Paródia

Paródia é o nome que se dá às releituras e recriações cómicas de obras literárias, musicais e artísticas. Através dela, pode-se ver o pensamento crítico.

O termo paródia refere-se a releitura cómica de uma obra já existente. Pode-se tomar como base a compilação feita por Rose (1995) sobre a paródia, que atualmente é considerada como a ação de recriar copiosamente alguma obra, tanto literária, como também pertencente a outras linguagens (musical, visual, televisiva, fotográfica, teatral e até mesmo uma prática cultural).

O ato em si surgiu na era aristotélica, na poética, quando Thasos passou a modificar palavras em poemas, designando-os ao ridículo (Rose, 1995). No entanto, o termo vem do grego parole, no qual para significa o contrário e ole faz menção à música.

Na literatura grega, a paródia era apenas uma narrativa poética que imitava os clássicos épicos estilisticamente. Na Roma antiga, a paródia era usada no sentido humorístico.

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Características da paródia

A paródia contém algumas características importantes a serem ressaltadas. Em primeiro lugar, esta, normalmente, refere-se a uma produção que lhe é anterior.

Em segundo, ela pode ser considerada um texto resposta, dando lugar a uma transtextualidade. E em terceiro, pode ser uma apropriação de exageros, oposições, transposições de espaço-tempo, etc. (Frota, 2006).

Frota (2006), citando Genette (1982), entende que a paródia pode ser séria, desde que se limite nas transformações satírico-recreativas. O autor esclarece que o texto paródico também pode ser uma forma de homenagem.

Para ele, a atividade não é a simples ridicularização de outrem. “A paródia transforma, mas não precisa ridicularizar o seu alvo. […] A paródia ‘mata’ para fazer brotar novamente a criação” (Frota, 2006).

Dialogismo

Sobre a paródia examinada e instituída por Bakhtin, Barbosa (2001) esclarece que o filósofo não possui uma obra específica sobre o assunto. Ela afirma que Bakhtin deve ser examinado a partir “da revisão dos conceitos de dialogismo, polifonia, plurilinguismo e hibridização” (Barbosa, 2001:56).

O dialogismo é a interação do discurso de um indivíduo com um discurso alheio, sendo uma característica natural e inerente das linguagens como um todo. No dialogismo, os discursos devem chocar-se, criando um confronto, o que Barbosa (2001) denomina de “coexistência de diferentes vozes”.

A autora exalta que “[…] é preciso ter em mente que as relações dialógicas não se realizam estritamente no plano linguístico e lógico. Elas são, sobretudo, relações específicas de sentido, ainda que não estejam separadas do âmbito discursivo, nem dispensem a coerência lógica” (Barbosa, 2001:56).

Seguindo esse raciocínio, Bakhtin afirma que todo discurso é orientado para um objeto e, ao mesmo tempo, para uma possível resposta do interlocutor. Para ele, a simples provocação e o pressentimento do discurso acabam por orientá-lo.

Polifonia

O círculo subjetivo do ouvinte se converte em alvo de discurso e, assim, a antecipação da resposta do destinatário influirá sobre as falas do sujeito, suscitando alterações semânticas e expressivas (Barbosa, 2001).

A polifonia é, portanto, a realização literária do dialogismo e está fortemente presente nos romances. Como ilustra Barbosa (2001:57) “polifonia, na versão do teórico, é a coexistência de uma multiplicidade de vozes independentes, imiscíveis e eqüipolentes, que participam de um diálogo em pé de igualdade, sem perderem sua autonomia ou subordinarem-se umas às outras”.

No romance, de acordo com o pensamento bakhtiniano, é infligido o plurilinguismo. É esse elemento que propiciará a polifonia, pois consiste na “estratificação interna de uma língua nacional em dialetos sociais, maneirismos de grupos, jargões profissionais, linguagens de gêneros e falas das gerações, das idades, das tendências e das modas passageiras” (Barbosa, 2001:58-59).

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Plurilinguismo

O plurilinguismo é composto por linguagens que, para Bakhtin, são pontos de vista peculiares sobre o mundo. Barbosa (2001) sustenta que, dessa forma, é impossível que a língua conserve formas neutras, já que se constituem diferentes perspetivas semânticas e axiológicas.

“Bakhtin constata que o discurso humorístico, irônico e paródico é uma das formas fundamentais através das quais é possível introduzir e organizar o plurilingüismo no romance” (Barbosa, 2001:59). A paródia, na visão de Bakhtin, é bivocal, bilíngue e metalinguística, por produzir duplo sentido.

Barbosa (2001) aponta que, na paródia, ocorre o cruzamento de linguagens (entre a que é parodiada e a que parodia), porém uma toma conhecimento da outra, ocasionando uma disputa. A intenção do pronunciado paródico é usar dessa linguagem parodiada para desmascará-la.

Hibridização

A hibridização é a mistura de duas linguagens no núcleo de um enunciado, diferente da paródia, que não participa diretamente do que é proferido. “Ela funciona como fundo dialógico, que concede à linguagem parodiada um aclaramento especial. Esta última, inserida no novo contexto, experimenta alterações de significado e de acento” (Barbosa, 2001:61).

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References:

Barbosa, Márcia Helena S. (2001). A paródia no pensamento de Mikhail Bakhtin. Vidya. Educação, UNIFRA, v. 35, jan./jun., p. 55-62.

Frota, Adolfo José de Souza. (2006). A paródia em “Conto barroco ou unidade tripartida”. Revista de Letras. Curitiba, DACEX, UTFPR, n. 8. Não paginado. Disponível em: <http://www.dacex.ct.utfpr.edu.br/8adolfo.htm>.

Rose, Margaret A. (1995). Parody: ancient, modern and post-modern. New York, Cambrige.

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