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Berlioz, Hector

Biografia do compositor romântico francês Hector Berlioz (1803-1869), autor da «Sinfonia Fantástica», da «Grand’ Messe des morts» e da ópera «Les Troyens». O seu «Tratado de Instrumentação» ofereceu um contributo importante para a construção da orquestra moderna.

Nascimento 11 de Dezembro de 1803 , La Côte Saint-André, França
Morte 8 de Março de 1869, Paris, França
Família Esposas: Harriet Smithson (desde 1833) e Marie Recio (1854-1862); Filhos: Louis Berlioz (1834-1867)
Ocupação Compositor
Principais obras «Symphonie Fantastique»; «La Damnation de Faust»; «Harold in Italie»; «Symphonie funébre et triomphale»; a «Grand Messe des morts»; «Benvenuto Cellini»; «Nuits d’été»; «Les Troyens»

Primeiros anos

Hector Berlioz nasceu no dia 11 de Dezembro de 1803, em França, em La Côte Saint-André, perto de Grenoble. Grande parte da sua educação, incluindo as primeiras lições de música, esteve a cargo do seu pai, Louis Hector, um respeitado e culto médico de província.

Berlioz não foi uma criança prodígio, como muitos outros compositores da altura. Começou a estudar música com 12 anos, de um modo grandemente auto-didacta: estudou harmonia a partir de livros e começou a escrever pequenas composições e arranjos. Aprendeu a tocar flauta, flageolet e, em 1819, guitarra, com um professor contratado pelo pai, mas nunca piano.

Em 1821, destinado à carreira médica, entrou na Escola Médica de Paris.

Os anos de estudante em Paris

Durante um ano estudou seriamente medicina mas o apelo da música não o abandonava: aproveitava todas as oportunidades possíveis para frequentar a Opéra de Paris. Depois de assistir a uma apresentação de «Iphigénie en Tauride» de Gluck, começou, também, a visitar a biblioteca do Conservatório de Paris para estudar e fazer cópias pessoais da sua obra, que passou a admirar, acima de todos, a par de Beethoven.

Em 1822, Berlioz inscreveu-se em aulas de música e iniciou a composição de uma ópera. Seguiu-se uma oratória no ano seguinte quando se tornou aluno privado de Jean-François Le Sueur, professor de composição no Conservatório de Paris. O seu desejo de prosseguir uma carreira na música levou a desentendimentos com o pai mas, em 1824, abandonou formalmente a escola de medicina. No mesmo ano, compôs «Messe Solennelle».

Em 1826, o músico entrou na Conservatório de Paris para continuar a estudar com Le Sueur mas também com Reicha. No ano seguinte, viu a companhia Kremble em «Hamlet» no Ódeon. Foi atingido como por um raio por uma paixão por Shakespeare e pela actriz irlandesa que representava Ofélia, Harriet Smithson. Nos cinco primeiros meses de 1830 viria a compor a «Symphonie fantastique», subtintitulada «Episódios na vida de um artista», inspirada na actriz.

No ano de 1828, Berlioz ouviu pela primeira vez as terceira e quinta sinfonias de Beethoven, descrevendo esta experiência como esmagadora. Começou, também, a estudar os quartetos de corda e as sonatas para piano do mestre de Bonn, entrando efectivamente em contacto com o músico. Por esta altura leu o «Fausto» de Goethe, que se tornou na sua inspiração para «Huit Scènes de Faust» (desenvolvida depois na «La Damnation de Faust»), começou a estudar inglês para ler Shakespeare e iniciou-se na profissão de crítico musical.

Apesar de obcecado com a actriz Harriet Smithson, envolveu-se romanticamente com a pianista Camille Moke, de quem ficou noivo, em 1830. Em Julho do mesmo ano venceu, finalmente, o Prix Rome (já se tinha candidatado 3 vezes), com a cantata «Sardanapale». Antes do final do ano fez um arranjamento do hino nacional, «La Marsellaise», compôs uma abertura para a peça de Shakespeare «A Tempestade» e conheceu Franz Liszt, com quem forjou uma amizade. Este viria a transcrever a «Sinfonia Fantástica» para piano de modo a divulgar a obra de Berlioz.

Itália

A 30 de Dezembro de 1831, Berlioz trocou Paris por Roma, dado que uma parte do prémio da competição Prix de Rome exigia que os vencedores passassem dois anos a estudar na Academia Francesa de Villa Medici. Nas suas «Mémoires», de 1870, descreveria o tempo passado em Roma como não produtivo, especialmente depois das várias composições escritas em Paris, mas, não obstante, as suas viagens e experiências em Itália exerceriam uma influência visível na sua obra.

Em Roma conheceu o o compositor russo Glinka e tornou-se amigo de Mendelssohn, que visitaria depois na sua primeira tour na Alemanha, em 1843. Como não gostava da capital italiana, viajava frequentemente, com a viola ao ombro, contactando com diferentes pessoas.

Durante a sua estadia em Itália, o músico recebeu uma carta da mãe de Camille Moke a informar que a jovem casaria com M. Camille Pleyel. Enfurecido, decidiu regressar a Paris com intenção de assassinar os três. Para o efeito, chegou mesmo a elaborar um cuidadoso plano mas, pela altura da sua chegada a Nice (na altura, parte de Itália), mais calmo, decidiu não fazer nada. Enviou somente uma carta à Academia Francesa a pedir permissão para regressar um ano mais cedo a Paris, permissão esta que lhe foi concedida.

Em Nice, compôs a abertura «Le roi Lear», inspirada em Shakespeare, e começou a trabalhar na abertura «Rob Roy» e em «Le retour à la vie», mais tarde nomeada «Lélio».

Carreira em Paris

Entre 1830 e 1840, Berlioz compôs algumas das suas maiores obras, incluindo «Harold in Italie» (encomendada por Paganini, que se colocou de joelhos depois de ouvir a obra), «Symphonie funébre et triomphale», a sinfonia dramática «Roméo et Juliette», a «Grand Messe des morts» e a ópera «Benvenuto Cellini». Embora algumas destas obras fossem encomendadas, o compositor suplementava os seus ganhos com a sua actividade de crítico musical, que detestava mas realizava brilhantemente.

Pouco depois de regressar a Paris, o compositor organizou um concerto que contou com a presença, entre outros, de Victor Hugo, Alexandre Dumas, Heinrich Heine, Niccolò Paganini, Franz Liszt, Frédéric Chopin, George Sand, do dramaturgo Ernest Legouvé (de quem se tornaria um grande amigo) e Harriet Smithson. Depois do concerto, Berlioz e Harriet foram formalmente apresentados e iniciaram um relacionamento. Embora o músico não compreendesse o inglês falado e a actriz não soubesse francês, casaram-se a 3 de Outubro de 1833. No ano seguinte nasceu o seu único filho, Louis Berlioz. O casamento, no entanto, terminou em 1841, porque ambos eram propensos a conflitos e explosões de temperamento. Envolveu-se, depois, com a cantora Marie Recio.

Les Troyens

Acompanhado por Marie Recio iniciou uma tour internacional pela Alemanha, em 1843, onde reveu Mendelssohn e travou contacto com Schumann, Wagner e Meyerbeer. Antes, já tinha realizado três concertos na Bélgica. Nos anos seguintes viajou frequentemente, realizando quatro estadias em Londres e chegando a visitar duas vezes a Rússia (a convite de Glinka).

No início de 1844 o seu «Tratado de Instrumentação» foi publicado. Ao mesmo tempo, escrevia artigos para várias revistas de música, que depois foram recolhidos em «Mémoires» e «Les soirées de l’Orchester». Ainda no mesmo ano, o compositor abandonou definitivamente a sua casa e foi viver com Marie Recio. No entanto, continuou a sustentar Harriet, cuja carreira tinha colapsado, o resto da sua vida.

A cantata dramática «La Damnation de Faust» revelou-se um fracasso de bilheteria, em 1846, em Paris e o «Te Deum», composto entre 1849 e 1850 não foi estreado antes de 1855.

Entre 1856 e 1858 empenhou-se na composição da ópera «Les Troyens», para a qual escreveu um libreto com base na «Eneida» de Virgílio. Esta obra, obra-prima do compositor, possuía uma escala demasiado vasta e os esforços realizados para a pôr em cena na Ópera falharam. Por fim, tendo-a dividida em duas partes, «La Prise de Troie» e «Les Troyens à Carthage», Berlioz viu a segunda parte produzida no Théâtre Lyrique, em Paris, a Novembro de 1863. Foi retirada depois de 22 apresentações, um fracasso que desanimou o compositor. Em 1860-62 concluiu a sua última obra, a ópera cómica «Béatrice et Bénédict», baseada em Shakespeare.

Últimos anos

A doença intestinal que lhe tinha sido diagnosticada mais ou menos na altura da conclusão de «Les Troyens» levou a um quase estado de incapacidade nos seus últimos anos de vida. Além disto, uma sucessão de mortes muito pessoais, levou a que uma compositor vivesse entristecido até ao fim. A sua primeira esposa, Harriet, por quem sempre nutriu afecto, faleceu em 1854; Marie, a sua segunda esposa, morreu inesperadamente em 1862; o seu filho, marinheiro, faleceu com febre amarela em Havana, em 1867.

Berlioz faleceu a 8 de Março de 1869, na sua casa em Paris, rodeado de amigos. Foi enterrado no Cemitério de Montmartre, onde repousa junto das suas duas mulheres.

O músico contribuiu para o desenvolvimento da forma sinfonia programática («Symphonie fantastique») e para a construção da orquestra moderna, com o seu «Tratado de Instrumentação». No entanto, a extravagância das suas orquestrações, inovadoras à época, desviaram as atenções da pureza clássica das suas melodias e da grandeza beethoveniana na construção de constrastes dramáticos. Se durante cerca de 100 anos após a sua morte as verdadeiras qualidades de Berlioz foram obscurecidas pela sua imagem de «artista romântico» por excelência, hoje, o seu contributo para a história da música é inegável.

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References:

Barzun, J. (2016). Hector Berlioz. Em https://www.britannica.com/biography/Hector-Berlioz

Kennedy, M. (1994). Dicionário Oxford de Música. Publicações Dom Quixote.

The Hector Berlioz Website (nd). Berlioz Biography. Em http://www.hberlioz.com/Works/biography.htm

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