Novo Brutalismo

Novo Brutalismo, foi o nome atribuído à corrente arquitectónica do Século XX, que busca na estrutura a verdade e a pureza da forma, sintetizando a natureza intrínseca dos materiais com as técnicas através das quais estes são elaborados, e estabelecer de uma forma extremamente natural uma unidade entre a forma construída e os homens que a utilizam.

Em 1954, o casal de arquitectos, os Smithson’s, depois de vencerem o concurso para o projecto de uma escola em Hunstanton-Norfolk, causam uma grande polémica com a orientação formal do projecto, tipicamente racionalista, com uma grande referência ao Instituto de Tecnologia de Illinois, de Mies Van der Rohe, e uma forte influência da arquitectura japonesa.

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O casal de arquitectos, os Smithson’s, representantes do Novo Brutalismo

A escola apresentava estratégias compositivas que se transformaram em uma tendência e soluções canónicas que acabariam por caracterizar o próprio movimento do Novo Brutalismo e a Arquitectura Moderna. Na escola de Hunstanton, tudo estava aparente, ao descoberto, destacado, desde a estrutura em aço às instalações eléctricas, de água, ao sistema de aquecimento. A própria caixa de armazenamento de água, os Smithson’s, a colocaram fora do prédio, tornando-se num ponto de referência da escola.

Este edifício, devido ao seu impacto, acabou por ser conhecido como o primeiro edifício do Novo Brutalismo, ainda que, na verdade, o primeiro edifício de características Novo Brutalismo, reconhecido como tal pelos Smithson’s, foi uma residência, nunca construída, em Soho-Londres (1953). Entretanto, segundo Reyner Banham, em: “O Brutalismo em arquitectura, ética ou estética?”, o primeiro edifício que levou o título de Brutalismo foi o Instituto de Illinois (1945-47) de Mies.

A expressão Novo Brutalismo, de certa forma, como observou Royston Landau em “Nuevos caminos de la arquitectura Inglesa”, só sugeria o interesse pelos aspectos formais deixando esquecido as inquietudes sociais que influenciaram toda uma geração em matéria de crescimento urbano. A postura estética do Novo Brutalismo tinha tudo a ver com uma postura filosófica existencialista. Para a cultura dos anos 50-60 não importava muito o ter, mas sim, o ser. E essas posturas de certa forma se traduziam na arquitectónica com o Novo Brutalismo, onde mostrar a nudez da forma, retirar os revestimentos, mostrar somente a estrutura, era a principal característica formal e estética.

Em Londres, os arquitectos: Reyner Banham, Peter e Alison Smithson, Eduardo Paolozzi, Richard Hamilton, Theo Crosby, formavam na época, o grupo século XX. Gostavam da art brut de Jean Dubuffet, da estética do trivial, dos ready-mades, adoravam o béton brut utilizado na Unidade de Marselha por Le Corbusier, e gostavam tanto do expressionismo abstracto de Jackson Pollock quanto do universo “pop americano” dos carros e dos electrodomésticos.

Para melhor compreendermos o sentido histórico do termo Novo Brutalismo convêm recorrer ao grande defensor e divulgador do Brutalismo, R. Banham, que explicou que a essência do termo Novo Brutalismo foi aplicado antes mesmo que existisse o movimento. O criador do qualificativo “brutalista” foi Hans Asplund, filho de Gunnard Asplund, referindo-se sarcasticamente aos seus colegas Bengt Edman e Lennart Holm como Neobrutalistas, devido ao projecto de uma pequena casa em Upsala na Suécia, em 1950. Três anos depois, a casa em Soho dos Smithson’s apresentaria uma grande aproximação formal a casa de Edman e Holm.

A partir de então a expressão penetrou também em Inglaterra e dali difundiu-se rapidamente por todo o mundo. O termo Neobrutalista não é a mesma coisa que Novo Brutalismo. A diferença dos termos, não é só gramatical: Neobrutalista é uma denominação estilística como Neoclássico ou Neogótico, enquanto Novo Brutalismo responde a uma concepção ética e não inicialmente estética.

O outro aspecto, sem dúvida divertido, comentado por Banham é que o termo designado de Brutalismo para a escola de Hunstanton dos Smithson’s, também foi dado porque Peter Smithson tinha sido apelidado de Brutus pelos seus amigos e colegas devido á sua semelhança física, com os bustos do herói romano.

O termo tinha uma ambiguidade tão grande nos anos 50 que os americanos conheciam só uma versão deformada da expressão e acreditavam que o Brutalismo era proveniente de Brutus + Alison, a esposa de Peter. A expressão Novo Brutalismo, também fazia uma crítica à expressão Novo Empirismo, mas na realidade como admitiu Banham, na prática frequentemente se confundiam um com o outro, devido em parte às semelhanças formais do “tijolinho a vista”.

A Arquitectura do Novo Brutalismo, na experiência britânica destaca-se principalmente, pelo predomínio da tecnologia e pela preocupação pelos processos e necessidades de produção da arquitectura. Outra das características que mais destacaram neste género arquitectónico foi: a instalação dos tubos, fios e outras partes técnicas do lado de fora do prédio, ao céu aberto, para os olhos do público, o que causou grande sensação e cuja originalidade, que foi imitada por muitos.

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References:

ARTIGAS, Vilanova. Caminhos da arquitetura. Organização Rosa Camargo Artigas e José Tavares Correia de Lira. 4. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cosac & Naify, 2004

BANHAM, Reyner. The new brutalism: ethic or aesthetic? London: Architectural Press, 1966

KITNICK, Alex; FOSTER, Hal (ed.). New brutalism. October. Cambridge: MIT Press, 2011

ZEIN, Ruth Verde. Brutalismo, sobre sua definição (ou, de como um rótulo superficial é, por isso mesmo, adequado). Arquitextos – Vitruvius, São Paulo, ano 7, n. 084.00, 1. mai. 2007. Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/07.084/243. Acesso em: 25 Out. 2017

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