Al Berto

Quem foi Al Berto

Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares, foi um poeta, pintor, editor e animador cultural português.

Sines foi casa de Al Berto, um dos maiores poetas e uma das mais influentes figuras da literatura portuguesa da segunda metade do século XX.

Al Berto entrega-se à escrita como uma forma de viver e também como uma forma de (quase) morrer. A falta de pontuação “separa”, por vezes, o autor do texto, dando-nos margem para elevarmos a voz onde mais nos “magoa”.

“Definha-se texto a texto, e nunca se consegue escrever o livro desejado. Morre-se com uma overdose de palavras, e nunca se escreve a não ser que se esteja viciado, morre-se quando já não é necessário escrever seja o que for…”

Em todas as suas obras, é notável como Al Berto mistura as Artes de que era conhecedor. Na capa do seu livro O Medo, aparece num retrato (encenado por Paulo Nozolino em homenagem a Caravaggio), embrulhado num pano vermelho-sangue, transmitindo-nos, realmente, medo. Não dele, nem de nós, mas talvez deste efémero Mundo.

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Al Berto

(1948-1997)

 

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Al Berto  .
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Dados Biográficos

Nome: Alberto Raposo Pidwell Tavares
Nascimento: 11 de Janeiro de 1948, Coimbra, Portugal
Morte: 13 de Junho de 1997, Lisboa, Portugal
NacionalidadePortugués
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Cargos, Funções, Actividades Profissionais

Áreas em que se distinguiu: Literatura, Artes
Profissão/cargo: Escritor, Poeta, Pintor, artista e animador cultural
Títulos, prémios e distinções: Prémio P.E.N. Clube Português de Poesia (1988)
Principais Obras: Lunário, Três cartas da memória das Índias, Apresentação da noite, O Medo, À procura do vento num jardim d’Agosto e Dispersos
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1948

1967 1970 1974 1987 1997
Nascimento

foi viver para a Bélgica, fugindo do serviço militar, onde estudou pintura na École Nationale Supérieure d’Architecture et des Arts Visuels (La Cambre), em Bruxelas

abandona, definitivamente a pintura, embora o seu interesse pelas Artes Plásticas

escreve o primeiro livro inteiramente na língua portuguesa, À Procura do Vento num Jardim d’Agosto.

O Medo, uma antologia do seu trabalho desde 1974 a 1986, é editado pela primeira

Morre.

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Nascido no seio de uma família da alta burguesia (origem inglesa por parte da avó paterna). Alberto Raposo Pidwell Tavares nasce em Coimbra no dia 11 de Janeiro de 1948. Quando ainda tem apenas um ano, vem viver para Sines, onde cresce no seio de uma família abastada, mas disfuncional, pela perda do pai muito cedo, num desastre de viação.

Em Sines passa toda a infância e adolescência, até que a família decide enviá-lo para o estabelecimento de ensino artístico Escola António Arroio, em Lisboa.

A 14 de abril de 1967, foi viver para a Bélgica, fugindo do serviço militar, onde estudou pintura na École Nationale Supérieure d’Architecture et des Arts Visuels (La Cambre), em Bruxelas. Após concluir o curso, decide abandonar a pintura em 1971 e dedicar-se exclusivamente à escrita.

Em 1970 abandona, definitivamente a pintura, embora o seu interesse pelas Artes Plásticas e pela fotografia subsista, através duma colaboração regular em textos expressamente escritos para catálogos de exposições de pintura, fotografia, etc. O livro, A Secreta vida das Imagens, publicado em 1991, inspira-se, na totalidade, na obra de artistas clássicos e contemporâneos, nacionais e estrangeiros, tais como: Giotto, Van Gogh, Chagall, Andy Warhol, Mário Cesariny, Cabrita Reis, Ilda David.

Em mais de vinte anos de actividade literária, a expressão poética assumida por Al Berto, o pseudónimo do autor, distingue-se de qualquer outra experiência contemporânea pela agressividade (lexical, metafórica, da construção do discurso) com que responde à disforia que cerca todos os passos do homem num universo que lhe é hostil. 

O Medo, uma antologia do seu trabalho desde 1974 a 1986, é editado pela primeira vez em 1987. Este veio a tornar-se no trabalho mais importante da sua obra e o seu definitivo testemunho artístico, sendo adicionados em posteriores edições novos escritos do autor, mesmo após a sua morte.

Esgotada a primeira Edição de O Medo, sucede-lhe em 1991 uma 2ª edição, que reúne toda a obra do autor publicada até à data, com excepção dos livros de prosa Lunária e O Anjo Mudo, publicados em 1988 e 1993, respectivamente; em 1995 é publicado o último livro de poesia de Al Berto – Luminoso Afogado

Em 1992, é distinguido com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

Inicialmente seguindo uma estética surrealizante de temática erótica, em O Anjo Mudo (1993) funde prosa e poesia, exprime intertextualidades, numa viajem marginal e purificadora.

Deixou ainda textos incompletos para uma ópera, para um livro de fotografia sobre Portugal e uma «falsa autobiografia», como o próprio autor a intitulava.

Al Berto morreu em Lisboa, a 13 de Junho de 1997, de linfoma, aos 49 anos.

Em 2009 a Companhia de Teatro O Bando estreia no Teatro Nacional Dona Maria II, em Lisboa, um espectáculo intitulado A Noite a partir de Lunário, Três cartas da memória das Índias, Apresentação da noite, O Medo, À procura do vento num jardim d’Agosto e Dispersos. O espectáculo foi encenado por João Brites e interpretado por Ana Lúcia Palminha e Pedro Gil. Além de Lisboa, o espectáculo esteve ainda no Teatro da Cerca de São Bernardo em Coimbra e no espaço d’O Bando.

Em 2017, Al Berto é homenageado em um Filme biográfico. Al Berto partiu a 13 de Junho de 1997 e simbolicamente, o trailer do filme homónimo sobre o poeta português foi revelado ontem, vinte anos depois. O regresso do autor a Portugal depois de uma longa estada em Bruxelas é o mote para a longa-metragem de Vicente Alves do Ó.

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References:

VARIOS. Poesía Portuguesa. Diputación de Vizkaia, Departamento de Cultura, 2004

MACHADO, José Barbosa. Dicionário Breve de Autores Portugueses.Edições Vercial, 2014

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