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Getz, Stan

Biografia do saxofonista de jazz norte-americano Stan Getz (1927-1991), um dos principais responsáveis pela difusão do género brasileiro bossa nova, juntamente com João Gilberto e António Carlos Jobim.

Nascimento 2 de fevereiro de 1927, Filadélfia, Estados Unidos da América
Morte 6 de funho de 1991, Califórnia, Estados Unidos da América
Família 1.º mulher: Beverly Byrne (três filhos); 2.º mulher: Monica Silfverskiold (2 filhos)
Ocupação Saxofonista de jazz

Primeiros anos

Stan Getz nasceu no dia 2 de fevereiro de 1927, em Filadélfia, nos Estados Unidos da América. Os pais, judeus de origem ucraniana, emigraram para os EUA em 1930, com receio de agressões antissemitas. A família mudou-se, depois, para a cidade de Nova Iorque, à procura de melhores condições de vida.

Stan era, em termos académicos, um aluno excelente. Não obstante, dava mostras de um talento musical inato: com doze anos, tocava harmónica e baixo e era capaz de reproduzir qualquer melodia nos respectivos instrumentos. Já depois de começar a estudar música, percebeu-se que era naturalmente bom na leitura à primeira vista, além de ter uma quase memória fotográfica e um sentido rítmico e de afinação instintivo.

Em 1940, o pai ofereceu-lhe um saxofone alto e um clarinete, mas foi pelo som do saxofone que se apaixonou, começando a praticar o instrumento oito horas por dia. Em setembro de 1941, foi aceite na All City High School Orchestra de Nova Iorque, o que lhe deu acesso a aulas gratuitas com Simon Kovar. Por esta altura, começou a apresentar-se em diversos locais e ocasiões, tendo poupado o suficiente para comprar um novo saxofone, com 14 anos de idade.

Quatro meses depois, conheceu o trompetista Shorty Rogers, que ficou grandemente impressionado com os solos de Lester Young e Tex Beneke tocados por ele. Começou a frequentar jam sessions no final dos seus “concertos”. Em dezembro de 1942, foi contratado para tocar no Roseland, por 35 dólares à semana. As notas na escola começaram a baixar e depressa abandonou a escola mas foi forçado pelas autoridades escolares a regressar. No entanto, por esta altura, Stan Getz já tinha decidido o que queria ser e fazer para o resto da vida.

Início da carreira

Em Janeiro de 1943, Stan Getz juntou-se à banda do trombonista Jack Teagarden. No entanto, porque era ainda menor, Teargarden tornou-se responsável pelo adolescente, certificando-se que completava os trabalhos da escola uma vez por semana. O músico abandonou The Teagarden Band em 1944, quando tinha dezassete anos, porque queria permanecer na Califórnia.

Foi, depois, contratado por Stan Keaton, que trabalhava com Bob Hope num popular programa de rádio. No dia 20 de julho de 1944, Stan gravou pela primeira vez com a banda. A canção «And her tears flowed like wine», cantada por Anita O’Day, tornou-se num grande hit. Neste período, tornou-se viciado em heroína, à semelhança de outros membros da banda. Entretanto, estudava cuidadosamente o trabalho de Lester Young, de modo a incorporar o seu trabalho no trabalho de Keaton. Após um desentendimento a propósito deste assunto, Stan deixou a banda em abril de 1945.

Depois de tocar por um curto período de tempo com Jimmy Dorsey, juntou-se à banda de Benny Goodman, em 1945, com 18 anos de idade. Neste ano, gravou as canções «Opus de Bop», «Running Water», «Don’t worry ‘bout me» e «And the angels swing», como líder do quarteto que o próprio formou, «Swing Bop Quarter», com o pianista Hank Jones, o baixo Curly Russel e o baterista Max Roach.

Stan Getz casou com a vocalista da banda de Gene Kurpa, Beverly Byrne, irmã de Buddy Stewart, no dia 7 de novembro de 1946, em Los Angeles. O casal teve três filhos. Em Los Angeles, o músico começou a relacionar-se com um grupo de três saxofonistas influenciados por Lester Young: Herb Steward, Zoot Sims e Jimmy Giuffre. Ralph Burnes, que na altura tentava montar uma nova banda para Woody Herman, depois de os ouvir, recomendou os quatro saxofonistas. Entre 22 e 31 de Dezembro de 1946, a banda gravou 14 canções. Destas, foram lançadas onze e cinco tornaram-se hits: «I’ve got news for you», «Keen and Peachy», «The Goof and I», «Four Brothers» (referência aos quatro saxofones) e «Summer Sequence». As maiores influências de Getz eram claras na sua música: Lester Young, Charlie Parker e Dexter Gordon.

Sucesso

Em março de 1950, Stan Getz abandonou a banda de Herman. No entanto, a gravação de «Early Autumn» de Woody Herman, com um solo de Getz, lançada a Julho de 1950, tornou-se um grande sucesso, ao ponto de todos quererem ouvi-lo tocar saxofone. A partir daqui, seria líder de todas as bandas com quem tocaria.

A 15 de Dezembro de 1950, apenas com 22 anos, era reconhecido o suficiente para ser convidado a abrir a “Birdland” com Charlie Parker e Lester Young. No dia de Natal, fez parte de um concerto de estrelas no Carnegie Hall com Miles Davis, Serge Chaloff, Sonny Stitt, Max Roach, Bud Powell, Parker, Sarah Vaughan e Lenny Tristano.

Enquanto tocava em Hartford, no Connecticut, contratou um miúdo local, Horace Silver, para juntar-se ao seu grupo no piano. Depois, partiram para a Suécia, onde tudo corria bem até descobrir que os músicos suecos da sua idade não consumiam droga. Decidiu deixar de consumir porque queria ser como eles.

Adição

No dia 11 de março de 1952, Stan Getz gravou «Moonlight in Vermont». Seguiram-se canções como «These Foolish Things Remind Me Of You», «Stella by Starlight» e «Thanks For The Memory».

Stan consumia heroína há nove anos mas estava decidido a parar, de modo a não ir para a prisão. No entanto, em tour e a sofrer dos sintomas de withdrawl, tentou roubar uma farmácia, esperando obter morfina. Foi condenado a seis meses de prisão e a três anos de liberdade condicional. Quando abandonou a prisão, no dia 16 de Agosto, estava pela primeira vez na sua vida adulta livre da adição de drogas e álcool.

Em 1956, depois de se divorciar de Beverly, Getz casou-se com a aristocrata sueca Monica Silfverskiold, que tinha conhecido em Washington. Tiveram dois filhos. De forma a evitar problemas legais, o casal viveu algum tempo em Copenhaga, na Dinamarca.

Enquanto Stan vivia na Europa, aconteceu uma nova revolução musical nos Estados Unidos: o jazz modal de Miles Davis e John Coltrane, diferente do jazz baseado em acordes do músico. Quando regressou a Nova Iorque, viu a maior parte dos seus concertos foram cancelados.

Bossa Nova

Stan Getz conheceu o guitarrista Charlie Byrd enquanto atuava em Washington. Este mostrou-lhe as gravações de música sul-americana que tinha realizado entre março e junho de 1961. Byrd estava impressionada com o som híbrido do jazz e do samba brasileiro, conhecido no Brasil como “bossa nova” e disse a Stan que não encontrava ninguém interessado em gravar nos Estados Unidos. O músico viu de imediato o potencial neste novo género e o resultado foi o álbum «Jazz Samba», em 1962, um estrondoso sucesso.

No dia 18 de março de 1963, o músico gravou «Getz/Gilberto», com João Gilberto e Tom Jobim. A única pessoa brasileira fluente em inglês presente na sessão era Astrud Gilberto, esposa de Gilberto. Stan pediu-lhe para cantar «Corcovado» e «A garota do Ipanema» (em inglês). Astrud não era treinada nem tinha experiência vocal mas Getz gostou das traduções e considerou que soava bem o suficiente para fazer parte do álbum, embora nem Gilberto nem Jobim quisessem que assim acontecesse. «The Girl From Ipanema» fez de Astrud Gilberto uma estrela.

São Francisco

Em 1972, Stan Getz formou uma nova banda com Chick Sorea, Stanley Clarke, Airto Moreira e Tony Williams. O grupo gravou «Captain Marvel», que não foi lançado durante três anos devido a uma disputa contractual. Passou, então, a colaborar com a Columbia e o primeiro álbum gravado foi «The Best of Both Worlds», em Maio de 1975, com João Gilberto.

No dia 12 de Maio de 1981, o músico gravou «The Dolphin», em São Francisco, para onde decidiu mudar-se. Por esta altura, separou-se de Monica, devido a problemas relacionados com droga e álcool. Depois, partiu em tour pela Europa e gravou um novo álbum, «Pure Getz». No dia 1 de Janeiro de 1986, tornou-se músico residente da Stanford University, onde leccionou no Stanford Jazz Workshop durante dois anos.

Doença

A 1 de maio de 1987, Stan foi informado de que tinha um tumor por detrás do coração. Apesar da doença, tocou no JVC Jazz Festival no dia 21 de Junho e, logo a seguir, partiu numa nova tour europeia. Depois de regressar aos Estados Unidos, submeteu-se a uma operação para a remoção do tumor no dia 18 de Setembro de 1987.

Pouco depois, a 29 de outubro, faleceu Woody Herman, uma morte custosa para Getz, que se encontrava a recuperar da cirurgia. Devido à sua saúde, o músico tinha muitos dificuldades em tocar saxofone, mas, teimosamente, escolheu embarcar numa tour de um mês pela Europa, que cancelou forçosamente depois de uma semana.

A 1 de julho de 1988, apresentou-se num concerto em memória de Buddy Rich, no Carnegie Hall, regressando, em seguida, à Califórnia, onde comprou uma nova casa e iniciou uma dieta macrobiótica, usufruindo da companhia daqueles de quem gostava. Não obstante, ainda nesse mês, recebeu más notícias: cancro de fígado e cirrose, causados pelos anos de abuso. Foi-lhe dito que poderia viver entre quatro/seis meses a um ano, com uma operação, radiação e quimioterapia. Stan escolheu lutar o cancro com uma dieta restrita à base de ervas.

Depois de verem os exames ao fígado, no dia 21 de novembro, os médicos ficaram impressionadas porque o tumor tinha, de facto, diminuído 10% só com a dieta. No entanto, logo no dia seguinte, sofreu um pequeno ataque cardíaco. Foi-lhe dado morfina para aliviar as dores e foi mandado para casa. Ninguém informou a equipa médica de que Stan tinha sido um viciado pelo que, cinco dias depois, foi encontrado em casa com uma overdose, regressando ao hospital para quatro dias de desintoxicação.

Últimos anos

Em junho de 1989, Stan fez outra tour pela Europa com um grupo que incluía o pianista Kenny Barron. Gravaram «Just Friends» com a cantora Helen Merrill. A 12 de agosto recebeu óptimas notícias: o tumor tinha diminuído 70% e, em Junho de 1990, era quase invisível. Partiu para Nova Iorque e para Europa e, no regresso, apresentou-se no Monterey Jazz Festival, onde a audiência aplaudiu vivamente quando Dizzy Gillespie se lhe juntou em palco.

Contudo, em dezembro de 1990, Stan Getz recebeu novamente más notícias: o tumor já não estava em remissão e sim em crescimento. As dores de estômago começaram a aumentar mas o músico continuou a trabalhar. Acabaria por falecer na manhã do dia 6 de junho de 1991, com 64 anos, enquanto olhava o oceano.

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References:

Twomey, J. (2004). Stan Getz – The Sound. Em http://www.stangetz.net/bio.html

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