Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão

O padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão foi um conhecido sacerdote jesuíta, cientista e inventor, e é ele o responsável pela invenção do aeróstato. Nascido no ano de 1685 em Santos no Brasil, à data ainda uma colónia portuguesa, o Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, também conhecido como Padre Voador, é uma figura histórica da cultura luso-brasileira. Batizado como Bartolomeu Lourenço, só mais tarde é que adota o apelido Gusmão, em homenagem ao seu protetor, o jesuíta Alexandre de Gusmão.

Foi principalmente por iniciativa dos pais que Bartolomeu se dedicou à vida eclesiástica. Oriundo de uma família grande, tendo um total de 11 irmãos, foi logo em criança que Bartolomeu iniciou os seus estudos primários ainda na sua terra natal, tendo posteriormente ingressado no seminário jesuíta de Belém da Cachoeira na Baía. Ao terminar o seminário, Bartolomeu mudou-se para Salvador, onde ingressou na Companhia de Jesus, da qual acabou por sair em 1701, ainda antes de completar a sua ordenação. Nos anos que seguiram, dividiu o seu tempo entre Portugal e o Brasil, obteve a ordenação de Padre no Brasil e prosseguiu os seus estudos em terras lusas, onde se formou em direito religioso, na Universidade de Coimbra. Distinguido pelas suas capacidades oratórias, foi no entanto ao estudo e às suas invenções que dedicou a sua vida, sendo extremamente bem-sucedido neste campo, com diversos inventos importantes, a sua maioria dedicados à “arte de voar”.

Durante os anos que viveu em Portugal, o Padre Bartolomeu estabeleceu relações cordiais e de grande proximidade com diversos elementos da nobreza e da corte, tendo até sido apresentado ao rei D. João V, acabando por ser nomeado fidalgo-capelão da Casa Real Portuguesa, corria o ano de 1722.

Apesar de se dedicar a diversas invenções, foi ao aeróstato que mais tempo dedicou e o invento que mais o celebrizou; este não passava de uma espécie ainda um pouco arcaica de um balão de ar quente, do qual fez diversas demonstrações públicas, tendo sido bem-sucedido em algumas delas, conseguindo com que o balão se elevasse nos céus.

Ao longo da sua vida, o Padre Bartolomeu de Gusmão dedicou também bastante tempo a viagens, não só entre Portugal e o Brasil, mas um pouco por toda a Europa, por onde se deslocou entre os anos de 1713 e 1716, continuando a registar diversas invenções.

O Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão viria a morrer apenas aos 39 anos, corria o ano de 1724, vítima de doença, em Toledo, Espanha, onde se tinha refugiado da Inquisição Portuguesa, pela qual era perseguido, acusado de simpatizar com os cristãos-novos.

José Saramago reavivou a memória do Padre Bartolomeu, tornando-o uma das principais personagens do romance “Memorial do Convento”, no qual é responsável pela construção de uma máquina voadora, a Passarola, ponto fulcral de desenvolvimento da história, sendo símbolo do sonho, ambição, inovação, vontade de ir mais além.

 

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