Adicionalmente, estudou literatura, política e contraponto.

Passados dois anos, regressou a Busseto, onde continuou os seus estudos e dirigiu as atividades musicais da cidade. Em 1836, casou com Marguerita, filha de Barezzi, com quem teve dois filhos.

Primeiras óperas

Em 1836, Verdi terminou a ópera «Rocester», hoje perdida, e, em 1839, estreou com sucesso no La Scala de Milão a ópera «Oberto». Bartolomeo Merelli, empresário que trabalhava com o Scala, contratou Verdi para escrever mais três trabalhos nos dois anos seguintes.

A primeira foi a ópera cómica «Um Giorno di Regno», que falhou por completo na estreia, em setembro de 1840. A obra foi escrita um período difícil para o compositor pois a mulher tinha morrido em junho e, nos dois anos anteriores, também os seus filhos tinham perecido.

Prostrado pela dor, decidiu abandonar a composição. No entanto, deixou-se persuadir por Merelli e, em 1842, surgiu a ópera «Nabucco», baseada num tema biblíco. O sucesso estrondoso da obra tornou-o no mais proeminente dos jovens compositores italianos e «Nabuco» tornou-se, rapidamente, conhecida por toda a Itália. Nos dez anos subsequentes, a obra seria executada em cidades longínquas como São Petersburgo ou Buenos Aires. Embora o estilo musical desta ópera seja considerado primário face a trabalhos posteriores, a energia crua manteve-a a viva durante o século e meio seguinte.

Período de produção intenso

Entre 1843 e 1849, Verdi produziu duas óperas por ano (o que significava negociar com empresários, assegurar a edição do libreto, encontrar cantores, compor a música, supervisionar os ensaios, conduzir as primeiras interpretações etc). Tinha como objetivo poupar dinheiro suficiente para se reformar mais cedo, em San’t Agata, próximo de Roncole, como detentor de uma propriedade.

Por muito improvável que parecesse a composição de grandes obras num período tão curto de tempo, o certo é que as que se seguiram, «I Lombardi alla prima crociata» (1843) e «Ernani» (1844), tiveram igual sucesso. As outras receberam receções variadas. No entanto, das obras deste período emerge a atenção de Verdi com o assunto dos libretos, que espelhavam os seus gostos literários: Victor Hugo influenciou «Ernani»; Lord Byron, «I due Foscaro» (1844) e «Il corsaro» (1848); Friedrich von Schiller, «Giovanna d’Arco» (1845), «I masnadieri» (1847) e «Luisa Miller» (1849); Voltare, Alzira (1845); Zacharias Werner, «Attila» (1846); Shakespeare, Macbeth (1847), cujo tema trágico trouxe à tona o melhor de Verdi, à semelhança do que tinha acontecido com «Nabucco».

Giuseppe Verdi

«La battaglia di Lenano» (1849) surgiu como uma manifestação de empatia face ao movimento de unificação italiano (Ressurgimento). Foi, por isso, recebida entusiasticamente mas, mais tarde, desapareceu de cena. É, também, globalmente aceite que alguns coros de obras anteriores que invocavam o sentimento de liberdade e revolta eram efetivamente gritos revolucionários (nalguns casos, seriam mesmo).

 Em 1861, o Conde di Cavour, procurando envolver o maior número de italianos importantes no novo momento político do país, convidou Verdi para a Câmara dos Deputados. O compositor aceitou e foi presença assídua mas escolheu demitir-se pouco tempo depois. Não obstante, «Va pensiero», a canção dos escravos hebraicos de «Nabucco» tornou-se numa espécie de hino nacional não oficial, na época, e Verdi era considerado um verdadeiro herói nacional.

Período de maturidade

Com 38 anos de idade, o compositor iniciou uma relação amorosa com a soprano Giuseppina Strepponi, com quem viveu durante vários anos, antes de se casarem em 1859. Esta coabitação foi vista por muitos como escandalosa, especialmente em Busseto.

Em 1851, Verdi compôs a ópera «Rigoletto», que se tornaria numa das mais conhecidas e apreciadas. «Il trovatore» e «La Traviata», ambas de 1853, atingiram igual estatuto. As melodias eram ainda melhores do que as anteriores e o drama e a caracterização mais interessantes. O «Rigoletto» foi também inovador tecnicamente ao apresentar uma melhor coerência do drama na música, especialmente no terceiro ato.

Verdi tornou-se numa celebridade internacional, algo que teve repercussões na sua música. Entre 1855 e 1870, dedicou-se à composição de trabalhos para a Opéra de Paris e outros locais onde se praticava um estilo de ópera parisiense: dramas grandiosas sobre assuntos muito sérios, em cinco atos, com ballet. O compositor desafiava abertamente Giacomo Meyerbeer, o único compositor de óperas europeu mais reconhecido e rico do que o próprio.

No entanto, nenhuma das suas obras, apesar dos avanços na espetacularidade das cenas, era tão satisfatória como as três óperas do início da década. Só com «Dom Carlos» (1867, revista em 1887 para ser apresentada em teatro italianos), baseada numa peça de Schiller, conseguiu produzir uma ópera considerada, já no século XXI e não na altura, melhor do que as do seu rival. Não obstante, seria «Aida» (1871) a demonstrar plenamente que Verdi tinha dominado o estilo operático parisiense, com uma intensidade emocional que só ele conseguia imprimir.

Em 1869, Verdi recebeu um pedido para compor uma secção de um requiem em memória de Rossini, que falecera no ano anterior. Esta missa nunca veio acontecer mas, em 1873, o compositor reaproveitou o «Libera Me», que tinha escrito anteriormente, para o seu requiem em homenagem ao poeta italiano Alessandro Manzoni. A soprano Teresa Stolz, solista na estreia e nas apresentações subsequentes do requiem, começou a relacionar-se de forma pessoal com Verdi (não se sabe factualmente até que ponto), algo que perturbou inicialmente Giuseppina. No entanto, as duas mulheres reconciliaram-se e Soltz acompanhou Verdi depois da morte de Giuseppina (1897), até à sua morte.

Últimos anos

Verdi decidiu, depois, retirar-se do mundo da ópera e instalou-se em Sant’Agata, onde geriu a propriedade com a mesma atenção ao detalhe que tinha aplicado nos ensaios das suas óperas. Tornou-se num grande proprietário de terras e num homem muito rico. Fundou e financiou várias acções e instituições de caridade, como a Casa di Riposo per Musicisti, uma casa de repouso para músicos mais velhos.

Por iniciativa do editor Giulio Ricordi, Verdi acabou por regressar ao mundo da ópera. Primeiro, com «Otello», em 1874, com um libreto da autoria de Arrigo Boito. Depois de viajar por toda a Europa com esta obra, o compositor decidiu, mais uma vez, retirar-se para Sant’Agata. No entanto, Ricordi e Boito, ambos muito próximos de Verdi, intervieram novamente. Boito converteu as peças «The Merry Wives of Windsor» e «Henry IV» de Shakespeare no libreto cómico «Falstaff», que Verdi musicou brilhantemente. Este seu último trabalho dramático, produzido no La Scala em 1893, vingou a falha de Verdi no campo da comédia, meio século antes, no mesmo teatro.

Embora não tenha voltado a compor óperas, não abandonou a composição, produzindo coros para música sacra nos seus últimos anos. Faleceu a 21 de janeiro de 1901, em Milão.

Legado

A grande novidade de Verdi foi modificar, aos poucos, as convenções rígidas do bel canto italiano, que evidenciava a todo o custo os cantores, deixando para segundo plano os valores dramáticos da ópera. Embora continuasse a dar espaço ao brilhantismo dos cantores, o compositor, que acreditava que o drama surgia da interação das pessoas, principalmente em situações terríveis, caracterizou de forma intemporal uma larga quantidade de personagens, conhecidas hoje pelo nome (por exemplo, a Violetta de «La Traviata» ou a Amneris de «Aida»).

À semelhança de Wagner, também nascido em 1813, as óperas de Verdi figuram entre as grandes obras do século XIX, e são, hoje em dia, obras fundamentais no repertório operático.

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References:

Hussey, D. & Kerman, J. (nd). Giuseppe Verdi. Em https://www.britannica.com/biography/Giuseppe-Verdi

Kennedy, M. (1994). Dicionário Oxford de Música. Publicações Dom Quixote.

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